Lamentando a perda de vidas humanas, especialmente no Nordeste, e apesar das dificuldades por que todos nós passámos durante a crise sanitária, mormente as cercas sanitárias, o confinamento e o isolamento social, estes momentos de crise poderão ser transformadores. E sinceramente achamos que esta Região precisa de uma transformação sócio-económica, no sentido de dinamizar uma economia regenerativa e distributiva, com enorme respeito pelas pessoas e pelo ambiente, e reduzindo a desigualdade de oportunidades.
A política das festas e foguetório era um desvario inconcebível, com gastos de milhões e milhões pagos por nós contribuintes. E grande parte deste dinheiro esvaía-se rapidamente para o exterior alimentando economias de outras geografias.Esperemos que as 19 autarquias e o governo repensem toda esta leviandade do passado e que apostem no que é nosso, genuíno e de qualidade. E temos muito para oferecer!
Este é o momento de aprofundar a sustentabilidade do turismo da Região, agora que dispõe do estatuto Silver da EarthCheck, entidade acreditada pelo Conselho Global de Turismo Sustentável, e que pode ser uma importante bandeira do destino Açores no pós Covid-19.
Momento de olhar seriamente para a qualificação das pessoas e qualificação da actividade turística para robustecer o produto Açores: “ilhas vulcânicas preservadas, de natureza exuberante, exclusivo, de beleza mística”.
É o momento de avançar para uma verdadeira economia circular na gestão dos resíduos, promovida e incentivada pela União Europeia. E isto concretiza-se com investimentos na recolha selectiva e uma forte aposta na reciclagem e reutilização. É o momento de abandonar projectos megalómanos e irresponsáveis de incineradoras e pôr fim a uma década de trapalhadas. Queimar resíduos a torto e a direito é coisa do passado. Presentemente considera-se o lixo um recurso a ser transformado e ser dotado de nova vida.
Momento de sermos acérrimos defensores dos produtos regionais e do seu consumo. Todos nós temos a obrigação de, nas prateleiras comerciais, olhar primeiramente para o que é produzido nas ilhas. E há muito, e de qualidade.
É o momento de partirmos decididamente para a economia digital: análise de dados e big data, cloudcomputing, robótica, internet ofthings, e-commerce. São ferramentas poderosas que poderão potenciar os negócios das empresas, criando assim valor e emprego qualificado.
O momento de reforçarmos a aposta nas novas tecnologias de comunicação e informação, que tão bem foram testadas nesta crise sanitária.
Não há de facto “ameaça que não contenha uma oportunidade”. Isto não é apenas um cliché é uma realidade que se espraia à nossa frente. Saibamos aproveitar.
Luís Anselmo