24 de maio de 2020

O regresso do “filho pródigo”

Avançado Cristiano Magina está de volta ao Angrense

O atacante Cristiano Toste Magina, nascido a 29 de Agosto de 1987 (32 anos), na Freguesia do Porto Judeu, Concelho de Angra do Heroísmo, está de regresso ao emblema que o lançou para a ribalta do futebol das ilhas de bruma - o Sport Clube Angrense.
Magina efectuou o processo de formação no Sporting Clube "Os Leões", dando os primeiros pontapés na bola na época 2000/01 (escalão de juniores "C"). Permaneceu no grémio leonino durante seis temporadas - até ao escalão de juniores "A".
Na campanha 2006/07, com 19 anos, mudou-se de armas e bagagens para o Angrense, permanecendo na Rua de São João durante 11 temporadas consecutivas. Em 2017/18 transferiu-se para o Sport Clube Praiense. Durante quase três épocas defendeu o emblema da cidade de Nemésio, até que, já este ano civil, aceitou uma proposta do Sport Clube Marítimo. Porém, a Covid-19 levou ao cancelamento do Campeonato de Futebol dos Açores, daí que tenha permanecido na Graciosa apenas duas semanas.

Experiência e ambição

Em declarações ao Diário Insular, Cristiano Magina mostra-se encantado com o retorno ao Angrense. "O regresso ao Angrense foi, na verdade, um processo fácil. É um clube que sempre me tratou bem e ao serviço do qual obtive conquistas importantes. Entendi que estava na altura de terminar a minha aventura no Campeonato de Portugal e que o próximo passo na carreira seria estabilizar num nível mais abaixo. Neste contexto, estavam reunidas as condições para aceitar a proposta do Angrense. Foi o que aconteceu e, como é evidente, estou bastante satisfeito", nota.
O avançado admite que também recebeu uma proposta do Grupo Desportivo das Fontinhas, emblema que compete no Campeonato de Portugal.
"Recebi com orgulho o convite do GD Fontinhas. Conversámos, mas a minha decisão estava tomada, embora estejamos perante um clube sério, ambicioso e responsável. Ponderei todas as possibilidades e senti que o Angrense era, de facto, a melhor opção. Queria abraçar um projeto menos desgastante em termos de viagens, o que, contudo, não deve ser confundido com falta de ambição", explica.
Para que não restem quaisquer dúvidas, o goleador faz questão de sublinhar que "os objectivos que pretendo são idênticos aos do Angrense, ou seja, vencer jogo a jogo e procurar a subida. Não sei qual será o discurso do Angrense para o exterior, mas, internamente, vamos, com certeza, querer somar o maior número possível de vitórias. Mantenho intactos os meus níveis de ambição, embora colocando-os ao serviço do colectivo".
Navegando no tempo, Cristiano Magina reconhece que não ter alcançado a subida ao futebol profissional ao serviço do Praiense é uma mágoa difícil de ultrapassar.
"Sim, existe uma mágoa profunda, levando em linha de conta que foram três épocas de muito trabalho, suor e lágrimas. Tudo fizemos para chegar à Liga 2, algo que o clube merecia pelo esforço despendido. Por exemplo, a eliminação, em casa, na época transata, aos pés do Casa Pia, doeu imenso. Acabámos quase sempre por morrer na praia. Atendendo à qualidade das nossas prestações, julgo que foi altamente injusto, mas o futebol é mesmo assim. Por vezes, não vence quem merece", opina.
"Gostava de deixar claro que fui sempre bem tratado no Praiense. Nada tenho a apontar aos treinadores, colegas, dirigentes e adeptos. Foi uma ótima experiência, faltando apenas a almejada ascensão à Liga 2. Deixei o clube pelas razões que são do domínio público, mas sem qualquer rancor", adianta.

Dar o salto

Considerado um dos melhores jogadores açorianos da última década, Magina reconhece que lhe faltou dar o salto para outros patamares. "Olhando para o meu percurso, chego à conclusão que reunia condições para atingir voos mais altos. A verdade, porém, é que as oportunidades não surgiram. Sempre fui uma pessoa muito agarrada à ilha. Se calhar, podia, e devia, ter feito mais para que as oportunidades aparecessem. Não aconteceu, paciência. O importante é continuar em frente e de cabeça erguida", sustenta.
Apesar da idade, o nosso interlocutor entende que ainda tem muito para dar ao futebol. "Sinto-me motivado e altamente empenhado. No imediato, quero abraçar o projeto do Angrense de corpo e alma. Trabalhando com seriedade e marcando golos - afinal, aquilo que as pessoas esperam de mim -, estarei a dar e a receber do futebol. Independentemente da idade, o importante é manter um espírito positivo. Podem contar com o melhor Magina", fica a promessa.
O artilheiro acredita que a sua "experiência e maturidade" podem ajudar a fazer a diferença, "num plantel de reconhecida qualidade mas muito jovem, em face da tradicional aposta do clube na formação", remata.

 

Dupla goleadora

 

Há quem defenda que Cristiano Magina e Vasco Goulart podem fazer uma das melhores duplas ofensivas da edição vindoura do Campeonato de Futebol dos Açores. Magina concorda, mas diz que o mais importante é o colectivo: "O Vasco é um óptimo atleta. Tanto eu como ele vivemos de golos. Acredito que somos compatíveis, o que pode ser excelente para ambos e, acima de tudo, para o Angrense. No entanto, o fundamental é o colectivo. Só trabalhando bem enquanto equipa é que as individualidades podem sobressair. Teremos que remar todos para o mesmo lado, em defesa do clube que representamos. O objetivo é dar alegrias aos sócios e adeptos", assume.  

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Autor: CA

Categorias: Desporto

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