Devido à pandemia de Covid-19 o evento decorreu online

Com Carta Europeia dos Direitos dos Doentes em pano de fundo: Fórum de saúde preventiva e epigenética reúne especialistas

Decorreu, neste Abril, desde o passado dia 18 até ontem, o 1º Fórum Anual Europeu de Saúde Preventiva e Epigenética. Teve um total de cinco sessões, com cerca de quatro dezenas de intervenções, difundidas online, ao longo das quais os oradores, ligados a múltiplas ONG e a diversas organizações governamentais, originários de diversos países, partilharam e trouxeram a debate temas de relevo, no domínio da temática abordada e sustentados pelas suas próprias experiências pessoais e profissionais.
Tratou-se do primeiro grande evento transnacional realizado, a partir de Lisboa, pela AESEP – Associação Europeia de Saúde Preventiva e Educativa em Epigenética, com o qual esta organização assumiu o propósito de comemorar o 14º aniversário da “Carta Europeia do Direito dos Doentes” que, naquele dia 18, se comemorou. 
Este importante evento foi preparado, ao longo de vários meses, para ser realizado presencialmente, com uma dinâmica envolvente entre os credenciados palestrantes e o qualificado público convidado, mas a pandemia ditou as suas leis, tendo a organização e os palestrantes acordado na sua efectivação, mas no modelo de suporte digital e transmissão em plataforma dedicada.
O Correio dos Açores, no cumprimento do seu dever de informar, sobretudo quando estão em presença elevados princípios, sobretudo os que se relacionam com os  que a AESEP defende, nomeadamente os relativos à preservação da nossa saúde e, também, à preservação das melhores condições de habitabilidade da nossa casa “Terra”, decidiu associar-se àquela associação, no propósito de dar público relato do que, na óptica do relator e do interesse para os nossos leitores, de mais emergente importância se tratou neste destacado evento.  
Cumpre-nos agradecer à grande entusiasta da criação da entidade promotora do evento, a conceituada médica e dinâmica defensora do associativismo, no domínio dos Cuidados Paliativos, e Presidente da Assembleia Geral da AESEP,  Maria Teresa Flor de Lima, pela inestimável colaboração que nos prestou na cobertura jornalística deste evento, bem como a Paula Cristina Mouta, Presidente da Direcção da mesma Associação,  que distinguiu o Correio dos Açores com o estatuto de patrocinador deste transnacional Fórum Europeu que, pelos assuntos no mesmo abordados, se afirmou de inegável interesse no reforço da defesa de uma melhor saúde, bem como no crescente respeito pelos “Direitos dos Doentes”, desde há 14 anos  no nosso continente considerados e consignados na respectiva “Carta Europeia”.

Passo de gigante com o apoio do PE
Este 1º Fórum Europeu de Saúde e Epigenética, que ontem teve a sua conclusão, deixou desde já uma certeza: a partir de agora, passou a ser confiada à AESEP, com sede em Portugal continental, a celebração anual do “Dia Europeu dos Direitos dos Doentes”, que o calendário reporta a 18 de Abril, data de instituição da Carta que os consagra.
Como foi frisado no decurso dos trabalhos do Fórum, esta medida traduz o corolário de uma odisseia protagonizada pelas Presidentes Paula Cristina Mouta e Maria Teresa Flor de Lima quando, nos fóruns adequados, expuseram, consistente e publicamente, os seus objectivos de colaborar na sustentabilidade da saúde e do planeta, propósitos que viram ter o melhor dos acolhimentos ao obterem o apoio de estruturas do Parlamento Europeu, em Bruxelas. Foi um passo de gigante, pois fizeram a viagem de volta com a bagagem cheia de sonhos, com ideais altruístas a favor do bem-estar e da saúde de todos nós, portugueses, europeus e populações migrantes em livre circulação pela Europa. 
Animadas a prosseguir aqueles objectivos e, agora, mais confiantes, face à receptividade granjeada a favor dos seus propósitos, estas duas investigadoras, regressaram determinadas a pugnar pela mudança acerca da forma como se trabalha a educação em saúde virada para a prevenção. 
Assim, começaram por procurar, na sociedade civil, outros parceiros igualmente animados do propósito de vencerem os exigentes desafios que aquela mudança impunha, nomeadamente médicos, empresários, investigadores e educadores, como elas igualmente determinados na criação de uma organização que acolhesse os projectos em vista e os concretizasse, esforços que culminaram na criação da AESEP.

