Sónia Furtado Pereira

“A fotografia tem sido para mim uma verdadeira paixão nos últimos sete anos”


Correio dos Açores - Como aparece a fotografia na sua vida?
Sónia Furtado Ferreira - Sendo filha de fotografo profissional, desde que me lembre, a fotografia esteve sempre presente no dia a dia da minha vida. 

Então teve desde muito cedo uma máquina fotográfica…
A minha primeira máquina fotográfica ainda foi analógica e era uma Fm2 Nikon. Foi-me entregue pelo meu pai, quando eu tinha 19 anos, altura em que comecei a trabalhar na área da fotografia.

Considera que tirar fotos é ainda 
importante nos dias de hoje?
Na minha opinião sim, pois o registo fotográfico é o que vai ficar para as futuras gerações, as recordações de momentos passados em família, o registo dos nossos filhos enquanto pequeninos, são histórias que se contam através da fotografia.

Qual é a função do fotógrafo?
Pretendo que a minha função seja como que um contar a história de cada família. No meu caso, é registar desde o casamento, passando pela gravidez e pelos primeiros dias de vida dos seus bebés e ir fazendo o acompanhamento e registando o crescimento das suas famílias, ou seja guardar a memória dos momentos que sei que no futuro vão trazer boas recordações.

Qual a diferença de uma fotografia em aguarela?
A fotografia em aguarela é apenas um efeito fotográfico que fazemos nas fotos e que surte muito bem e é muito apreciado a nível da qualidade.

No seu entender, o que é preciso para se captar uma boa imagem?
Luz, ter a luz certa é muito importante, assim como objecto e composição, tendo este domínio já conseguimos alcançar uma boa imagem. Depois é passar uma mensagem através da fotografia, porque boas fotografias para mim são aquelas que nos tocam, mexem com as nossas emoções.

A fotografia é uma paixão ou apenas uma profissão?
A fotografia para mim começou como profissão confesso, mas nos últimos 7 anos, tem sido uma verdadeira paixão. Nestes anos consegui dedicar-me a uma área na fotografia que me dá muito prazer que é fotografar os recém-nascidos.

Como aparece o “Vintage Studio”?
Trabalho na área de fotografia desde os meus 19 anos e nesta altura o que eu fazia era diferente do que faço agora e foi o que fez que no decorrer do tempo eu perdesse o encanto pela fotografia. Até que há 10 anos atrás, depois do nascimento da minha primeira filha, tive um despertar para fotografias de bebés, e comecei por fotografar a minha filha, e a fotografia voltou a fazer sentido para mim.
Depois em 2013, tive a oportunidade de fazer formação na área de recém-nascido o que estava a começar em Portugal. Foi aí que nasceu o Vintage Studio, um projeto com um conceito diferente de fotografia, num espaço pensado cuidadosamente para receber bebés de tão tenra idade, e desde então tenho feito várias formações nesta área.

De que trata o movimento #oamornaofazquarentena?
Este é um movimento criado no nosso país pelo conjunto de fotógrafos de família, que visa ajudar as nossas famílias a terem momentos especiais, mesmo que à distância, pelo que não faz quarentena .Este movimento visa manter uma presença positiva dos fotógrafos junto dos seus clientes, numa altura em que é imperativo o distanciamento/ isolamento social. O nosso grupo de profissionais de imagem pretende, que seja um excelente recurso para as famílias registarem a história que estão a viver nas suas casas. Porque estamos a viver História. E foi criada uma página de Instagram e um grupo de facebook onde são lançados temas e dicas para as famílias fotografarem seu dia-a-dia em casa.

Há necessidade de formação específica para ser um bom fotógrafo?
Sim na minha área para se ser um bom fotógrafo tem de haver formação a formação, o que é imprescindível nos dias de hoje.

Lembr qual foi a primeira imagem que captou?
Sinceramente não me lembro! Já foi há muito tempo … 
E qual a  melhor imagem que já captou  até hoje?
Quanto à melhor imagem não sei … diz-se que o fotógrafo anda sempre em busca da foto perfeita e eu identifico-me com isso porque ando sempre a tentar alcança-la, e tenho muitas fotos que gosto mas, com o passar do tempo, vejo que se calhar não estão perfeitas, é a busca permanente pela perfeição … Contudo, as minhas melhores imagens são aquelas que transmitem emoções, e não há nada mais gratificante que apresentar o nosso trabalho ao cliente e ele mostrar esta Emoção ao recebê-las, aí sim, a fotografia até pode não estar perfeita mas considero que é a melhor foto.

É preciso sensibilidade artística para se ser bom fotógrafo?
Sim, sem dúvida alguma, é preciso ter alguma sensibilidade artística para se ser um bom fotógrafo e saber transmitir sentimentos que perdurem.

Que influências artísticas mais interferem na sua criatividade?
Tenho como inspiração vários fotógrafos nacionais e internacionais, colegas que tenho grande apreço pelo trabalho e que me servem muitas vezes de referência. De resto, acho que nos fotógrafos e, falo por mim, às vezes tenho inspirações nas coisas mais básicas e que fazem parte do dia-a-dia , como objectos flores, etc, eu olho e dá-se um click.

Para si qual das nossas paisagens açorianas te dão prazer fotografar?
Adoro fotografar na zona circundante à Lagoa das Furnas é dos meus locais preferidos, mas tem que ter sempre o elemento humano, pois só assim faz sentido para mim…

O que mais a fascina na fotografia?
Fotografar é imortalizar um momento único ao qual não se pode voltar mais, senão por daquele registo. E no caso da fotografia de recém-nascidos registar este momento que passa muito rápido, fascina-me!
Preferes captar pessoas ou paisagens?
Pessoas sem dúvida, gosto da emoção, dos sentimentos, dos afectos! Eu não sou fotógrafa de paisagens.

Como é que um fotógrafo vive a sua quarentena?
Viver em isolamento social quando se gosta muito de estar com pessoas, fotografar pessoas não é fácil … mas aproveitei este momento para investir na minha formação desta vez em casa não tenho de sair de S. Miguel. Como o “ Clik” me faz muita falta estou a tirar o máximo de partido para fotografar os meus filhos que estão a crescer muito rápido, e o melhor da quarentena é poder estar mais presente para eles.
                               

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