Mais nove recuperados do novo coronavírus

Rastreio em unidades hoteleiras com viajantes em quarentena obrigatória é forma de antecipar decisão do tribunal

Todos os que chegaram à Região e que se encontram em unidades hoteleiras a cumprir quarentena obrigatória decretada pelo Governo Regional foram testados para a infecção do novo coronavírus antes de terminar a quarentena de 14 dias. A Autoridade de Saúde Regional, no ponto de situação que fez ontem, referiu que “na salvaguarda da saúde pública, decidimos testar preventivamente antes do fim da quarentena, no sentido de precavermos alguma situação que possa acontecer e possam propiciar um término dessa quarentena antes do que está previsto”. Tiago Lopes referia-se ao primeiro processo de “habeas corpus” que deu entrada no Tribunal de Ponta Delgada, apresentado por um dos viajantes em quarentena obrigatória por considerar inconstitucional tal imposição por parte da Região. A possível ilegalidade das quarentenas obrigatórias em unidade hoteleira está a ser avaliada pela Procuradoria-Geral da República depois de ter sido formalizada uma queixa contra a constitucionalidade da resolução do Conselho de Governo dos Açores que decreta essa obrigatoriedade. 
Assegurou que “o nosso maior foco e preocupação é a salvaguarda da saúde pública. Pese embora todas as tentativas que possam estar a tentar fazer para levar a cabo outros intentos, o nosso interesse maior é conter a propagação e disseminação do novo coronavírus na Região, dando continuidade ao trabalho que fizemos até ao momento”. 
O Director Regional da Saúde, que é actualmente a Autoridade Regional de Saúde, explicou que a Região tem estado a trabalhar em várias frentes para antecipar qualquer decisão que possa ser ditada pelo Tribunal, o que se torna “uma dificuldade extra” para além do próprio coronavírus. 
“Foram acautelados todos os cenários possíveis e é nessa senda que estamos a trabalhar, afincadamente, para zelar e salvaguardar a saúde pública dos Açores. Qualquer que seja esse cenário já temos respostas para o efeito”, assegurou a Autoridade Regional de Saúde que garantiu que estão a precaver-se situações que possam “fragilizar de forma bastante significativa todo o trabalho que tenhamos feito até ao momento”.
Tiago Lopes fez a comparação com o dia 27 de Março, altura em que na Região se registavam os mesmos 20 casos positivos activos naquele que era o 12º dia desde o primeiro caso positivo nos Açores e que curiosamente coincide com o dia da publicação da resolução do Conselho de Governo que prevê as quarentenas obrigatórias a todos que chegam à Região. Diz a Autoridade de Saúde Regional que “facilmente se poderá comprovar que foi uma medida que coadjuvou de forma significativa a contenção do surto na Região. Estamos a trabalhar para adequarmos todas as medidas e encetarmos todos os esforços para controlar o surto”.

Despiste na comunidade escolar
Nesse sentido de controlar o surto também estão a ser feitos rastreios de despiste de infecção ao nível da comunidade escolar. Neste sentido, já foram testadas 1.796 pessoas entre docentes, não docentes e estudantes. Além disso, há ainda 1.141 que aguardam colheita ou análise e já 655 dos testados que tiveram resultado negativo. 
Este trabalho de despiste já está a ser desenvolvido na Terceira, Faial, Graciosa, Pico e São Jorge e que terá continuidade nos próximos dias. No entanto, nas ilhas das Flores, Corvo e Santa Maria, onde não foram registados casos positivos desde o início do surto na Região, e onde já reabriram as aulas presenciais, Tiago Lopes diz não haver razões, em termos epidemiológicos, para se realizarem rastreios prévios. “Todos os que chegaram a essas ilhas foram rastreados e acompanhados, sem suspeição de possíveis casos suspeitos e não havia indício de se fazer testes só por fazer. Nas restantes ilhas registaram-se casos positivos activos e vão ser feitos preventivamente os rastreios e depois análise laboratorial”, explicou.
Falou ainda de pais que “eventualmente” se possam recusar a que os seus educandos realizem estes testes de despiste ao novo coronavírus e diz não ser sensato que estes alunos frequentem as aulas presenciais. “Estamos a fazer esses rastreios ao nível da comunidade escolar. Aqueles que eventualmente recusam que os seus filhos façam o teste de despiste, poderão dentro de uma medida implementada na Região” permitir que os filhos assistam remotamente às aulas. “Os que eventualmente não aceitem, para não colocarem em risco os que aceitaram, poderão assistir a essas aulas mas não presencialmente, não tendo aceite uma possibilidade, têm outra, que é assistir remotamente” às aulas, afirmou. 
Já em relação ao Nordeste, onde ainda se registam o maior número de casos positivos por concelho (11), devido ao surto que aconteceu no lar da Santa Casa da Misericórdia do Nordeste, e onde ainda se mantém o cordão sanitário, Tiago Lopes não quer antecipar o levantamento das mesmas como estava definido para as 00:00 da próxima Segunda-feira. A Autoridade Regional de Saúde admite que tem havido articulação com o município, mesa da Santa Casa da Misericórdia do Nordeste, com todas as entidades governamentais, protecção civil e forças de segurança, para o possível levantamento. Havendo um cenário “bastante favorável” no concelho em termos epidemiológicos, a cerca sanitária deverá ser levantada. 

Situação epidemiológica
Há actualmente 25 casos positivos activos na Região, com uma média de idades de 50 anos. São 104 os recuperados que têm uma média de idades de 52 anos, sendo que 18 casos têm mais de 80 anos e 16 casos têm mais de 85 anos. Os 16 óbitos ocorridos na Região até ao momento tinham uma média de idades de 83 anos. 
Até ao momento foram testados 3.026 profissionais de saúde, sendo que apenas 6 são casos positivos activos e todos de São Miguel: dois ligados ao Hospital do Divino Espírito Santo e quatro ligados ao lar do Nordeste. Há ainda 20 profissionais de saúde já recuperados.
Da cadeia de transmissão mais longa que ocorreu nos Açores, que começou na Povoação, representou 74 casos, sendo que desses já 45 recuperaram, houve 16 óbitos e 13 casos que se mantêm activos.
Na estrutura residencial para idosos no Nordeste, foram detectados 38 casos positivos, 12 óbitos registados, 21 casos de recuperação e 5 casos activos ainda sendo que 14 casos não registaram positividade ao novo coronavírus.
Ontem registaram-se nove recuperações da infecção por SARS-CoV-2: oito mulheres com idades compreendidas entre os 27 e os 91 anos, e um homem de 42 anos de idade, todos residentes na ilha de São Miguel.
Dentro destes novos casos recuperados, seis são utentes do lar do Nordeste, com idades compreendidas entre os 74 e 91 anos e também um funcionário daquela instituição.         
 

Print
Autor: Carla Dias

Categorias: Regional

Tags:

Theme picker

Revista Pub açorianissima