Redefinição de caso suspeito por Covid-19 volta a incluir critério epidemiológico

Até ontem na Região, para se considerar um caso suspeito por infecção à Covid-19 eram apenas tidos em conta os critérios clínicos. Ou seja, qualquer pessoa que tivesse sintomas de base de infecção respiratória era testada o mais rapidamente possível para despiste. Passou a ser assim depois de ter sido identificado o primeiro caso positivo na Região, a 15 de Março, de alguém que provinha do exterior. Porque antes eram tidos em conta os critérios epidemiológicos e clínicos. Ou seja, quando os primeiros casos começaram a surgir em Portugal a Região começou a incluir como suspeito quem chegasse à região vindo de uma zona de transmissão local activa. 
Com o fim das quarentenas e com a situação na Região controlada, onde apenas se verificam ainda dois casos positivos activos em São Miguel, há que ter em atenção quem chega do exterior e das zonas onde haja transmissão local. Na conferência de imprensa de actualização da situação na Região, a Autoridade de Saúde Regional explicou que irá voltar a redefinir os critérios para caso suspeito por possível infecção pelo novo coronavírus. 
“Quando fizemos a primeira alteração da definição de caso suspeito, em que introduzimos o território continental como área de transmissão local, permitiu identificar o primeiro caso positivo na Região”, começou por explicar Tiago Lopes que acrescentou que o critério epidemiológico acabou por ser retirado da equação. “Agora, com o contexto epidemiológico em que não detectamos casos positivos nas últimas semanas apesar dos rastreios, não nos leva a crer que na Região possam existir casos que possam provocar algum surto inesperado”, referiu a Autoridade de Saúde Regional que indica que por essa via vai voltar a ser introduzido o critério epidemiológico. “Para diferenciar sobretudo aqueles que chegam à Região e que provenham de áreas de transmissão local e que façam soar os sinais de alarme e testar o mais precocemente possível para despistar as possíveis infecções”, explica uma vez que o espaço áereo volta a receber voos com alguma regularidade para São Miguel e para a Terceira.

“O pior já passou”
Apesar de alterar a definição de caso suspeito, Tiago Lopes indicou que ao nível da Covid-19 na Região “o pior já passou” embora haja necessidade de se ter em conta uma possível segunda vaga da doença. 
“Foi uma fase de aprendizagem que todos tivemos de passar”, referiu a Autoridade de Saúde Regional que indicou que houve necessidade de levar a população “para ir ao encontro das orientações e recomendações que fornecemos, dentro do que era o nosso conhecimento do novo coronavírus. Preparámos num curto espaço de tempo, em pouco mais de um mês, unidades de saúde, empresas e a população para lidar com uma pandemia”. Uma pandemia que se revelava noutros países como “um perigo a atender” e que “à custa da capacidade de adaptação da população” a Região soube responder. 
Tiago Lopes adianta que “não podemos prever o futuro de forma matemática. Estamos a preparar-nos para uma eventual segunda vaga que possa surgir e não podemos afirmar com toda a certeza que não virá. A acontecer um novo pico do surto estaremos mais bem preparados para dar uma melhor resposta do que foi esta primeira fase”.

A Região em números
Até ao momento estão activos na Região dois casos positivos por infecção do novo coronavírus, tendo-se registado 16 óbitos e 128 recuperados. 
Nas últimas 24 horas foram realizadas 272 análises realizadas nos dois laboratórios de referência da Região sem que revelassem novos casos positivos de Covid-19. 
Há ainda 576 casos que aguardam resultado ou recolha de amostra biológica sendo que 574 fazem parte de rastreios que estão a ser realizados na Região e apenas dois se enquadram nos critérios clínicos.
Há actualmente 63 pessoas em vigilância activa. 
Carla Dias

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Autor: CA

Categorias: Regional

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