14 de maio de 2020

Parabéns

Não posso dizer que vivi sempre entre jornais. Mas tenho o gosto de afirmar que muito convivi com eles. 
Desde os tempos que frequentei os seminários do Espírito Santo (dez anos escolares completos), até hoje, também colaborei.
Não eram diários famosos, mas serviam de treino. Pequenas folhas mimeografadas, números únicos escritos manualmente, até publicações missionárias de alguma expansão, em vários vi publicadas as minhas contribuições.
Já professor procurei incutir em alunos o gosto de escrever e o orgulho de verem em letra de forma os seus pensamentos. 
A única dor que me resta é que de nada disso conservo exemplares. Simplesmente as lembranças, muitas delas consoladoras por ver a aceitação dos alunos e por vezes, algum remoque de «conformados» que não sendo capazes de enfrentar as dificuldades, se refugiavam em chistes mais ou menos infelizes que me faziam sorrir e solicitar do crítico a colaboração que nunca aparecia…
Sempre fui leitor assíduo de periódicos. Quer no Alentejo onde lecionei, quer no Porto onde estudei história, nunca dispensei um diário.
Mas não são essas recordações que quero trazer para aqui.
Quando em 1973 cheguei aos Açores, mais concretamente a Vila Franca do Campo, admirei-me imenso que uma pequena vila se orgulhasse de, nesse momento, ter dois semanários. A Vila e A Crença. A minha vila natal, Amarante, hoje cidade, tinha apenas um semanário…
Mas o meu espanto cresceu quando lecionei em Ponta Delgada e soube que havia três diários e outros menos divulgados, mas que já tinham uma longa vida. 
E eu vinha de uma cidade, a segunda do país, em que também havia três diários e penso que uns semanários, alguns deles ligados aos afazeres religiosos paroquiais.
O meu espanto atingiu o auge, quando por curiosidade comecei a fazer investigação. Apercebi-me das inúmeras publicações que inundavam as estantes da Biblioteca de Ponta Delgada. Cidades, vilas, mesmo freguesias cultivavam a imprensa, alguma dela pioneira como o Agricultor Michaelense.
Deixando essas memórias venhamos ao que importa no momento. 

CEM ANOS.
Como são belos, nos humanos ou nas instituições. Recordo com emoção os dois centenários com que convivi. Tios meus por afinidade, ele, com cento e três, ela com noventa e sete quando os conhecemos e ele, tendo deixado a Vila com apenas catorze anos nunca voltou às origens, não me dava descanso com perguntas se no canto ainda havia tal mercearia 
ou fulano ainda vivia em tal casa assim, assim. E eu, sem respostas. 
Mas também conheci dois centenários jornais: A Crença e hoje, O Correio dos Açores.
Nos parabéns a A Crença, colaborei de maneira muito ativa. Fiz, orgulhosamente, parte de um grupo que liderou as comemorações. Que de trabalhos. Que de alegrias. Ver exposições, conferências, encontros, preparados com imenso amor e dedicação deixaram um ar de gosto que nunca se apagará.
O Centenário de O CORREIO trouxe-me outras delícias. Pelas entrevistas que me fez, por ser o parente mais próximo daquele Atlântico Expresso onde vou vertendo uma prosas históricas ou alguns pensares de outras latitudes. 
Por isso as minhas saudações e votos de longa vida. 
Naturalmente essas saudações vão em primeiro lugar para os fundadores, heróis no pensar e no decidir. Mas terão de se estender aos colaboradores atuais, a todos os que proporcionam que chegue a minha casa todas as manhãs. Aos jornalistas que conheço pessoalmente e aos de que apenas sei os nomes, os meus parabéns pelas causas que abraçaram e pelo desempenho que têm. 
Felicito sobretudo o seu atual diretor, Américo Natalino de Viveiros, que sabendo bem as minhas ideias, nunca impediu qualquer expressão desses ideais.
No momento que vivemos e onde pululam centenas de aprendizes feiticeiros de comunicação, divulgando o que é o que não é, torna-se obrigatório que haja quem, desassombradamente, continue, queira e saiba realmente INFORMAR. 
E O Correio dos Açores sabe e quer. PARABÉNS e LONGOS ANOS.
Espero muito sinceramente que algum bisneto ou trineto, que certamente não conhecerei, possa, ao ler estas poucas palavras, acrescente os louvores que eu não soube completar. 

Teixeira Dias
 

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Autor: CA

Categorias: Opinião

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