Há 58 casos positivos activos na Região

Número de recuperados já é superior aos infectados e o risco de transmissibilidade do vírus baixou consideravelmente

Já são 71 os recuperados da infecção pelo novo coronavírus na Região, enquanto os infectados são agora 58. É no concelho do Nordeste que ainda se regista o maior número de casos positivos (30), que conta também com 11 mortes associadas ao lar da Santa Casa da Misericórdia, mas onde já se registam também 13 recuperados. É o segundo maior número de recuperados na Região, já que é no concelho de Ponta Delgada que se registam 23 recuperados. Em Ponta Delgada, onde se registaram três mortes, há agora 9 casos positivos activos. 
Com os novos casos de recuperados, a Madalena do Pico fica agora sem casos positivos activos e no Faial registou-se ontem o primeiro caso de recuperação.
Durante a conferência de imprensa diária para o ponto de situação, a Autoridade Regional de Saúde afirmou que o risco de transmissibilidade do vírus, o chamado R 0, baixou consideravelmente desde o início do surto na Região. 
O máximo de R que se registou nos Açores foi de 1,7, sendo que quando começaram a ser ponderadas as medidas de desconfinamento e com a auscultação pública aos parceiros esse risco de transmissibilidade era de 0,46. “Bem abaixo do que seria previsível. Muito por via do que foram as medidas de contenção e restrição e de planeamento feito para o combate à pandemia”, explicou Tiago Lopes. Ou seja, um caso positivo não teria a possibilidade de infectar outro indivíduo e foi com base no acompanhamento dessa evolução de risco de transmissibilidade que foram anunciadas as medidas de flexibilização, de forma faseada, em todas as ilhas. 
Actualmente, o R 0 é de 0,39 o que corrobora a fase descendente da evolução do surto no arquipélago, quando a nível nacional esse risco de transmissibilidade era há cinco dias de 0,92. 
Apesar do risco de transmissão do vírus ser agora mais diminuto e de o surto estar numa curva descendente, Tiago Lopes mantém cautelas e lembra que uma segunda vaga pode surgir já que o comportamento do vírus “é singular e desconhecido”. Ou seja, Tiago Lopes lembra que a curva descendente pode não chegar ao fim e a Região pode passar no imediato para uma segunda vaga e “é essa a preocupação que temos de ter. Não quer dizer que seja sempre a descer, mas não nos podemos iludir”. 
A Autoridade Regional de Saúde alertou que nas próximas semanas e meses “não vamos viver tempos fáceis nesta nova normalidade e o inimigo vai estar sempre à espreita e é um inimigo oportunista. Estando em circulação, em interacção e maior liberdade corremos o risco de ficar mais susceptíveis”. 
Quarentenas pagas 
por não residentes
Até porque os primeiros casos de infecção por Covid-19 forma “casos importados” e a partir das zero horas de hoje, os não residentes que cheguem aos Açores vão continuar a ter de fazer quarentena em unidades hoteleiras com a particularidade de terem de pagar a estadia durante esse período, ao contrário do que acontece agora em que o Governo Regional assegura essa estadia para residentes e não residentes. 
Para isso, e reconhecendo o aumento das ligações aéreas do exterior com o arquipélago, vai aumentar o número de hotéis requisitados pela Região através de protocolo entre a Secretaria da Saúde e a Secretaria do Turismo para assegurar que os não residentes fiquem concentrados em locais que ficarão vigiados obrigando a que cumpram a quarentena obrigatória. “É uma medida importante e estrategicamente pertinente para continuarmos o combate à pandemia”, assegurou Tiago Lopes que referiu que também foi solicitada a cooperação das forças de segurança para que se consiga manter a estratégia adoptada pela Região até agora. 
Estratégia que vai manter-se pelo menos até 31 de Maio, merecendo uma avaliação constante consoante a evolução do surto.  Até porque, reconheceu Tiago Lopes, apesar do regresso à normalidade possível, aproxima-se a época de Verão e “irá haver bastante revolta, descontentamento, incompreensão, não-aceitação, mas que teremos de conviver, adaptar e de nos ajustar a esta nova realidade”, explicou. 
            

Hospital de Ponta Delgada tem liberdade para realizar testes aos profissionais que o solicitem 

A Autoridade Regional de Saúde alerta que os profissionais de saúde do Hospital do Divino Espírito Santo (HDES) de Ponta Delgada que se encontram ao serviço já forma todos testados e o rastreio introduzido no hospital já foi concluído. No entanto, Tiago Lopes recorda que o HDES sofreu grandes constrangimentos e reorganizações de equipas e serviços por via da cadeia de transmissão que ali se propagou. O que implicou que alguns profissionais tiveram de ser deslocados para outros serviços que não os seus de origem, nomeadamente para as áreas específicas para atendimento de doentes Covid-19, ou tivessem ficado de quarentena em casa ou por estarem a fazer “equipas espelho”. 
Neste sentido, Tiago Lopes referiu que dentro “dessa nova reorganização que está a ser feita, poderá haver uma mescla de profissionais que poderão ter ficado afectados que agora entrando noutro serviço terão de ser testados, ou que já foram testados há algum tempo e que necessitam de ser novamente testados. Se estavam inseridos em espelho e agora sendo destacados para outros serviços”, poderão ter de vir a ser testados novamente.
A Autoridade Regional de Saúde explica que nesse sentido, foi dada indicação a todos os responsáveis do HDES para, “para além do rastreio realizado a profissionais e utentes, tenham liberdade para poder decidir sobre a realização de testes de despiste de infecção”, caso algum profissional considere que existem critérios para ser testado. “Deverá dirigir-se às suas chefias para ver atendido esse direito”, afirmou Tiago Lopes que considerou que serão casos pontuais. 
Juntas de freguesia podem 
ter “boa vontade”
A propósito de algumas Juntas de Freguesia que estão a distribuir aos seus munícipes máscaras sociais, enquanto as máscaras anunciadas pelo Governo Regional ainda não chegaram a todos, e que poderão não estar certificadas, a Autoridade Regional de Saúde alerta que “se as máscaras não estão a ser comercializadas a questão da certificação não se coloca”. Sendo que a certificação é uma forma de garantir que quem comercializa as máscaras sociais está a cumprir com os requisitos de segurança. 
Tiago Lopes referiu que “se está a existir essa abertura e boa vontade das freguesias e das Câmaras de colaborarem junto das comunidades a que assistem, é de saudar a iniciativa, desde que estejam salvaguardadas todas as condições para o efeito. Da minha parte não tenho qualquer aspecto a referir a essa iniciativa, desde que estejam a ser cumpridas todas as orientações que a Direcção Regional da Saúde tem emitido”, explicou. 

Festivais não são prioridade
A propósito dos festivais de Verão que se realizam um pouco por todas as ilhas, e que a nível nacional ficam proibidos até 30 de Setembro, Tiago Lopes diz que para já a Região está a ponderar o alívio de algumas medidas implementadas ao longo das últimas semanas. Mas o aglomerado de pessoas não é recomendado no momento, mas “não quer dizer que a partir de 31 de Maio não existam outras medidas”. Ou seja, não implica que “até ao final da época estival possamos ter outro tipo de abertura. Mas para já não existe essa perspectiva”, explicou. 

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Autor: Carla Dias

Categorias: Regional

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