Clube de Ténis de São Miguel prepara regresso aos treinos com incerteza

Quando e, em que contexto perceberam que talvez fosse necessário partir para uma situação tão drástica quanto encerrar as instalações do CTSM e parar por completo com a prática do ténis?
 Não obstante ter sido essa uma deliberação do Governo Regional, acabaríamos também nós (CTSM), mais cedo ou mais tarde, por fazê-lo. Quando em causa está a saúde comunitária, não há volta a dar.

Na sua óptica de treinador, que impacto pode uma interrupção destas ter na evolução continuada dos atletas, nomeadamente no que toca aos escalões de formação?
Em circunstâncias normais, a maior paragem a que os alunos/atletas das Escolas do CTSM estão sujeitos ocorre no mês de Agosto, por via das férias dos seus profissionais.  
Interregnos prolongados causam sempre impacto no processo evolutivo, mas é preciso manter o discernimento e aproveitar este período para projectar a melhor forma de retoma. Julgo que está tudo muito dependente da redefinição do calendário competitivo, que está suspenso, mas seja quando for o regresso, é óbvio que terá de ser rigoroso, de forma a compensar este hiato temporal. 

O ténis é um desporto individual que não requer contacto interpessoal. Acredita que, de futuro, isso pode ser uma vantagem para atrair novos praticantes?
Julgo que poderemos ter alguma vantagem. Resta saber se as pessoas também avaliarão as suas prioridades à luz dessa singularidade.

O “Azores Open 12 & Under”, uma prova que já é um clássico no Circuito Juvenil Europeu, foi também este ano afectado pela pandemia. Em que circunstâncias é que decidiram avançar para a prova?
Recebemos instruções muito específicas da Tennis Europe e seguimos à letra todas as recomendações de Higiene e Segurança da Direcção Regional da Saúde. 
Infelizmente, muitos atletas estrangeiros cancelaram as suas inscrições em cima da hora, dando um indício muito forte de que medidas mais restritivas poderiam estar para chegar a qualquer momento.

E chegaram?
Tínhamos um plano de contingência que passava por terminar a prova um dia mais cedo, mas na Quinta-feira as instâncias internacionais gestoras do ténis (ATP, WTA, ITF e Tennis Europe) decidiram cancelar todos os eventos com efeitos imediatos. 
Foi um rude golpe para a organização, mas compreensível. Sem volta a dar, a nossa preocupação cimeira foi, desde logo, assegurar a todos os atletas e treinadores um resto de estadia agradável e um regresso aos seus destinos com o máximo de conforto e segurança.

Em traços gerais, o que tinham preparado para fazer, desta 21.ª edição, uma das melhores de sempre?
Com o apoio dos nossos patrocinadores, e fruto do incansável trabalho de bastidores da Direcção do CTSM, melhorámos significativamente o padrão de estadia, instituímos a oferta de brindes diversos, recriámos uma “Sala de Jogadores” com TV e Wi-Fi, assegurámos a transmissão em directo (via Facebook) dos encontros disputados no Court Central... Enfim. Um pacote robusto que, com toda a certeza, reforçou a nossa imagem e deixou quem cá esteve com vontade de regressar.

Quer aproveitar para deixar alguma mensagem aos teus atletas e aos desportistas em geral?
Espero que se mantenham activos e confiantes. É muito importante tentar diversificar as tarefas em casa e manter a mente ocupada, sem que isso signifique passar horas à frente da televisão ou a jogar computador. Puzzles, por exemplo, são muito usados por atletas de alta-competição para combater o stress e elevar os índices de perseverança e concentração.

Jornal@diariodosacores.pt
 

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Autor: CA

Categorias: Desporto

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