Dia Mundial da Higiene das Mãos assinala-se hoje

“Com a Covid-19 veio ser realçada ainda mais a importância de higienizar as mãos também a nível particular”

Assinala-se hoje o Dia Mundial da Higiene das Mãos. O Hospital do Divino Espírito Santo (HDES) costuma assinalar este dia, mas este ano os contornos são diferentes. Está prevista alguma actividade para assinalar este dia no HDES?
Maria Inês Leite (Responsável pelo Grupo Coordenador Local - Programa de Prevenção e Controlo de Infecções e de Resistências aos Antimicrobianos) – Noutros anos temos feito actividades que envolvem a população em geral através dos doentes, das visitas que nesse dia vão ao Hospital, e temos tido acções de sensibilização, com demonstrações. Atendendo à conjuntura actual e à situação em que nos encontramos, e tendo em conta o Plano de Contingência por causa da Covid-19, a deslocação de doentes ao Hospital é diminuta, acompanhantes e visitas não estão autorizados, este ano o papel é menos interventivo do ponto de vista prático. 
Mas fizemos um cartaz alusivo ao Dia Mundial da Higiene das Mãos, e este ano, devido ao facto da Organização Mundial de Saúde (OMS) ter declarado 2020 como Ano Internacional de Enfermeiras e Parteiras vamos associar as duas situações. Assim, fizemos um cartaz que vamos colocar no Hospital, quer na entrada principal quer em alguns pontos estratégicos do Hospital, com a mensagem para este dia. Vamos assinalar o dia a título informativo com cartazes que explicam e chamam a atenção para a importância da higiene das mãos.

Que é uma das medidas de prevenção que mais se tem ouvido, quando começou a pandemia da Covid-19. É efectivamente uma boa arma para lutarmos, não só contra este vírus, mas também contra outros vírus e bactérias?
Sem dúvida. A higiene das mãos não é uma coisa recente e acompanha a história antiga da Medicina, talvez desde o século XVII e XVIII, em que foi-se descobrindo que as infecções eram criadas e transmitidas através da falta de higienização das mãos. A Organização Mundial de Saúde já criou até as precauções básicas dos cuidados de controlo de infecção, das quais a higienização das mãos faz parte. 
Não é algo recente, e todos nós mesmo sem sermos técnicos de saúde, temos a noção que uma boa higiene das mãos evita a transmissão de infecções, por bactérias, por fungos e vírus. E não só pela Covid-19. Está mais do que provado que lavar as mãos com água e sabão impede em 40% a incidência de transmissão de infecções, bacterianas, fúngicas, víricas. Portanto, este conhecimento já existia muito antes da Covid-19. 
E ao nível das instalações hospitalares, já existia todo um procedimento e todo um controlo, em relação à higiene das mãos. Havia inclusive os cinco momentos de higienização das mãos que todos nós, técnicos de saúde, fazíamos: antes de contactar com o doente, depois de lidar com o doente, antes de fazer um procedimento invasivo, após contacto com fluidos corporais, depois de contactar com o meio ambiente envolvente do doente, tínhamos sempre de higienizar as mãos. 
Com a Covid-19, veio ser realçada ainda mais a importância de higienizar as mãos porque não é só em ambiente hospitalar mas sim a nível particular e fora das instituições de saúde. Realmente, pela primeira vez, está-se a estender esta técnica à população em geral, porque a população em geral também se contagia. E principalmente associada à Covid-19, quando temos doentes que até são assintomáticos que por acaso quando fazem o teste vemos que são portadores, e transmitem a doença mas que são assintomáticos, se não tivermos estes cuidados de higienização das mãos entre as pessoas e na nossa conduta diária, vamos fazer com que a doença se propague.
Acho que é importantíssimo, nesta altura, falarmos e ensinarmos como fazer uma boa higienização das mãos. Desde ensinar as crianças pequeninas nas escolas, que a higiene das mãos é importantíssima e não só com os doentes. Em casa, antes de mexer nos alimentos, depois de mexer em resíduos, depois de ir à casa de banho, depois da higiene respiratória (de assoar o nariz, espirrar ou tossir), quem lida com crianças depois de mudar as fraldas, quem tem animais domésticos depois de lidar com eles, pelo menos nestes momentos é obrigatório fazer uma boa higienização das mãos. E quem tem doentes em casa, pessoas acamadas, ainda é mais importante. 
Acho que pela primeira vez a nível mundial, está a haver uma grande consciencialização não só nas instituições hospitalares mas também fora delas, da importância para a higienização das mãos e o quanto ela pode salvar vidas. Que é o lema do cartaz: “salve vidas, higienizando as suas mãos”. 

É uma técnica que deve ficar para a vida e deve ser interiorizada para se manter depois da pandemia?
Sim, é uma técnica fundamental. A Higienização das mãos não impede só o contágio da Covid-19 mas impede 40% da disseminação e incidência de infecções. E já há muitos anos que a nível de instituições de saúde estas práticas estavam interiorizadas. Mas essa importância da higienização das mãos está a entrar na casa de cada um e isso também é uma questão de educação social. Temos de começar pelas crianças. E vemos que as crianças aderem muito rapidamente a essas situações, e já sabem que têm de desinfectar as mãos e já aprenderam a própria técnica de lavar as mãos. Não é pôr as mãos debaixo de água, isso não é higienizar as mãos. As mãos devem ser lavadas durante um minuto, esfregadas e ir a toda a mão, entre os dedos e até aos pulsos. Só assim é que é considerada uma boa lavagem das mãos. 
Por isso acho que é muito importante este dia. E não é por acaso que é atribuído um dia à Higiene das Mãos, é porque é um dia demasiado importante. Relembrar às pessoas e tentar incutir que isto não se deve fazer apenas devido à Covid-19, é transversal a todas as doenças infecto-contagiosas. Com uma melhor lavagem das mãos e com a nossa melhor actuação, podemos evitar o contágio de muitas outras doenças infecto-contagiosas. Agora a Covid-19 é a que mais se fala, mas existem muitas outras doenças que também matam e cujo tratamento das infecções custa muito dinheiro aos doentes e às instituições de saúde. 

Falou em estudos que evidenciam que a lavagem das mãos com água e sabão impede em 40% a incidência de transmissão de infecções. O ideal é efectivamente a água e sabão ou também se deve passar depois o álcool gel ou gel desinfectante?
São alternativas. Quando estamos, por exemplo em casa, água e sabão é o melhor. Quando temos disponível água, sabão e um toalhete de papel para limpar as mãos, lavar as mãos é o ideal. O álcool gel é uma alternativa sempre que não temos disponível a água e sabão.
Quando estamos a usar o gel desinfectante, se tivermos as mãos sujas até as podemos desinfectar mas elas continuam sujas. Se temos sujidade nas mãos e se passamos com álcool isso não vai higienizar as mãos. A melhor forma de higienizar é com água e sabão. Caso não se tenha água e sabão por perto, então podemos usar em alternativa o gel desinfectante ou o álcool. 

         

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Autor: Carla Dias

Categorias: Regional

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