10 de maio de 2020

Entre a vida e a morte

 1- Quando se comemora os 75 anos da rendição da Alemanha nazi que pôs termo à II Guerra Mundial, e os 70 anos da “Declaração de Schuman” que abriu caminho à União Europeia que hoje somos, a Alemanha volta a ser notícia porque o Tribunal Constitucional Alemão quer condicionar as políticas de compra de activos do Banco Central Europeu aos países da zona euro.
2- O Tribunal Europeu, que é a entidade com poder de decisão sobre matérias do Tratado da União, quando ouvido, deu parecer favorável.
3- Pensava-se que o Tribunal Constitucional Alemão pudesse, neste período em que se assinala a rendição do país, viesse propor o pagamento pela Alemanha  da enorme dívida que nunca pagou aos seus credores depois da guerra. Mas não, sobre isso nem um suspiro!
4- A manter-se o braço de ferro entre o Tribunal Constitucional e o BCE, está aberto o caminho para o fim da Zona Euro, da qual a Alemanha foi a grande beneficiada.
5- Já não bastava a cruz que representa, em termos globais, a pandemia que semeou pavor, obrigando ao encerramento de parte importante do sector económico e semeando a carestia em muitos lares da nossa Região.
6- Os cidadãos aceitaram resignados as duras medidas impostas, porque estava em causa garantir a saúde e só depois cuidar da retoma necessária para gerar proventos para alimentar a rede de serviços públicos, sobretudo  a saúde, a educação, o investimento, e garantir rendimento às famílias e às empresas.
7- Entramos na fase de contingência e de desconfinamento faseado, com restrições várias, a manter ou aliviar, consoante a evolução permita. 
8- Mas, há três questões a ter em conta quanto à gestão das medidas tomadas para conter a pandemia. 
9- Uma respeita às medidas para a contenção da propagação do vírus, que só não tiveram 100% de êxito devido à importação do exterior. 
10- Outra foi a gestão, ou falta dela, relativamente à linha de contágio no Hospital do Divino Espírito Santo, e no Lar de Nordeste. Aqui faltou coordenação e sobretudo acção atempada.
11- Há ainda a considerar a incongruência que resulta, por exemplo, quanto ao uso das máscaras, que de justificadamente desaconselhadas, passaram depois a facultativas, para dois dias depois serem de uso obrigatório. Passa-se do oito para o oitenta sem qualquer base sustentável e formação indispensável, já que as opiniões dos chamados especialistas divergem do dia para a noite.
12- Temos depois uma questão muito delicada que resulta da declaração da Autoridade de Saúde quando, interpelado sobre o não internamento nos cuidados intensivos de doentes do Lar do Nordeste que faleceram diz:
13- “Eles são maioritariamente acima dos 70 a 80 anos de idade. Pessoas que, por via desta faixa etária, têm maior fragilidade, maior vulnerabilidade para infecções respiratórias, …. por via desta condição de doença, não justificava..., o investimento e a submissão de uma pessoa, se calhar, a um maior sofrimento de colocá-la com medidas mais evasivas numa unidade de cuidados intensivos, por esta via não se... São daquelas decisões das equipas de saúde… Não podemos dizer que são mortes súbitas”.
14- Não nos pronunciamos sobre a essência do estado dos doentes, mas pergunta-se: A família do paciente foi ouvida sobre a decisão médica, já que a opção de não colocar os doentes nos cuidados intensivos, deveu-se ao facto do seu estado não justificar “o investimento” no doente? A morte foi ditada pela idade? A questão é séria e a lei da eutanásia ainda jaz na Assembleia da República. 
15- Por fim, espera-se que hajam outras medidas de alívio em São Miguel para breve, com as necessárias cautelas.
16- Há pequenos negócios cuja sobrevivência dependem de poderem começar a trabalhar já, ou então daqui a duas semanas, não têm remissão. É preciso ouvir o clamor de quem está aflito.
17- Acresce referir que o teletrabalho não pode ser tido com um período de férias prolongado. Há serviços que precisam de pessoal para responder às necessidades dos cidadãos.
18- Convêm  dosear e evitar  a excessiva exposição sobre a evolução da Covid-19 e  deixar que os serviços de Saúde desenvolvam o seu trabalho.

                                     

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Categorias: Editorial

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