Arnaldo Machado, Presidente da Associação Nonagon

“Temos actuado de forma a contribuir para a digitalização da economia e ajudar a ultrapassar esta pandemia”

 Correio dos Açores - Que ambiente se vive no Parque de Ciência e Tecnologia de São Miguel?
Arnaldo Machado (Presidente do Conselho de Administração da Associação Nonagon) - Desde que anunciada nos Açores a situação de contingência, e logo de seguida o estado de emergência a nível nacional, o Parque de Ciência e Tecnologia, uma infra-estrutura que envolve cerca de 200 pessoas, passou rapidamente a ter os seus corredores quase sem qualquer movimento, tendo sido premente a decisão, por parte das entidades instaladas, de transferirem a sua actividade para a modalidade de teletrabalho.

Foi uma transição fácil?
Claro que uma situação de teletrabalho não se pode comparar às condições de trabalho proporcionadas por uma infra-estrutura como o Parque de Ciência e Tecnologia de São Miguel e ao conforto existente em cada espaço empresarial para o desenvolvimento das respectivas funções mas, felizmente, tendo o Nonagon como core business as Tecnologias de Informação e Comunicação, tornou-se relativamente simples para as 28 empresas, entre PME’s e start-ups, ao contrário do que provavelmente terá acontecido com outras áreas de negócio, darem continuidade ao desenvolvimento dos seus projectos.

Que medidas de apoio foram adoptadas para as empresas sedeadas no Nonagon?
O Governo dos Açores, face às consequências originadas pela pandemia de Covid-19, já aprovou um conjunto alargado de medidas extraordinárias que complementam e reforçam, na Região, o alcance das medidas económicas nacionais implementadas pelo Governo da República.
No que diz respeito ao Nonagon e também ao Terinov, Parque de Ciência e Tecnologia da Ilha Terceira, o Governo dos Açores determinou a isenção do pagamento às empresas e associações pela utilização dos espaços localizados nos parques de ciência e tecnologia da Região, nos meses de Abril, Maio e Junho.

Como está a funcionar a Associação Nonagon enquanto entidade gestora?
A Associação Nonagon, com a maior celeridade possível e com os recursos disponíveis, teve de se adaptar às circunstâncias decorrentes da actual pandemia. 
Também toda a equipa do Nonagon transferiu a sua actividade para a modalidade de teletrabalho prestando, através do contacto telefónico e por intermédio de instrumentos tecnológicos, todo o apoio necessário à comunidade empresarial. 
Desde a sua inauguração, que o Nonagon tem vindo a realizar inúmeras iniciativas, de carácter presencial, em prol da promoção do empreendedorismo e da inovação, algumas das quais com notoriedade e reconhecido impacto junto do tecido empresarial. Por força das circunstâncias, muitos dos eventos agendados para este ano tiveram de ser cancelados e/ou adiados. 

De que forma, o cenário actual de pandemia mudou os vossos objectivos estratégicos para este ano?
Para que fosse possível continuarmos a nossa actividade com uma dinâmica adequada, temos vindo a realizar webinares, sobre diversas temáticas com inegável interesse para as empresas regionais. 
Seguindo as tendências digitais, a Associação Nonagon criou, no ano transacto, a Think Tech, uma revista online que pretende partilhar informações e conhecimento em torno das temáticas do empreendedorismo, ciência, tecnologia e inovação. A 4.ª edição, lançada este mês de Maio, aborda precisamente uma temática de particular relevância para o desenvolvimento do tecido empresarial e da sociedade: a investigação científica.
Estas iniciativas proporcionam, nesta fase, uma maior proximidade com o meio empresarial e, de forma mais lata, com a comunidade em geral, contribuindo igualmente para promover a interacção entre empresas, centros de conhecimento e entidades públicas.
Foi igualmente reforçada a presença da Associação Nonagon nas diversas redes sociais, com a partilha de conteúdos relacionados com as nossas áreas de intervenção.
A Associação Nonagon tem procurado assim dar continuidade ao cumprimento dos seus objectivos estratégicos, actuando de forma a contribuir para aquela que será, com certeza, uma das soluções para ultrapassarmos os desafios com que estamos confrontados nesta pandemia: a digitalização da economia.

De que webinares estamos a falar? É algo que pretendem continuar a dinamizar?
Começámos, ou não fosse essa uma necessidade amplamente sentida, com um webinar que visou apresentar e prestar esclarecimentos acerca das diversas medidas de apoio às empresas, de carácter extraordinário, criadas pelo Governo da República, e complementadas com incentivos adicionais por parte do Governo dos Açores, devido à situação decorrente da Covid-19. 
O segundo webinar, realizado em cooperação com a COTEC Portugal - Associação Empresarial para a Inovação, pretendeu sensibilizar as empresas para a utilidade da ferramenta THEIA – TechnologicalandHolisticEngagement for Industry 4.0 Assessment, que constitui um modelo de avaliação da maturidade, ao nível da inovação digital, permitindo avaliar a preparação de uma empresa para identificar oportunidades e planear os seus consequentes investimentos. 
“Trabalho 5.0: Gestão de pessoas no amanhã”, webinar que contou com um vasto número de participantes, alertou, com a colaboração do Psicólogo Pedro Almeida Maia, para o contributo da Psicologia Organizacional nos desafios de hoje, os riscos psicossociais, competências do teletrabalho, a atracção e a retenção de talento e a gestão das emoções.
É uma iniciativa que tem vindo a ter resultados muito positivos, portanto, é nossa intenção, independente do estado de pandemia, darmos continuidade a este tipo de actividades procurando partilhar com o sector empresarial temáticas de particular interesse para o desenvolvimento das suas actividades.

C.A.


 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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