Correio dos Açores: Os cabeleireiros estão a preparar-se para reabrir as portas, mas com um pacote de novas regras para proteger clientes e trabalhadores em tempo de pandemia. Vai ser preciso fazer marcação prévia, levar máscara, desinfectar as mãos antes de entrar. Os cumprimentos deixam de existir.
Como vai ser esta nova fase de pentear e cortar cabelos em tempos de pandemia?
Paula Brilhante (Cabeleireira): Vai ser uma fase de longa adaptação para todos nós, profissionais e clientes.
Devido às recomendações da Direcção Regional de Saúde (DGS), há que colocar em prática todas as medidas de segurança. As marcações vão ser agendadas antecipadamente para uma melhor organização, e para termos tempo de fazer a devida desinfecção após a saída de cada cliente.
Sente-se preocupada com esta nova fase?
É uma nova fase sem histórico. Estamos perante uma pandemia, um vírus desconhecido, e a nossa “nova normalidade” será viver com a Covid-19, e não sem a mesma. Por isso, sim, estou um pouco ansiosa perante esta nova realidade, mas com vontade de reiniciar a minha actividade profissional.
Como foi estar em casa sem ter qualquer rendimento?
Primeiro que tudo é uma mistura de emoções. Medo por estar exposta a um vírus sem tratamento, medo por estar sozinha em casa, e tentar, acima de tudo, não pensar que a minha única fonte de rendimento parou.
Consegue contabilizar o prejuízo, no geral?
Não posso calcular o prejuízo, porque o salão vive de um grupo de clientes fixos e de um aumento de novos clientes nas épocas festivas. Isso depende sempre do poder económico de cada um, e, no meu caso, prefiro não me pronunciar sobre o assunto, porque um cliente pontual nas épocas festivas, e um cliente regular, são sempre bem-vindos.
Acha que os cabeleireiros enquanto profissionais em nome individual tiveram protecção do Governo açoriano?
Houve apoio da Segurança Social que dá para ir vivendo em termos particulares, mas os custos fixos mensais, anexados ao Salão, incluindo a renda, não podem ser suportados pelo valor do apoio, uma vez que o mesmo é muito limitado. Assim sendo, teve de haver um grande esforço para se cumprir com o pagamento da renda, mas há que aguardar por melhores tempos que, tenho de acreditar, virão.
Entendendo que agora o que temos é de nos focar e colaborar com a Autoridade Regional de Saúde, pois colaborando, é que vamos todos ultrapassar esta fase.
Conte-nos um pouco das dificuldades e das expectativas que tem em relação à abertura? Já sabe que regras vão ter no interior? Já tem marcações?
Só tenho a acrescentar ao que já disse é que vamos ter o cuidado de, à entrada, ter desinfectante, aceitar o cliente apenas quando este tiver a máscara e apelar à consciência dos mesmos para deixarem os seus pertences na entrada, incluindo o telemóvel.
Vamos também ter à disposição um kip opcional com um custo, de protecção individual descartável, que vai desde a touca e bata e à protecção de calçado.
Para facilitar a actividade e permitir atender mais pessoas, admite-se o alargamento dos horários de funcionamento dos estabelecimentos. O que acha?
Vamos ter um atendimento um pouco mais lento, na medida em que temos de ter um intervalo entre clientes para proceder à devida desinfecção. Em princípio, acredito que, numa primeira fase, não haverá necessidade de um alargamento de horário, mas caso se justifique, estou também aberta a uma nova adaptação.
Se o serviço estiver atrasado e for preciso esperar um pouco à porta, como no supermercado ou na farmácia, acha que os clientes estão preparados para esta nova vida?
Vamos ter na montra do Salão um comunicado a informar que só se aceitam clientes mediante marcação. Como vamos ter o cuidado de ter os intervalos em cada cliente, não acredito que vá ter clientes em fila na porta. Mas caso haja algum atraso, eu própria terei o cuidado de telefonar para a cliente a informar do atraso e tentar reagendar para um novo horário disponível.
Olhando ao dia em que teve de fechar as portas que sentimento lhe ficou?
Foi um sentimento de grande ansiedade, que se mantem até hoje, com uma grande preocupação, pois no momento em que fechei porta por um tempo indeterminado, originou uma angústia constante.
Como foi viver em isolamento? O que melhor lhe soube de estar em casa e o pior?
No meu caso o isolamento nunca foi bem-vindo. Vivo sozinha, porque o meu único filho vive no Canadá e na mesma situação que todos nós, neste mundo imenso. Assim sendo, até hoje, não me identifiquei com o isolamento, embora concorde que foi necessário para contermos a propagação do vírus.
N.C.