Criação da Secção Regional da Ordem dos Arquitectos mobiliza a classe na Região

“Este é o momento para reunir consensos entre os arquitectos nos Açores”, afirma Nuno Costa, candidato a Presidente

 No novo quadro legal e institucional da Ordem dos Arquitectos, cujos Estatutos foram revistos no mandato que está a terminar, está a nascer a Secção Regional dos Açores, cujas votações para o primeiro escrutínio ocorrerão no próximo dia 26 de Junho. 
Enquadrada na candidatura do arquitecto Gonçalo Byrne à Presidência Nacional da Ordem dos Arquitectos e encabeçada por Nuno Costa, candidato a Presidente do Conselho Directivo Regional dos Açores, um grupo de arquitectos que residem e trabalham em diferentes ilhas do Arquipélago formaram uma lista candidata aos órgãos da Secção Regional dos Açores. 
Esta equipa, segundo releva, é “pluridisciplinar e intergeracional, com diferentes saberes, competências e experiências profissionais, conhecedora das realidades e especificidades locais e arquipelágicas”.
A sua candidatura “Isto só lá vai com todos”, tem como objectivo “enquadrar e valorizar a profissão do arquitecto, intervir e comunicar a arquitectura, bem como contribuir para a nova organização e modernização dos serviços enquanto Instituição”. 
Nuno Costa, candidato a Presidente do Conselho Directivo Regional, decidiu aceitar este desafio, de encabeçar a lista candidata aos órgãos regionais, por considerar que “este é o momento certo para unir e reunir consensos aqui na Região, entre arquitectos e não só, de modo a intervir junto dos órgãos nacionais da própria Ordem dos Arquitectos, do Governo Regional dos Açores, das instituições regionais, concelhias e locais, das organizações congéneres, bem como da sociedade civil, no geral, em prol dos arquitectos e do desenvolvimento sociocultural da Região”. 
No seu entender, este “é o momento” que os arquitectos aguardavam desde o tempo da criação da Delegação dos Açores da Ordem, “onde efectivamente se está a desestatizar e descentralizar os poderes até então centralizados em Lisboa”.
Em sua opinião, “os arquitectos têm o dever cívico e corporativo de se mobilizarem para obterem melhores condições e contribuírem para o desenvolvimento e construção de um território mais equilibrado e sustentável”. 
“Estamos perante um novo modelo organizacional que aproxima os arquitectos à Ordem, enquanto instituição que os representa, apoia, regula e defende, e, ao mesmo tempo, aos órgãos governativos e à sociedade civil onde nos inserimos”, afirma Nuno Costa.
O candidato a Presidente da Direcção do Conselho Regional da Ordem considera que  Gonçalo Byrne é, entre os vários candidatos a presidentes da Ordem dos Arquitectos, “aquele que reúne melhores condições para conduzir os desígnios da nossa Ordem profissional”. 
“Além de contar com o apoio dos grandes arquitectos portugueses”, afirma, “é figura portuguesa de destaque, com valor pessoal, intelectual e profissional, reconhecido no contexto nacional e internacional”. 
Nuno Costa está consciente que “os desafios que se colocam são complexos e alguns de difícil resolução. Assume o compromisso de envolver todos os membros presentes nas ilhas, desde Santa Maria ao Corvo, de intervir junto de diferentes órgãos, de desenvolver um conjunto de acções e de implementar medidas que contribuem para a valorização da profissão, em prol dos arquitectos e do desenvolvimento sociocultural da Região”. 
“É certo que há muitas discussões em torno dos assuntos que estão em cima da mesa e que ainda há muito por fazer. Porém, o envolvimento dos arquitectos e da sociedade é indissociável na construção e desenvolvimento do nosso território e cultura, que se quer que seja sustentável ao nível ambiental, social, cultural e económico”, afirmou.

