De atuneiros que chegaram no fim-de-semana

130 toneladas de atum para descarga congestionam lota de Ponta Delgada

Cinco embarcações de pesca estavam ontem a aguardar, junto à lota de Ponta Delgada, para descarregar cerca de 110 toneladas de atum e dentro da lota já se encontravam em leilão 20 toneladas sobretudo de atum voador e patudo.
A lota estava congestionada com alguns mestres das embarcações a manifestarem impaciência e algum desagrado pela longa espera. A Lotaçor só dispõe de um empilhador na lota de Ponta Delgada (onde tem concentrada toda a venda de pescado) que esteve, durante a manhã, afecto ao processo de leilão. Logo, não havia empilhador para operar com as caixas de peixe descarregado no exterior da lota.
Entre as embarcações que foram as primeiras a descarregar em lota estavam algumas que tinham chegado no Sábado para ficarem na linha da frente da descarga.
Um dos mestres de pesca, João Lima, da traineira ‘Condor’, está atracado ao cais de pesca desde de Domingo à noite, com 35 toneladas de atum voador e patudo a bordo para a fábrica Cofaco, em Rabo de Peixe, e, pelo que elucidou ao jornalista do Correio dos Açores, só a partir de hoje começará a descarregar. 
Também Domingo à noite chegou ao cais de pesca porto de Ponta Delgada a traineira ‘Atlântico Nordeste’, igualmente com cerca de 35 toneladas de atum voador e patudo a bordo e está a aguardar vez para proceder à descarga.
A descarregar atum estava ontem a embarcação ‘Abençoada dos Mares’, enquanto outras aguardavam a sua vez.
Os mestres de pesca contactados pelo Correio dos Açores não escondiam, apesar do desespero da longa espera para descarregar, satisfação pelas grandes quantidades de atum voador que estão a aparecer no mar dos Açores. O atum voador está a manter os preços internacionais próximos dos 3 euros por quilo e o ‘Condor’ vai descarregar hoje para a Cofaco voador a 2.30 euros o quilo. Isto enquanto o atum patudo, por exemplo, de 30 quilos está a ser vendido em lota a preços que rondam 1.70 euros quando o ano passado o preço era de 2.30 euros.
Há entre os armadores há esperança de que se possam atingir este ano recordes na pesca de atum nos mares dos Açores, não só de voador e patudo como também de atum bonito, que começa a chegar em cardumes ao mar dos Açores em Julho. Então, é desejo de todos que se mantenha o preço do atum patudo nos 1.20 euros o quilo tal como aconteceu o ano passado.
Estas quebras nos preços dos atuns, que se podem acentuar nos próximos dias, são uma grande preocupação para armadores e pescadores que, já neste momento, lutam em duas frentes: manter os preços iguais aos praticados o ano passado, o que é difícil por depender da procura dos mercados e diligenciar junto do Governo dos Açores para prolongar até ao final do ano a isenção de taxas de lota e do entreposto frigorífico. Esta isenção, por deliberação do Conselho do Governo, vai estender-se apenas até 19 de Junho.
O que tem acontecido, pelo que apurou o Correio dos Açores, é que os compradores açorianos chegam a preparar encomendas de peixe para os seus habituais clientes fora dos Açores que, à última da hora, por qualquer razão, cancelam a compra. Alguns dos compradores de peixe em lota nos Açores “estão também a atravessar dificuldades porque têm de congelar o peixe até de encomendas que prepararam e são canceladas”, disseram ao ‘Correio dos Açores’.


Porto de Abrigo põe em causa
decisões sobre o atum
 
Entretanto, a Cooperativa Porto de Abrigo enviou um ofício ao Secretário Regional do Mar, Gui Menezes, a “expressar a sua discordância pelo facto da Lotaçor não estar a permitir a descarga de atum aos Sábados, Domingos e feriados, com contratos de abastecimento directo entre armadores e as empresas de comércio de pescado, uma das razões que terá levado ao congestionamento de ontem na lota de Ponta Delgada de embarcações para descarga. 
A Porto de Abrigo manifesta “igualmente discordância” pelo de, “relativamente ao conjunto de espécies altamente migradoras como é o caso dos atuns, seja reduzido o esforço de pesca a 15 dias mensais” isto quando em Ponta Delgada existe um entreposto frigorífico com câmaras com capacidade para congelar 1.200 toneladas de pescado e de congelamento de 30 toneladas por dia. Segundo a Cooperativa Porto de Abrigo, “só se justifica a redução do esforço de pesca nas espécies costeiras, demersais e de águas profundas, que apresentam algumas fragilidades”. 
Sublinha a Cooperativa que “existem necessidades de abastecimento das fábricas de conserva, que tem registado um aumento da procura resultante da actual situação de pandemia”. 
Mais, acrescenta a Porto de Abrigo, “refere-se que para efeitos de transbordo do pescado das embarcações para as viaturas, basta à Lotaçor dispor dum funcionário nos portos de descarga”. 
A Cooperativa termina o ofício convencida de que o Governo dos Açores “não deixará de instruir à Lotaçor no sentido de proceder às medidas necessárias param a superação desse problema”.

                                                 

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Autor: João Paz

Categorias: Regional

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