Armador e familiares agrediram três funcionários da lota de Vila Franca do Campo e um ficou de baixa depois de ser tratado no Hospital do Divino

A Lotaçor vai interpor uma providência cautelar no tribunal para impedir que uma família de pescadores de chicharro, que agrediu ontem de madrugada com barras de ferro e intimidou com uma faca três funcionários da empresa pública, no posto de recolha do porto de Vila Franca, se aproxime das instalações da lota. Em consequência das agressões, um dos funcionários recebeu tratamento no Hospital do Divino Espírito Santo e encontra-se de baixa, apurou o Correio dos Açores.
Estas agressões criaram um clima “de medo e mesmo de terror por parte dos funcionários” e fonte da Lotaçor disse ao Correio dos Açores’que solicitou a presença de agentes da PSP e da Polícia Marítima na madrugada de hoje junto ao posto de recolha de peixe de Vila Franca, para impedir que se voltem a repetir os desacatos da madruga de ontem.
A empresa pública, responsável pelas lotas dos Açores, não exclui a possibilidade de encerrar o posto de recolha de peixe de Vila Franca do Campo se continuarem as intimidações e desacatos com agressões aos funcionários.
Tudo aconteceu às primeiras horas de ontem. O posto de recolha de peixe de Vila Franca recebe o pescado até à 1h00 e o armador, antes desta hora, já estava em condições de fazer a descarga do peixe. Apesar disso, os funcionários da Lotaçor esperaram mais 30 minutos a ver se o armador descarregava o chicharro, mas tal não aconteceu.
Só depois da carrinha do pescado ter deixado as instalações do posto de recolha de peixe da Lotaçor em Vila Franca do Campo, porque tinha de estar na lota de Ponta Delgada às 2h00, é que o armador se dirigiu às instalações da lota para descarregar o seu peixe. Porque tinha passado da hora e se ter dado 30 minutos de tolerância, os funcionários, no cumprimento das medidas estipuladas pela Lotaçor, não quiseram recepcionar o pescado.
O armador e seus familiares partiram para os desacatos agredindo os três funcionários com barras de ferro e intimidando-os com uma navalha. Chamados ao local, agentes da PSP terão detido os agressores mas, algum tempo depois, todos estavam novamente em frente à lota, voltando a insultar e a agredir os funcionários. A PSP foi novamente chamada e voltou ao local e interveio para manter a ordem.
Paulo Lopes, do Sindicato dos Trabalhadores da Marinha Mercante, Agências de Viagens, Transitários e pesca, única estrutura sindical representativa dos trabalhadores da Lotaçor, manifestou-se indignado com as agressões aos três funcionários e defendeu que o agentes da Polícia de Segurança Pública deveriam ter “pulso mais firme e determinado” nestas situações em defesa dos agredidos.
“Exigimos que as autoridades de segurança ponham bastante zelo – tal como acontece nas cercas sanitárias – em agir contra estes autênticos actos de bandidagem”, afirmou Paulo Lopes ao Correio dos Açores. “É este mesmo o nome: actos de bandidagem que não são admissíveis num Estado de direito e em pleno século XXI”, repetiu.
Se os funcionários intercederem com uma acção em Tribunal contra o armador e seus familiares, terão o apoio jurídico necessário por parte da Lotaçor, apurou ainda o Correio dos Açores’.

                                              

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Autor: João Paz

Categorias: Regional

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