Alojamento Local com quebras de receita superiores a 27 Milhões de Euros e altas taxas de cancelamentos

Um estudo desenvolvimento pela Associação de Alojamento Local dos Açores identificou quebras de receitas de 70%, o que representa mais de 27 Milhões de euros, e elevadas taxas de cancelamentos nas reservas, havendo proprietários a estimar cancelamentos entre 75% e os 100%.
“Todos os cancelamentos efectuados dão devolução total do valor da reserva ao hóspede, não existindo qualquer retorno para os proprietários”.
 A Associação do Alojamento Local dos Açores realizou um inquérito a todos os proprietários de Alojamento Local dos Açores, em que foram respondidos 405, representando 857 registos de Alojamento (cerca de 30% dos registos totais).
Com realização deste estudo, a associação pretendeu ter uma visão do panorama do impacto que o Covid-19 está a ter no sector; se algumas medidas implementadas pelo governo, para a área, estão a ser aproveitadas pelos proprietários; e de possíveis propostas para ultrapassar esta difícil altura.

Maioria previa 50%

78% Dos Al’s, segundo o inquérito, tinham uma previsão de ocupação anual superior a 50%, antes do início da pandemia., o que “comprova que iríamos ter um ano com taxas de crescimento iguais a 2019” e “demonstra a preparação e investimentos que foram efectuados (em época baixa) de modo a preparar este aumento de ocupação”, afirma o presidente da Associação da Alojamentos Locais, Rui Correia.
 A grande maioria dos proprietários dos Alojamentos Locais inquiridos indicou que, neste período de pandemia, “consegue manter as suas portas abertas, mesmo não havendo actividade, com os apoios disponibilizados pelo Estado e o complemento da região, ou com outros rendimentos e poupanças”.
Os restantes Alojamentos Locais manifestaram que “terão que fechar definitivamente o seu espaço, praticar arrendamento de longa duração ou mesmo vender a propriedade, encerrando a sua actividade definitivamente”.
As respostas ao inquérito “também evidenciaram que, aqueles que querem se manter no negócio, acreditam que a atribuição do selo Clean & Safe e das suas orientações de boas práticas, criam confiança no mercado, sendo uma solução recente e reconhecível”.
73%  dos inquiridos “não recorreram a qualquer tipo de apoio”, o que “pode demonstrar dois cenários possíveis: não recorreram porque o apoio não os abrangia, uma vez que a grande maioria são ENI e sócios-gerentes; e haver grande sustentabilidade do sector, que mesmo numa crise no turismo, a grande maioria consegue manter a sua actividade aberta sem recorrer a qualquer tipo de apoio, devido a outros rendimentos e poupanças existentes”
Segundo os inquiridos, sendo o mercado nacional “o nosso maior mercado, torna-se claro que pode ser a solução mais imediata, tanto a curto como a médio prazo. Mesmo assim, do total de inquiridos, 14% não acredita que o mercado nacional seja solução, possivelmente por trabalhar unicamente com operadoras internacionais e o seu produto estar direccionado para este mercado”.
Quando se coloca a questão do mercado regional,  24% dos inquiridos acredita que os micaelenses possam ser solução para os Alojamentos Locais de outras ilhas que representam 46% dos AL’s.  
O Alojamento Local, “foi desde a sua criação, uma ferramenta não só de criação de valor para as famílias que o gerem, como de dinamização de toda a economia local e regional, afirma o presidente da Associação de Alojamento Local, Rui Correia
Nos Açores, foram os AL’s que “suportaram o boom que se seguiu fruto da liberalização do espaço aéreo, uma vez que não haviam camas suficientes para atender a todo o turismo gerado nesta altura. E neste momento representa cerca de 57% do total de camas existentes na Região”.
Agora, “neste panorama nunca antes ponderado, temos novamente a capacidade de ser flexíveis e de contribuir para a sustentabilidade do mercado de acomodação, com a sua retoma gradual e a sua contribuição para reactivar as economias locais, dependentes do turismo em várias vertentes, afirma Rui Correia.

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Autor: CA

Categorias: Regional

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