Eventual levantamento das medidas restritivas não deverá levar a “facilitismos” por parte da população

Depois de seis dias sem novos casos de infecção pelo novo coronavírus, registando-se porém a existência do 11.º óbito, uma mulher de 78 anos que se encontrava internada no Hospital do Divino Espírito Santo, e a existência de três casos recuperados, Tiago Lopes apelou para que não existam facilitismos por parte da população na eventualidade de serem levantadas algumas das medidas restritivas entretanto implementadas.
De acordo com o Director Regional da Saúde, no mesmo dia em que Marcelo Rebelo de Sousa informou o país de que o Estado de Emergência irá terminar no próximo dia 2 de Maio, na Região, esta continua a ser uma situação que a Autoridade de Saúde irá continuar a acompanhar “nas próximas horas e nos próximos dias”.
Porém, adianta que há “um longo caminho pela frente apesar da evolução do surto na Região”, sem que seja possível por isso diminuir para já “a atenção e o alerta colectivo e individual em relação ao surto pelo Covid-19”, não invalidando “que estejam a ser ponderadas o levantamento de algumas das medidas mais restritivas que foram implementadas nas últimas semanas”.
A seu tempo, conforme tem vindo a dizer, a Autoridade de Saúde poderá “comunicar eventuais medidas que possam ser alteradas na Região por via da evolução do surto, mas isso não invalida que a população não deixe de adoptar medidas de distanciamento físico, etiqueta respiratória e higienização das mãos”, disse no Solar dos Remédios.
A continuidade destas medidas de protecção e segurança são “preponderantes para a manutenção do estado actual e eventual não agravamento”, bem como para “a prevenção de uma eventual segunda vaga do surto” nos Açores.
Não invalidando os bons resultados obtidos nos últimos dias, Tiago Lopes revelou que a Autoridade de Saúde está expectante “para que não voltem a surgir mais casos positivos” no Lar do Nordeste, tendo em conta a nova ronda de testes aos quais estão sujeitos todos os afectos à instituição.
Assim sendo, “os novos casos que podem surgir não são de âmbito comunitário, o que leva à não existência de novas cadeias transmissão e à não evolução do surto”, indicou o Director Regional, salientando que numa eventual segunda vaga será possível “aprender com as eventuais lacunas para dar resposta a uma segunda vaga” do surto, embora esta seja “uma infecção forte e surpreendente em vários aspectos (…) e para aquela temos que estar preventivamente acautelados”.
Quanto à taxa de mortalidade existente actualmente em Portugal por intermédio do novo coronavírus, Tiago Lopes adiantou que também na Região “é difícil fazer esse comparativo de forma tão directa e taxativa”, sendo este um fenómeno que “carece de aprofundamento e que não pode ser visto de forma tão genérica”, sendo por isso necessário “analisar muito bem todos os dados e toda a informação que temos vindo a recolher ao longo das últimas semanas e dos últimos meses”.
No que diz respeito ao caso recuperado que proveio da estrutura de acolhimento a idosos no Nordeste, Tiago Lopes assinalou que em comparação com aqueles que perderam a vida a lutar contra este vírus, o homem com 67 anos de idade encontrava-se “numa faixa etária bem diferente dos restantes”, salientando que a partir de “toda a experiência e conhecimento que detemos esta infecção exacerba em muito a patologia crónica associada a utentes com idades acima dos 75 e 80 anos de idade”.
No dia de ontem, 756 casos suspeitos aguardavam a colheita da amostra e respectiva análise laboratorial, existindo um total de 2051 pessoas em vigilância activa. Internados encontravam-se 39 utentes, 15 destes no Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, número este que foi reduzido por via do óbito entretanto registado e de um caso de recuperação que foi posteriormente transferido para o Centro de Saúde do Nordeste.
No total, até ao momento, já foram detectados na Região 138 casos positivos, verificando-se 37 recuperados, 11 óbitos e 90 casos positivos activos para infecção pelo novo coronavírus SARS-CoV-2, que causa a doença Covid-19, sendo 66 em São Miguel, três na ilha Terceira, cinco na Graciosa, dois em São Jorge, nove no Pico e cinco no Faial.

J.M
 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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