Carta aberta pede consenso

“É preciso ter a coragem política de passar do discurso do medo para o discurso da coragem e de retomar a economia”, alerta a UGT/Açores

É numa carta aberta enviada à Assembleia Legislativa Regional, ao Governo Regional e aos líderes dos partidos políticos com assento parlamentar, que a UGT/Açores apela a um consenso político para que se avance o mais rapidamente possível com a agenda para a retoma económica e social.
O Presidente da UGT/Açores, Francisco Pimentel, recorda que o Governo Regional pediu a colaboração de todos na preparação da agenda da retoma, que irá ditar a definição de critérios para uma saída segura da pandemia de Covid-19, mas agora é necessário que haja consenso para “com segurança, de forma progressiva mas rápida, se darem sinais claros, para não sermos confrontados com uma nova pandemia económica e social que pode desestruturar de forma impressionante e radical, a realidade dos Açores”.
Francisco Pimentel lembra que a nível internacional e nacional já há sinais de abertura da economia e que os Açores correm o risco de ter de lidar, depois da questão da saúde pública, com “uma recessão económica e social, que seria a pior coisa que poderia acontecer agora numa Região como a nossa, que tem uma economia dispersa e que depende dos meios de transporte aéreo e marítimo para o seu desenvolvimento”.
Em causa está o “desemprego galopante, a perda de rendimento, a pobreza e pessoas a recorrer ao Banco Alimentar e à Cáritas para atacar as sequelas que isso vai trazer para o sector social açoriano”, e que poderá representar 22 mil pessoas desempregadas até final do ano. Isto quando a agenda para a retoma já está pronta mas ainda não foi dada a conhecer.
E “cada dia, cada mês, que passa corremos o risco se não houver uma resposta para a retoma da economia e do emprego, corremos o risco de falência de centenas de empresas e muitas delas pequenas e médias empresas e milhares de postos de trabalho eliminados”, alerta o Presidente da União Geral de Trabalhadores dos Açores. 
Sem dados oficiais sobre o número de empresas que recorreu ao lay-off, a UGT/ Açores acredita que estejam nesta situação cerca de 10 mil pessoas e que até final do ano podem evoluir para o dobro. Por isso apela a que a Região “olhe para esta realidade e resolva atacá-la rapidamente senão vamos ter um grave problema económico e social”.

Turismo e restauração
O sector do turismo e da restauração serão os que estarão em grandes dificuldades já que não deverão retomar durante este ano “se não se derem sinais claros” de que há segurança. Francisco Pimentel recorda, por isso, uma proposta apresentada na passada Sexta-feira na reunião do Conselho Económico e Social em que a UGT pediu a substituição das quarentenas por um certificado ou atestado Covid-clean, em que quem quisesse vir para os Açores pudesse fazer, nas 3 a 4 horas anteriores à viagem, os testes de despiste, “apresentar à chegada e fazer turismo”.
Para Francisco Pimentel a razão é simples: “ninguém vem fazer turismo aos Açores enquanto continuarem a existir as quarentenas, que neste momento lá fora não existem”, nem que seja por 48 horas. “Se não forem dados sinais já, nomeadamente na área do turismo, não vamos ter as pessoas a marcar férias, inclusive residentes açorianos no continente que gostariam de vir aos Açores mas ninguém está para vir para fazer quarentena, nem que seja 48 horas. Ninguém vem fazer turismo aos Açores para ficar 48 horas num hotel e fazer três testes seguidos. Isto é uma loucura”, afirma.
A UGT/Açores defende que é preciso garantir a segurança dos açorianos, “que pensamos neste momento estar garantida”, mas reforça que acima de tudo é preciso “ter a coragem política de passar do discurso do medo para o discurso da coragem e de retomar a economia”.
Coragem política é o que se quer para atacar agora esta pandemia económica e social, tal como tem sido feito no território continental e por toda a Europa, por “quem tem consciência de que se não se retomar rapidamente a economia, o que vai acontecer é entrarmos numa recessão que para recuperarmos dela, serão precisos avultados, muito avultados meios financeiros, para os quais os governos, e neste caso o governo regional, não terá meios suficientes para fazer face”.
Desconfinar
Francisco Pimentel alerta que a França e a Alemanha e os países da Europa Central estão já a desconfinar, a abrir a economia, e quando a Europa “aprova uma “bazuca” como diz o Senhor Primeiro-Ministro, para apoiar a economia, é porque as pessoas têm consciência que o combate à pandemia, que foi necessário, criou um problema grave económico e social e é preciso que a economia retome o mais rápido possível”. Se isso não acontecer rapidamente, as empresas que conseguiam aguentar os seus trabalhadores durante os primeiros dois meses não vão conseguir aguentar muito mais tempo e “vão abrir falência inevitavelmente e os trabalhadores que perderam rendimento de lay off poderão saltar para o desemprego”. 
É por isso que a UGT/Açores apela ao governo para colocar rapidamente em discussão pública a agenda para o relançamento económico e social dos Açores, para que se combate agora a outra pandemia que coloca em risco a economia açoriana. Francisco Pimentel elogia a “responsabilidade e participação cívica e voluntária dos próprios cidadãos que acataram as regras”, quer de distanciamento social, confinamento e do uso de máscaras, por isso o sucesso do combate à Covid-19 nos Açores. 
“Do Governo da República estão a dar agora sinais para a retoma da economia e de abertura do espaço aérea nacional e europeu já em Junho, do que estamos à espera para fazer o mesmo aqui nos Açores?”, questiona Francisco Pimentel para quem “sem acessibilidades aéreas e marítimas, a retoma da economia e do emprego é uma falácia”.
O Governo Regional endereçou no final de Abril aos partidos políticos, associações e demais entidades, um pedido com contributos para o “roteiro para uma saída segura da pandemia da Covid-19” para que depois se defina a “agenda para o relançamento económico e social da Região Autónoma dos Açores”, que vai nortear quer o conjunto de medidas a aplicar em diversas áreas quer o calendário dessa mesma aplicação, mas que ainda não foi apresentada. 

 

Print
Autor: Carla Dias

Categorias: Regional

Tags:

Theme picker

Revista Pub açorianissima