Compromisso, determinação 
e qualidade
No decorrer dos trabalhos ficou realçada a convicção de que, embora havendo ainda muito a conquistar quanto à concretização dos objectivos da Associação, já existe pelo menos uma certeza, a de que o caminho ora encetado é promissor, a determinação é forte e a equipa é de qualidade.
Uma outra certeza que deste fórum ficou foi a de que, em plena crise de saúde pública, cumpriu a sua principal missão, a de informar e educar em saúde, em todas as vertentes do ser humano, vertidas nos “Direitos dos Doentes”, inclusive o seu valor intrínseco como ser emocional e humanitário. Nestes dois últimos dias do Fórum – 28 e, ontem, 30 – conforme foi referido na abertura dos trabalhos pela Presidente da Direcção da Associação, para oradores, tal como aconteceu nas três anteriores sessões, foram convidados diversos profissionais que se destacam pelo seu pensamento e o seu percurso de trabalho. O primeiro da Terça-feira começou por trazer ao encontro um conteúdo rico de detalhes em áreas como “o apoio humanitário através do reforço da imunidade adaptável, estimulada pelos factores de transferência como medida profilática”, conforme, na sua explanação desenvolveu a Farmacêutica, Sofia Fonseca.
Depois foi Manuel Duque, ex-Director Financeiro da ATRAL-CIPRAN, que, no alcançado propósito de ligar a investigação com a saúde, fez uma sentida homenagem ao Comendador Sebastião Alves, um homem cujo centenário se comemoraria neste 25 de Abril, o qual deixou um grande legado à comunidade da Saúde, nomeadamente no apoio à investigação científica e na doação de vasta literatura relacionada precisamente com a saúde. O prelector acrescentou que o facto de Sebastião Alves ter sido um homem de avançada visão para a sua época, lhe valeu ter, pelos seus coevos, ficado conhecido como “o homem que trouxe o futuro” para a indústria farmacêutica, nomeadamente nos domínios da investigação científica e do desenvolvimento da farmacologia em Portugal.

Gestão da biologia no futuro 
da humanidade
O sociólogo Fernando Moura deu o seu contributo dissertando sobre «o valor da informação e da formação contínua como um recurso que deve prevalecer em todas as áreas profissionais, sobretudo naquela que veicula conteúdo sobre cuidados de saúde. Defendeu, na sua intervenção, que “o capital humano se torna valioso se o seu conteúdo educativo estiver de acordo com as funções desempenhadas em sociedade e na profissão de cada um». 
Foi depois a vez de  intervir o jornalista Diogo Oliveira Martins, responsável pelo Gabinete de Comunicação do Hospital de St. Louis de Lisboa e jornalista de investigação em saúde no “Observatório da Saúde dos Povos”, o qual demonstrou que «é urgente refletir que somos responsáveis pelas notícias que queremos ouvir e ler, precisamos ser selectivos na escolha da informação e de ser também o mais rigorosos possível na forma como queremos estar bem informados, com notícias fidedignas, orientadas para uma sociedade que tem de estar, cada vez mais, responsável por ser activa e participativa». A este propósito referiu ainda que a comunicação em saúde, é feita para aqueles que nada sabem sobre saúde e, por isso, «deve ser de fácil entendimento e estar focada na prevenção como principal veículo de orientação para uma saúde colectiva, em vez de informar morte e doença»!! Somos o que comemos, diz o jornalista e isso precisa de ser uma realidade nas nossas vidas, tendo a propósito apontado a plataforma digital da DGS, que disse ter informações valiosas sobre regras básicas de alimentação, numa iniciativa que conta com o apoio da Ordem dos Nutricionistas.
A empreendedora e professora universitária Jaqueline Silva, com o tema “Gestão da Biologia Humana no futuro da humanidade”, trouxe ao debate uma abordagem bastante curiosa. Confrontou o auditório com a possibilidade de termos, num futuro bem próximo, os “Super-Humanos”. Desenvolveu este conceito colocando questionando se “ao acontecer produzirmos seres dotados de capacidade extraordinária e geridos por programas de inteligência artificial, como poderemos proteger-nos de uma invasão à nossa privacidade? Quem vai gerir esses dados?” A Vice-diretora do Laboratório de Investigação em Sociedade (La Best), do Instituto Piaget de Almada, aguçou depois, como exercício, o pensamento de todos ao tentar esclarecer o como responder a este tipo de questões.