Igor França: “realidade
rova e desafiadora”

Por sua vez, o arquitecto Igor Espínola de França, candidato a Presidente da Mesa da Assembleia Regional da Ordem, refere que “foi com a noção de uma realidade nova e desafiadora que surge nos Açores, que aceitou o convite para integrar a lista”. 
“A nova circunstância que caracterizará o exercício profissional pós-eleitoral permitirá a proximidade que sempre faltou à Ordem, e que é condição imprescindível para um território descontínuo e disperso, reconhecimento que se evidencia na composição da nossa lista de candidatos”, afirmou. 
Paralelamente, prosseguiu, “criará condições para a criação de massa crítica, ferramenta pedagógica de que o nosso microcosmo insular carece transversalmente, e que é essencial para um exercício profissional caracterizado pelas duas dimensões (teórica e prática) da perspectiva vitruviana”. 
“Formar, discutir e criticar foram, e serão sempre, recursos necessários para o escrutínio de uma profissão que tanto impacto tem na nossa qualidade de vida pessoal e social”, afirmou Igor França, antes de acrescentar que a discussão, no fórum, de temas como o ordenamento do território e a reabilitação imobiliária “é central para o entendimento da nossa realidade”.
 Primeiro, relevou, “porque se é verdade que os Açores são paisagem, grande parte dela foi humanizada, segundo princípios que também a qualificam, comprovando as vantagens de pensar e intervir com equilíbrio”. 
Segundo, explicou, “porque com uma população a envelhecer, e consequentemente a diminuir, os Açores terão de encarar a reabilitação como uma estratégia incontornável, ditada até por imperativos de racionalização de recursos, e pautada por intervenções que não reduzam o imóvel à dimensão cenográfica da preservação da fachada, ou à destruição da espacialidade interna limitada à caixa muraria”. 
De facto, sublinhou, no ‘território’ e na ‘cidade’ “podem conciliar-se a nossa história-identidade com os valores da contemporaneidade, como tão bem enuncia Peter Zumthor na expressão ‘um novo todo’”.

João Monjardino preocupado com
avanço vertiginosa das tecnologias

O arquitecto João Monjardino, candidato a Presidente do Conselho de Disciplina, diz que, “pela primeira vez, houve alguém que ousou tentar o alargamento representativo e arriscou ouvir os profissionais dispersos pelos três grupos do arquipélago dos Açores. Foi obra e ainda mal começaram os trabalhos da lista ‘isto só lá vai com todos’”. Foi tendo em conta este novo espírito que aceitou o convite que lhe foi dirigido. 
De entre as suas preocupações, refere que “o avanço vertiginoso da tecnologia e computação aterrou na nossa prática profissional, sem que houvesse o cuidado em antecipar, preparar e harmonizar os novos procedimentos que a desmaterialização de processos parecia indicar como absolutamente necessários”. 
No seu entender, a Ordem dos Arquitectos “foi literalmente trucidada pelos acontecimentos e isso tem que ser corrigido. É trabalho profundo e urgente a realizar para que não se produza mais uma gigantesca Torre de Babel administrativa num País tão pequeno como é o nosso, ainda para mais quando o espírito da legislação era simplificar toda a tramitação e não complicá-la”. 
João Monjardino “também demonstra grande preocupação com a descarbonização da sociedade e as novas cidades”, tendo em conta “as metas traçadas pela Europa com vista à almejada independência dos combustíveis fósseis”. 
Defende que a “Ordem tem que estar atenta e presente nos grandes fóruns onde essa discussão já está a acontecer, pois surgirão novos modelos. No caso particular das regiões insulares haverá que ter muita atenção à carga de base que sustentará as novas soluções energéticas”. 
Além destes candidatos, a lista é constituída pela Filipa Bettencourt, candidata a Vice-presidente do Conselho Directivo, e os arquitectos Pedro Garcia, Márcia Mendonça, Luís Ávila, Andrea Henrique, Filipe Mota, Rita Furtado da Silva, Pedro Alvernaz, Marília Hipólito, Hernâni Ponte, Mariana Ortins Godinho, Bruno Correia, Joana Correia Soares e Mário Nunes, que integram os diferentes órgãos da Secção Regional dos Açores. 
Todavia, referem os responsáveis pela candidatura, “ isto só lá vai com arquitectos e não arquitectos. Só lá vai com todos aqueles que têm responsabilidades e competências atribuídas na gestão e ordenamento do nosso território, na construção e reabilitação do edificado das nossas cidades, e na preservação do nosso património cultural, da nossa identidade. Isto só lá vai com todos”, concluem. 

C.A.
 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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