José Manuel Bolieiro, nos 46 anos do PSD/Açores

“É preciso garantir autonomia de pensamento, liberdade de acção, de palavra e de posição aos açorianos”

 O líder do PSD/Açores, José Manuel Bolieiro, lançou ontem, na cerimónia que assinalou os 46 anos do Partido, uma participação activa dos açorianos e das instituições que emanam da sociedade na vida política açoriana.
José Manuel Bolieiro, como afirmou, pretende “garantir, no quadro de uma governação democrática, vibrante como dizia o Dr. Mota Amaral, a importância de acrescentar a participação democrática” à vida política nos Açores. 
“Estamos cada vez com uma sociedade mais madura culturalmente sob o ponto e vista democrático. E é preciso garantir autonomia de pensamento, liberdade de acção e de palavra e de posição aos açorianos para reforçar a democracia participante e o diálogo social enquanto auxiliar da governação, de modo a que as políticas públicas correspondam a projectos, com certeza, doutrinais e ideológicos e de afirmação partidária, mas também possam ser mitigados com o contributo quotidiano da cidadania. E isto é fundamental para projectar, através do diálogo social, o forjar de políticas públicas, cujos destinatários se revêem nelas, aderem a elas porque nelas participaram”, palavras do líder regional do PSD/Açores.
“É este o meu desafio”, sublinhou José Manuel Bolieiro, “a garantia de que há uma participação da geografia e da condição dos nossos açorianos em qualquer uma das ilhas e na nossa diáspora, e um reconhecimento, cada vez mais crescente, da nossa  sociedade madura na democracia e na autonomia política para projectarmos a afirmação e o fundamento, no plano nacional e europeu, da nossa democracia”. 
Bolieiro deixou claro que existe, actualmente, “um mundo aberto de novos desafios” ao PSD/Açores, “além da participação cívica, política e democrática dos cidadãos e das instituições que fomentam o diálogo social, também estas novas perspectivas globais da economia azul, da economia verde, e, portanto, da sustentabilidade da natureza, da sustentabilidade das comunidades humanas”.
Salientou, em sequência, que os Açores, “enquanto verdadeiro laboratório referencial, podemos dar contributos decisivos na ciência para o mundo com aquelas que são as especificidades dos Açores. E, portanto, criar ciência e novas tecnologias para a afirmação do desenvolvimento dos Açores, enquanto relevantes para a Europa e para o mundo”.
Numa referência à explanação feita pelo líder histórico do PSD/Açores, Mota Amaral, sobre a evolução dos Açores, ao longo dos tempos, numa caminhada feita pela governação social-democrata,  José Manuel Bolieiro afirmou que “a solidez das nossas raízes radicados nestes princípios , desde logo doutrinários e ideológicos que nos deram seguimento para explicação ao povo do quem somos , o que somos e o que pretendemos, deixa exactamente espaço para sonhar com a nova perspectiva futura”.
“Nós adquirimos já, felizmente, um espírito de debate regional. Adquirirmos a importância da democracia representativa de todas as ilhas dos Açores. Temos a garantia de uma ligação com a nossa diáspora, reconhecendo que os órgãos de governo próprio da Região prestigiam, desde logo, as suas origens, as suas raízes com uma governação autónoma”, disse.
Advogou que o PSD/Açores “tem de consolidar o reconhecimento nacional e europeu da nossa integração, desde logo, pela capacidade que temos enquanto projecção atlântica do país e da Europa para acrescentar e não apenas receber do país e da União Europeia. É este legado que nós podemos agora demonstrar para o futuro: Nós temos, efectivamente, uma projecção geoestratégica mas, sobretudo, também de prestígio, de importância planetária, através desta projecção atlântica que representamos e que é preciso garantir como reconhecimento para este nosso futuro.”

