17 de maio de 2020

Recados com Amor

Meus Queridos! Neste Domingo do Senhor, sinto um vazio por não poder, como tantos milhares de pessoas, ver a Imagem do Senhor Santo Cristo dos Milagres percorrer as ruas de Ponta delgada, entre flores e aplausos que fazem lembrar o Domingo de Ramos e a sua chegada a Jerusalém. Por isso, este ano não posso aqui deixar o rol de promessas que a fina flor cá do burgo geralmente carrega na procissão… e fica para cada um imaginar o que os nossos políticos poderiam pedir ao Senhor durante a via-sacra neste ano de eleições… Cá por fico pelo pedido de saúde para todos e pão para os que têm fome e água para os que têm sede… de resto, cada um meta a mão na consciência e veja como deve pôr os seus talentos a render neste período pós pandemia. Cá por mim, apesar de reformada, estou sempre no activo… e assim conto ficar se Deus quiser!

Meus queridos! Momento alto das festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres é sempre aquele do acender da iluminação, um dia que nasceu da tradição do “experimentar as luzes”, como antigamente se dizia. Este ano e mesmo sem luzes, a RTP/Açores assinalou o momento com um programa especial emitido a partir da Capela-Mor do Santuário da Esperança, apresentado por Sidónio Bettencourt e que, para além de vários convidados, teve uma enorme participação de açorianos emigrantes ou residentes em outras paragens com comoventes testemunhos. Aqui na minha Rua Gonçalo Bezerra, na companhia de duas amigas de peito, e com um cházinho de alecrim e uns saborosos biscoitinhos de azeite… segui com toda a atenção o programa. A minha prima Prazeres adorou aquele excelente momento musical, em confinamento, quando cada um dos músicos, da banda “Aliança dos Prazeres” do Pico da Pedra, em suas casas, juntaram-se online, para tocarem em conjunto o Hino do Senhor Santo Cristo. Foi um momento tocante e de encanto, e por isso quero mandar um ternurento beijinho ao maestro Carlos Sousa e a todos os músicos e pedir que se guarde religiosamente aquela peça…. como lembrança destes tempos diferentes que proporcionaram uma arte diferente. Foi uma forma bela de encerrar o programa, cujo pano caiu com a leitura comovida, pelo meu querido Sidónio Bettencourt, do poema escrito pelo meu querido Santos Narciso, director-adjunto do jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio, e que já foi musicado pelo maestro Francisco Botelho. Para todos, o meu ternurento beijinho.


Meus Queridos! Há coisas que não lembram ao diabo, mas que um diligente deputado como António Ventura não esquece. Então não é que o rico foi desenterrar uma declaração “conjunta entre o Governo da República e o Governo Regional dos Açores, assinada a 30 de Abril de 2016”, para confrontar um Ministro que se calhar nunca ouvi falar sobre semelhante documento… lembrando que ela continha “ inúmeros compromissos por realizar nos Açores”, um dos quais previa a criação de “um grupo de trabalho, por despacho conjunto entre o Ministério do Mar e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, em articulação com o Governo Regional, para definir procedimentos colaborativos entre a Universidade dos Açores e o Instituto Português do Mar e Ambiente, no sentido de promover sinergias em benefício do serviço público na área da Sismologia”… O deputado à República António Ventura, disse então que “o senhor Ministro, simplesmente, fez ouvidos moucos e não respondeu”, pelo que “ficamos sem saber o que se passa com mais esta promessa que não foi cumprida”… O meu rico deputado António Ventura ainda não percebeu que as promessas feitas em 2016  pelo governo da República já prescreveram ao fim de quatro anos. O Governo agora é outro, e o charme pelos Açores que existia naquela altura parece ter murchado… e só conta agora o que possa dar lucro ao rectângulo… Além disso, o conteúdo do despacho é tão vago que era mesmo só para inglês ver…. e cá para mim, a Universidade estava bem amanhada se estivesse à espera daquelas sinergias para continuar no seu prestante trabalho na área da sismologia…. Meu querido deputado António Ventura! O rico não se esqueça que os Açores têm Assembleia Legislativa e Governo próprios para, de acordo com o Estatuto Político, governarem a Região…. Bem sei que o rico parece fazer coro com o clube daqueles que entendem que a Autonomia devia ser governada de Lisboa…. mas, não se esqueça que se assim fosse… os Açores até poderiam ficar sem deputados nacionais, porque os cinco que lhe cabem… dariam mais jeito à República… como aconteceu ainda há um ano atrás com a eleição dos deputados para o Parlamento Europeu…. pelo seu partido! É preciso saber separar as águas senão temos uma mistela intragável… ‘Tá?


