Na conferência realizada ontem a partir do Solar dos Remédios, em Angra do Heroísmo, Tiago Lopes afirmou que a Autoridade de Saúde Regional não pretende, pelo menos para já, alterar a medida que prevê que médicos especialistas oriundos do exterior da Região cumpram um período de isolamento profilático de três dias antes de poderem iniciar as suas práticas em cooperação com o Serviço Regional de Saúde.
Assim, independentemente do descontentamento que possa partir da Ordem dos Médicos ou de unidades sindicais, o Director regional da Saúde adiantou aos jornalistas que mesmo com o teste de despiste realizado e comprovativo da não infecção pelo novo coronavírus, esta é uma medida importante para salvaguardar a saúde pública a nível regional, tendo em conta o cenário vivido em Portugal continental.
“A decisão que tomámos foi pela salvaguarda da saúde pública ao nível da Região, tendo em conta o contexto epidemiológico no território continental que se encontra ainda em fase de mitigação, e com algumas dificuldades no que diz respeito a casos de infecção pelo novo coronavírus em unidades de saúde e em profissionais de saúde.
Prova disso foi o que aconteceu no Hospital de Santa Maria, no Serviço de Pneumologia, e atendendo a isso não podemos deixar de salvaguardar a saúde pública da Região”, indicou, não considerando por isso a opção de alterar a medida.
Na origem do descontentamento está o eventual atraso que este isolamento profilático possa ter no decorrer das consultas e exames previstos no Serviço Regional de Saúde, embora Tiago Lopes afirme que os atrasos existentes “não se verificam por três dias”.
“É normal que essas condições sejam questionadas por parte dos profissionais de saúde e diferentes representantes como as Ordens ou as entidades sindicais, mas não tínhamos nada e estamos agora a reiniciar com as devidas condições de segurança que podem ser vistas como demasiado zelosas, mas entendemos que são as mais adequadas”, adiantou.
Por outro lado, apesar da decisão firme, admitiu que o evoluir da situação epidemiológica do surto tanto a nível regional como a nível nacional podem originar a revisão desta medida no seu devido tempo.
Outro tópico que foi ontem abordado na segunda conferência de imprensa desta semana foi a questão de o Governo Regional e a Autoridade de Saúde estarem já a rever a possibilidade de serem feitos mais voos de e para os Açores, assunto ao qual não acrescentou muito mais do que o que já foi comunicado por Vasco Cordeiro.
“Relativamente a isso, o presidente já disse o que está a ser feito. Ou seja, estamos a planear essa retoma dentro do planeamento que está a ser feito mas não irei divulgar o que está a ser preparado porque precisa de ser decidido e comunicado num momento próprio, atendendo à realidade epidemiológica a nível regional e a nível nacional”, disse o director regional.
“Até lá o que se mantém em vigor é o que todos conhecem relativamente às restrições às ligações aéreas e marítimas na Região. Todos sabemos que temos uma companhia aérea a fazer ligações para o exterior da região, nomeadamente para Portugal continental, e para esses casos já foi divulgado quais os procedimentos a ter para os passageiros que aterrem tanto no aeroporto de Ponta Delgada como no aeroporto das Lajes, na ilha Terceira”, esclareceu ainda.
Em relação aos passageiros que desembarcam em Ponta Delgada ou nas Lajes, Tiago Lopes acrescentou que a opção de isolamento que mais tem sido escolhida é a de fazer quarentena voluntária numa unidade hoteleira.
No que diz respeito àqueles que cumprem o isolamento social no domicílio, a Autoridade de Saúde Regional fez saber que, através dos contactos próximos que mantém com as forças de segurança, não têm sido reportadas situações de incumprimento do distanciamento físico e social.
“No contacto bastante frequente e próximo que temos com as forças de segurança, não nos tem sido reportada qualquer situação de incumprimento de distanciamento físico e social, até porque muitos dos casos que temos tido conhecimento têm optado pelo cumprimento da quarentena voluntária em unidade hoteleira, mas até ao momento apenas passou uma semana desde o início da entrada em vigor destes procedimentos.
As pessoas estão também a adaptar-se e a colocar as suas questões relativamente aos procedimentos, a procurar muitas das vezes ultrapassar essas situações, mas dentro dos últimos dias penso que é uma situação que tem corrido relativamente bem”, indicou.
Ao ser questionado se as pessoas devem começar já a frequentar os espaços que reabriram mais recentemente, como espaços comerciais e restaurantes, Tiago Lopes afirmou que sim e que os açorianos parecem sentir-se à vontade, de uma forma geral, com o novo regresso à normalidade.
“Aquilo que tenho visto diariamente é que a população não parece ter qualquer tipo de receio ou medo de circular na via pública ou de retomar essa actividade e de se deslocar a espaços que até há poucos dias tinham a sua acessibilidade restrita. Tenho visto várias pessoas mesmo na via pública que utilizam as máscaras cedidas pelo Governo Regional, e é com satisfação que vejo a população um pouco ávida a voltar à normalidade e à normal circulação sem medo ou receio”, disse.
No que aos estudantes açorianos diz respeito, que se vêem impossibilitados de regressar às suas ilhas, e perante as constantes indignações, Tiago Lopes afirmou que o Governo Regional tem feito esse trabalho ao longo das últimas semanas, nas quais “vários estudantes têm regressado e outros irão regressar ao longo das próximas semanas”.
Pescadores estão também a ser testados ao vírus
Continuando aquele que tem vindo a ser o trabalho da Autoridade de Saúde Regional em matéria de testes, ultrapassando já a linha dos 17 mil testes efectuados na Região, Tiago Lopes afirmou ontem que também os pescadores se encontram a ser testados para despiste da infecção pelo novo coronavírus.
Assim, a par dos testes efectuados em estruturas residenciais para idosos, unidades de saúde e escolas, por exemplo, também os pescadores têm sido testados para salvaguardar a sua segurança quer no momento em que iniciam o trabalho, quer quando retomam a terra e às suas famílias.
“Todos sabemos que estamos perante uma actividade com diferentes particularidades e necessidades, e nesse sentido tivemos também oportunidade de articular isso.
Muitos dos tripulantes das embarcações são residentes na Região, outros não, estão há vários dias no mar, e tem que haver nesses casos uma rotatividade das tripulações, uns terem que sair para outros terem que entrar e devemos salvaguardar as devidas condições para que possam regressar à sua terra cientes de que estão sem a infecção provocada pelo novo coronavírus”, explicou.
Contudo, o trabalho de rastreio irá continuar uma vez que haverá “muitas mais pessoas para testar” no futuro, adiantou o Director Regional, aproveitando o momento para fazer “uma saudação” a todos os que tornam a recolha e a análise possível, uma vez que “as últimas semanas têm sido “desmesuradamente trabalhosas para todos”, elogiando as cerca de 900 análises feitas no espaço de 24 horas.
No dia de ontem, conforme indicou, existiam oito casos suspeitos de infecção pelo novo coronavírus e 17 casos positivos activos, entre eles cinco profissionais de saúde e ainda a funcionária de uma escola que recentemente testou positivo no primeiro teste e que num segundo momento obteve resultado negativo.
No entanto, é considerada pela Autoridade Regional como um caso positivo activo e por isso cumprirá os 14 dias de vigilância para proceder à sua recuperação. No que aos internamentos diz respeito, Tiago Lopes indicou que três doentes continuam hospitalizados no HDES e que os restantes 14 se encontram em contexto domiciliário.
J.P.