Mota Amaral recorda
“dificuldades” no arranque
do PPD/PSD na Região

João Bosco Mota Amaral foi desafiado por José Andrade para, nos 46 anos do partido, falar da fase fundacional do PPD/Açores.
Foi há 46 anos que um grupo de açorianos da ilha de São Miguel reuniu-se, pela primeira vez, no salão paroquial da freguesia da Fajã de Baixo para criar um partido político regionalista “dos Açores, para os Açores e pelos Açores”.  Eram cerca de 100 pessoas. Dois dias depois, a 16 de Maio (faz amanhã anos), no mesmo local um grupo ainda maior já de cerca de 250 pessoas voltou a reunir-se e, “então, aí sim, para adoptar a designação de PPD/A – Partido Popular Democrático Açoriano”, como explicou José Andrade.
A presidir a estas reuniões estava o jovem advogado micaelense, na altura deputado pelo Distrito Autónomo de Ponta Delgada à ala liberal da Assembleia Nacional com Francisco Sá Carneiro. João Bosco Mota Amaral é Presidente fundador e Presidente honorário do PSD/Açores. “Certamente que esta data de 14 de Maio tem uma importância geral para todos nós, mas para o Dr. Mota Amaral terá um significado especial. Quarenta e seis anos depois, que recordações pessoais e políticas guarda deste tempo fundacional do PPD e, consequentemente, da própria Região Autónoma dos Açores?”.
A questão estava lançada e Mota Amaral não se fez rogado. “O que mais me impressiona é o entusiasmo daqueles dias. Estávamos naquele ambiente a seguir ao 25 de Abril, todos nós com vontade de dar o nosso melhor”, disse.
“Eram outras oportunidades que surgiram com a revolução e estávamos apostados em levar por diante os objectivos da revolução e aplicá-los aqui nos Açores”, referiu Mota Amaral para depois falar do “grande dinamismo, muita juventude, juventude de espírito, sobretudo, e também de idade” que havia na altura.
“Arrancamos com o PPD com gente nova cheia de energia, cheia de vontade de levar por diante este nosso projecto com convicções claras”, disse.
“Entusiasmou também”, prosseguiu, “a expansão vertiginosa do PPD, sobretudo em São Miguel. Havia uma forte adesão das populações ao PPD que se apresentava com um ideário claramente social-democrata”. 
“Proponhamos aos açorianos liberdades públicas, democracia parlamentar, reformas sociais para beneficiar as classes trabalhadoras mais desfavorecidas, uma autonomia política regional”, disse.
Mota Amaral quis acentuar as “dificuldades” vividas neste período. “Não foi um período só grandes realizações. Também houve grandes dificuldades”, afirmou.

Os “submarinos” que
vieram de fora…

Mota Amaral admitiu que “um partido com este projecto de âmbito regional açoriano talvez fosse apresentado cedo demais. Por isso, não foi compreendido em algumas das nossas ilhas. E, ao fim de alguns tempos de tentativas para ultrapassar as incompreensões, (que também foram atiradas de fora, de alguns elemento que aderiram ao PPD e que depois se veio a verificar que eram submarinos de outras correntes políticas e procuravam desestabilizar o partido para que ele não fosse por diante), convertemos então a organização do partido em comissões políticas do PPD”. 
E, na altura, prosseguiu, “a ideia do partido regional ficou adiada para outras alturas que vieram a surgir. E a partir do nosso congresso regional em 1977, já com as instituições de governo próprio dos Açores implantadas (e nós PSD temos a responsabilidade por elas). Consagramos a existência de um partido regional, com congresso próprio, com órgãos próprios. E todos aqueles que falaram mal, num período anterior, acabaram por voltar às mesmas organizações. E hoje todos os partidos têm a sua organização regional autónoma”.
Além disso, salientou Mota Amaral, “a rapaziada do MDP/CDE pensava que a revolução tivesse sido feita para eles. E não tinha sido. Tinha sido feita para todos os portugueses. E o trabalho que se tinha levado aqui a efeito de pedagogia democrática em todo aquele período em que fui deputado à Assembleia Nacional, a seguir ao 25 de Abril, deu frutos e houve, de facto, a mobilização de muita gente, sobretudo gente nova, com desejo de participar e com desejo de marcar um capítulo novo na história dos Açores”.
Explicou que “as dificuldades que foram surgindo e que pretendiam afastar a possibilidade do PPD se afirmar, para ficarem eles em campo sozinhos, acabaram por serem resolvidas com as eleições”.
“Quando o PPD elegeu cinco dos seis deputados pelos Açores (O PS elegeu 1), e os outros partidos, o MDP, MES, PCP e por aí fora, não elegeram ninguém e tiveram números ridículos de votações, então ficou claro qual era o caminho que o povo queria. E a partir desta altura, as dificuldades que tinham surgido inicialmente, foram superadas”.
Ao longo da sua intervenção, Mota Amaral falou ainda dos grandes projectos, de uma caminhada autonómica que referenciou alguns marcos deste caminho que “ainda hoje são visíveis” por todos os açorianos.
No final da cerimónia, em que intervieram por vídeo conferência o líder nacional do PSD, Rui Rio, e dirigentes locais e regionais, o líder, José Manuel Bolieiro brindou com Mota Amaral aos 46 anos do partido.
 J.P.
 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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