Ricos! Ligou-me a minha prima Maria da Vila para me dizer que tinha lido o meu recadinho da semana passada sobre as festas de São Miguel que tinham passado sem qualquer referência no centenário e sempre jovem jornal “A Crença” e que esta semana toda a primeira página e variado conteúdo se referia ao significado da festa que não houve mas foi muito bem lembrada. Acrescentou ela que a Crença fez destaque da sugestão do jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio para que, se as condições sanitárias e de confinamento o permitirem, o Senhor Santo Cristo que agora teve “festa suspensa” possa ser devidamente honrado e celebrado com uma manifestação pública de fé, em Domingo de Cristo Rei. Também eu, que li com muito interesse aquela sugestão, fico à espera que não caia no esquecimento dos responsáveis, para que este ano não fique na história como a ano em que o Senhor não saiu…


Meus queridos! Eu já não posso ouvir falar do vírus e de tudo quanto por aí se diz e contradiz. Estou mesmo convencida que o vírus do pânico já ganha pontos ao corona. Não sei se é do confinamento ou da pressão de quem anda demais nas redes sociais e nas televisões, mas parece que anda meio mundo a vigiar outro meio mundo, e depois vão para as redes sociais para dizer quem foi aqui ou veio dali e não trouxe máscara, quem esteve no hotel e quem deixou de estar, quem deveria estar aberto e está fechado e quem está fechado que devia estar aberto. Uma confusão danada, como diz a minha prima Teresinha. Para além da desgraça e das sequelas que a pandemia deixa, ainda vem todo este mal-estar social que não interessa a ninguém. Já basta a dor das famílias que perderam os seus entes queridos e os que sofrem a ausência forçada e as empresas que tremem e temem pelo presente e futuro de quem investe e quem nelas trabalha. Mas o que mais preocupa, é que esses são sinais de uma sociedade em autogestão, onde não há pensamento que valha… e tudo quando se vocifera tem em vista tão só, …valorizar o superego de cada um, …parecendo uma montra de vaidades semelhante àquelas ruas que estão agora em decadência nos Países Baixos, … onde as meninas apareciam embonecadas nas montras espalhadas ao longo das vielas aguardando a escolha dos clientes… Isto é o retrato de uma montra social que tem de ser reduzida à sua insignificância porque a sociedade não pode ter como espelho uma corja de “ignorantes convencidos”… Tenham dó! 


Ricos! Há muitos anos, numa empresa de Ponta Delgada, um gerente mandou a um “mestre” que lá trabalhava e que era “pau para toda a obra” que tirasse a medida de uns alisares que era preciso comprar para completar um soalho de um stand que estava em obras. O “mestre” foi lá e algum tempo depois chaga-se ao gerente e diz: - Já medi o que o senhor me mandou e é mais ou menos dois cabos de vassoura e um martelo. Qualquer coincidência desta história com outra que anda por aí de as distâncias entre pessoas, por via do confinamento ser medida em vacas,… é pura coincidência. Além de não ser original não é funcional, mas deu para cumprir o ditado: bem ou mal quero é que falem de mim! …


Meus queridos! Anda por aí muita gente a queixar-se de que ainda não recebeu as máscaras que foram prometidas há quase um mês e que só agora começaram a ser distribuídas em algumas ilhas. A minha prima Jardelina dizia há dias que por aí se vê a falta que faz tanta gente não saber já pegar numa agulha e num dedal. É que muitas senhoras que antigamente aprenderam costura e as que na velha escola industrial tinha aulas de artes e lavores, há muito que já fizeram as suas máscaras e até têm contribuído em várias campanhas de fazer as ditas cujas para vizinhos e instituições da rondedeza... Sempre é melhor que estar à espera que tudo caia do céu. Afinal sempre é verdade que o saber não ocupa lugar. Mas também não admira, pois há quem se torne dona ou dono de casa sem saber estrelar um ovo…


Ricos! Entre os cinquenta ou sessenta mil fãs do “Tiaguim” nas redes sociais, há muita gente desiludida porque o rico deixou de falar todos os dias na RTP/Açores e assim já não podem ir coleccionando as cores das “sueras” do rosto visível da autoridade da Saúde nos Açores. Eu acho que já era monótono aquele debitar diário de números e também acho que o rico tem direito a um descanso, porque não é fácil a pressão diária de exposição ao público. Até já havia apostas e sondagens de que deveria ser o “Tiaguim” o próximo Presidente do Governo. Como se dizia antigamente, “quem não tem que fazer faz colheres”…

Ricos! Nunca fui mulher de falar mal do trabalho dos outros, porque parto sempre do princípio de que cada um faz sempre o melhor que pode. E muito menos de criticar os jornalistas, pois sei que é difícil decidir e agir momento, quando se sabe que o repórter é aquele que trabalha sem rede. Mas há coisas que me tiram do sério. Quando vi numa estação de televisão uma jornalista fazer uma entrevista a um senhor que como máscara usava uma folha de couve lombarda, e ainda por cima uma entrevista sobre a tragédia do assassínio de uma criança, perguntei a mim mesma como tal coisa era possível e também fiquei siderada com outra jornalista, que entrevistava gente numa fila para receber comida dada por uma instituição e teve o descaramento de perguntar a um idoso se não sentia vergonha de estar ali a pedir comida… Quem devia sentir vergonha era ela de estar ali a devassar e humilhar quem apenas precisa de ajuda e tem direito à privacidade. Passa fora! 
 

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Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

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