Reitor do Santuário cumpre simbolicamente a tradição

Capa que o Senhor Santo Cristo dos Milagres veste este ano foi ofertada por um emigrante da Ribeira Grande radicado nos EUA

As grandiosas festas em honra do Senhor Santo Cristo dos Milagres, como sabemos, não se realizam este ano devido à Covid-9, que impede manifestações de qualquer natureza. Em tempo normal, esta Sexta-feira seria já de grande festa, com o  aceder da iluminação, depois de longas semanas de trabalho para que tudo estivesse a postos. Era um tempo de muita euforia, de compra de círios para pagamento de promessas, de muitos sotaques e de línguas diferentes que se misturavam num só som, o da fé. 
Hoje temos silêncio na rua, mas a voz do coração mantém-se alerta e desperta para dias melhores. E neste contexto, apesar da diferença, no Santuário da Esperança há momentos simbólicos que se cumprem, com o objectivo de manter unidos todos quantos partilham a fé no Ecce Homo, perpetuando assim a fé de um povo, que não se resume aos Açores, mas também à diáspora açoriana espalhada por vários continentes. Esses momentos são partilhados nas redes sociais para o mundo.
Como é tradição, na Quinta-feira que antecede as maiores festas religiosas das ilhas há sempre uma conferência de imprensa para apresentar a capa que o Senhor cobriria o seu tronco nos dias de festa. 
Este ano, como salientou ao Correio dos Açores o Cónego Adriano Borges, foram reveladas as novidades aos órgãos de comunicação social individualmente para evitar ajuntamentos em prol do bem maior que é a saúde e a vida. 
A nova capa, de veludo a vermelho escuro, bordada a ouro, executada na Cooperativa de Artesanato de Nossa Senhora da Paz, em Vila Franca do Campo, na ilha de São Miguel, foi apresentada, assim, pelo Reitor do Santuário da Esperanmnça e pela zeladora da imagem do Senhor Santo Cristo dos Milagres, Zilda Melo.
 A capa que cobre os ombros do Ecce Homo foi oferecida por um açoriano, natural da Ribeira Grande, ilha de São Miguel, que emigrou para os EUA em 1968 e ali reside. 
Como revelou o Cónego Adriano Borges, este emigrante tinha vontade de ofertar uma capa desde os seus vinte anos, o que conseguiu concretizar, tendo-a entregue o ano passado, cumprindo assim um seu desejo de décadas. 
O Santuário tinha o compromisso com este emigrante de que a capa sairia este ano na procissão, o que não acontece devido à pandemia de coronavírus que alastra no mundo. 
O cónego Adriano Borges revela que a capa deste ano - que poderá ser apreciada  -  não sairá à rua no próximo ano de 2021 porque já há um compromisso com capa ofertada pela Irmandade do Senhor Santo Cristo dos Milagres de Brampton (Canadá), no ano em que esta instituição assinala os quinze anos de vida e que virá participar na procissão do Senhor. 
A capa deste ano sairá assim em procissão em 2022, se nada houver em contrário e/ou de maior emergência. Estes ano também foram apresentadas as novas cordas para substituir as antigas. Esta é a 35ª capa ofertada ao Santo Cristo dos Milagres.
Para estes dias, que seriam de festa, a reflexão do Cónego Adriano Borges é que sigamos todos as indicações que nos são dadas pela Autoridade Regional de Saúde com as responsabilidades que cada um deve ter. 
O Reitor pede que as pessoas não se aglomeram e que façam o possível para não irem ao Campo de São Francisco, convidado, ao mesmo tempo, que todos possam rezar nas suas casas, de forma mais intima e de forma personalizada. 
Também deixa uma mensagem de esperança que o Senhor Santo Cristo dos Milagres a todos proteja e que esperemos por melhores dias para poder honrá-lo com toda a nossa fé e devoção.
                       

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