1 de maio de 2020

100 anos - 100 páginas

1- Há 100 anos, José Bruno Tavares Carreiro e Francisco Luís Tavares decidiram fundar o jornal Correio dos Açores. No mesmo ano, Francisco Luís Tavares criou a empresa de transportes marítimos “Carregadores Açoreanos”, com o objectivo de ligar os Açores ao mundo por via marítima, no transporte de mercadorias e passageiros.
2- Vivia-se o rescaldo da 1ª Grande Guerra, provocada pelas potências europeias e pela gula dos impérios por elas formados. 
3- Em 1918 foi assinado o armistício de uma guerra que deixou 10 milhões de mortos e 20 milhões de feridos. 
4- Com as populações atormentadas pelo roncar das armas e com a economia exaurida, entra em cena a gripe espanhola, que até 1920 infectou cerca de 500 milhões de pessoas e calcula-se que tenha ceifado a vida a cerca de 50 milhões em todo o mundo. O vírus dessa pandemia era o  influenzavirus H1N1.
5- Foi no meio da carestia causada pela guerra e pela pandemia, que o Correio dos Açores aparece no centro de toda uma tempestade política, social e económica, apresentando-se como um jornal apostado em defender causas e apoiar a Autonomia.  
6- Hoje, 1 de Maio de 2020, o Correio dos Açores celebra o centenário da sua fundação no meio de outra pandemia global, sem as consequências humanas de outrora, mas com uma devastação económica que atinge todos e, mais uma vez, devido à gula dos imperialismos que não tiveram em conta o equilíbrio do nosso ecossistema e, quiçá, pelo descuido humano quanto à manipulação genética, sempre na ânsia de buscar mais e mais.
7- As medidas de emergência deixaram as famílias apartadas, os afectos congelados, as ruas desertas de vida e sem alma, a economia paralisada, os investimentos erigidos em função da procura a desmoronarem-se, os doentes a escusarem ir aos centros de Saúde e aos hospitais, o desemprego a aflorar, os excluídos a aumentar, e a pobreza a engrossar.
8- Este é o cenário que se vive em 2020 nos Açores e nos países que foram, e são, afectados pela pandemia nascida na China e espalhada pelo mundo, tal como aconteceu à sua influência económica e financeira, geradora de dependências, que esperamos ver corrigidas no desenhar da nova configuração do modelo social e económico pós pandemia.
9- O jornal Correio dos Açores nasceu num período de incerteza, que contou com a afoiteza dos seus fundadores, perspectivando o papel que lhe caberia no futuro.
10- Tal como há um século, o jornal Correio dos Açores defronta-se agora com uma sociedade amedrontada. Mas este é o tempo de calcular os excessos e a vertigem que formatou as duas décadas deste milénio, e redireccionar a bússola do futuro na busca do equilíbrio que faltou nas lideranças dos países, e nos consequentes comportamentos sociais, económicos e culturais.
11-  São precisas novas políticas, aproveitando a valorização e o saber dos nossos recursos humanos, na investigação, em todos os sectores da produção, no comércio e nos serviços. Somos capazes. Somos tão bons como os demais. 
12- Temos combates a fazer, como o uso e abuso da notícia falsa, despida de racionalidade, que ludibria e intoxica. 
13- Apesar da facilidade de acesso a toda a informação disponível online, os jornais são peças fundamentais para o equilíbrio e sustentação do regime democrático. Não é possível atribuir esse papel às redes sociais, que têm a função de interagir, mas não de informar. Somos História e fazemos história, e precisamos de causas novas no tempo novo que vai vir.
14- Chegamos aos 100 anos com sacrifício, mas orgulhosos pelo caminho percorrido. Valeu a pena, e nessa caminhada contam os nossos trabalhadores, os nossos assinantes, os nossos colaboradores e todos os nossos clientes que apostaram no trabalho que fazemos e acreditaram no retorno que oferecemos. Não esquecemos o contributo das entidades oficiais.
15- Vamos iniciar um novo século cogitando sempre o novo dia que sucede a cada dia, pensando nas pessoas que nos lêem e que esperam de nós verdade, pluralismo e isenção.
16- Reafirmamo-nos como um jornal de causas, e a nossa razão de ser é dar voz a quem precisa e servir os Açores e os Açoreanos. 

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Categorias: Editorial

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