Longevidade com saúde é possível
O Ex Diretor Geral de Saúde e hoje Presidente da Cruz Vermelha portuguesa, Francisco George, defendendo o tema “Os Direitos dos Doentes em situação de crise pandémica”, admitiu que «perante a atual situação pandémica estamos deficientes de resistência auto-imune para enfrentar um vírus com esta capacidade», ao contrário do que acontece com o vírus da gripe, o qual todos reconhecemos desde há cinco gerações passadas e ao mesmo nos fomos adaptando, criando anticorpos de resistência. Afirmou ainda que, em Portugal, se estão a tomar todas as medidas consideradas certas. No entanto, não descartou a opinião sobre «a grande urgência em termos boa informação, para acautelar todos os direitos dos cidadãos, doentes e dos que podem criar melhor saúde, mais resistência e fazerem a construção de mais qualidade de vida».
Já no campo da imunidade biológica, o nutricionista Humberto Barbosa, da Clínica do Tempo, na abordagem ao tema “A longevidade ao alcance de todos – uma prática preventiva”, afirmou «ser possível construir longevidade, com saúde prolongada e contínua, ao longo da vida de cada cidadão». Basta, para isso, acrescentou, compreender que «o segredo passa apenas por sermos capazes de ter uma vida equilibrada, com uma alimentação saudável, praticar exercício físico, controlar o impacto do stress e ter boa saúde emocional».
A Psicóloga de Cabo Verde, Directora organizacional da UNITEL e Embaixadora da AESEP naquele país, Ricardina Andrade, propôs-se, na sua apresentação, transmitir que, «entre as organizações, não podem existir fronteiras na forma de comunicar saúde e paz emocional aos colaboradores». Que «se torna vital existirem modelos de liderança direccionados aos aspectos emocionais e relacionais». Acrescentou ainda que só desta forma será possível minimizar o impacto da doença na vida e no funcionamento das empresas. Ressalvou, contudo, ainda ser preciso criar empresas cada vez mais ecológicas e sustentáveis, até mesmo na forma como se trata a doença e se preserva a saúde, porquanto essa é «a Paz verdadeira». 

Cidadania melhora com educação 
para asaúde
E foi também com esta visão de inclusão que o educador e escritor, Jorge Rio Cardoso, através da sua participação, transmitiu ao auditório a sua convicção de que «a informação e a educação em saúde são aspectos que devem ser tratados de forma positiva e inclusiva, considerando o bem-estar geral divulgado pela OMS». Como autor de muitos livros sobre o ensino do futuro, deixou, nesta apresentação, a sua própria visão de que «educar em saúde é construir para uma melhor cidadania e para uma maior consciência de sustentabilidade que deve existir entre nós e o meio onde vivemos e que, através dessa responsabilidade colectiva, podemos ter um futuro com um equilíbrio patrimonial de inteligência emocional».
A enfermeira Ana Cristina, Coordenadora de Internamento Hospitalar, defendeu que, em tempo de pandemia, há que fazer prevalecer a administração e a economia, a par da saúde com amor e com atenção, apontando este como «o formato mais humanizado para construir saúde, quando se está a cuidar da doença, porque o caminho passa precisamente por gerir a vida humana com amor e por amor».

Concentrar esforços na resiliência humana
O encerramento deste Fórum realizou-se no jardim do Hospital de St. Louis de Lisboa, onde está sediado o “Observatório da Saúde dos Povos”, que é um projeto de investigação em sociedade e saúde epigenética. Trata-se de um projecto criado e desenvolvido pela AESEP, o qual tem como originária autora física a Paula Mouta, que dirige a USPE-Unidade de Saúde Preventiva em Epigenética, a primeira de Portugal em contexto hospitalar privado. 
Foi, porém salvaguardado que, ali, todos os Sócios Fundadores da ASEP, juntamente com o Hospital e com o apoio do LaBest do Instituto Piaget de Almada, são parte integrante e activamente empenhada no desenvolvimento daquele projeto de investigação, como seus co-autores. 
Nesta sessão de encerramento participou Maria Clara Pinto, Diretora Geral do Hospital de St Louis, o qual tem nas suas memórias «uma trajetória de construção em saúde ao serviço da vida, o lema da instituição desde há cerca de 160 anos. Foi na ocasião pela mesma dado a conhecer que, no acervo histórico deste Hospital, existem interessantes registos, nomeadamente dos poetas Almada Negreiros e Fernando Pessoa. 
Clara Pinto destacou nesta sessão “ser na proximidade com o doente que reside o segredo e o sucesso de uma instituição com tantos anos ao serviço da saúde pública, mas que a inovação é primordial para acompanhar a evolução dos tempos. Assim disse ter sucedido com o pioneirismo da embolização de tumores da próstata, pelo Professor Martins Pisco e, este ano, com a criação da mais recente Unidade de Saúde Preventiva em Epigenética, sob a Direcção dePaula Mouta”.
Como forma de finalizar esta celebração em Portugal sobre “A Carta Europeia dos Direitos Dos Doentes”, Paula Mouta e Maria Teresa Flor de Lima, as Presidentes da AESEP, deixaram ao universo de intervenientes este pensamento como reflexão:
“Precisamos pensar «Educar em Saúde para uma cidadania consciente, sustentável, preventiva e ativa, através de medidas que reduzam o impacto de complicações». Em tempo de crise mundial com a pandemia SARS-CoV-2 e Covid-19, tratar cada pessoa é avaliar de maneira integral e personalizada, com atenção a fatores de risco, fazendo os cidadãos focar e concentrar os seus esforços e conhecimentos na resiliência humana, que é a tal capacidade inata de cada um em se superar perante as adversidades! E no amor, porque só o Amor nos pode salvar!”
            

José Nunes

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Autor: CA

Categorias: Regional

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