Praias de Ponta Delgada com nadadores-salvadores a 15 de Junho

ANSA desejava ter mais tempo para se adaptar às novas regras das zonas balneares de Ponta Delgada, Lagoa e Vila Franca


Apesar de não considerar tardia a publicação do manual de utilização e gestão das zonas balneares dos Açores na época balnear 2020, tendo em conta o actual contexto referente ao novo coronavírus, Roberto Sá, Presidente da Associação de Nadadores Salvadores dos Açores (ANSA), afirma que “numa situação ideal” os nadadores salvadores teriam mais tempo para se adaptarem a estas medidas.
Em causa, conforme explica, estão “todas as diferenças que irão existir” no desempenho da profissão de nadador salvador, devido também à nova forma de estar que os banhistas terão de adoptar sempre que forem às zonas balneares, principalmente aquelas que são vigiadas.
“Estamos no início da nossa preparação e estamos a trabalhar com os nossos nadadores salvadores e com as recomendações que nos foram transmitidas. (…) Obviamente que numa situação ideal desejávamos ter mais tempo para trabalhar todas as diferenças que irão existir no nosso trabalho, mas felizmente a ANSA já existe há dez anos e durante todo esse tempo temos vindo a formar os nossos nadadores salvadores de uma forma contínua”, diz Roberto Sá salientando esta vantagem.
Entre estas principais diferenças está a forma de interagir com os banhistas em caso de afogamento, conforme já foi anunciado a nível nacional pela Federação Portuguesa de Nadadores Salvadores, apelando, por exemplo, para que os nadadores salvadores não entrem na água.
Porém, conforme salienta, esta é ao que tudo indica uma recomendação já existente, uma vez que para além do salvamento dentro de água existem outros métodos igualmente eficazes, embora com recursos diferentes.
“O que a Federação Portuguesa de Nadadores Salvadores disse é que o nadador-salvador deve evitar fazer salvamentos dentro de água, mas isso já acontecia antes. Quando tiramos a nossa formação há um conjunto de procedimentos que devem ser tidos em conta para não colocar em causa a vida do banhista e a vida do nadador-salvador. 
Se for possível um nadador-salvador não entrar na água e salvar um banhista que se esteja a afogar através do lançamento da nossa bóia circular será mais seguro para o nadador-salvador e para o banhista”, explica. Para além disto, outra das diferenças existentes estará na forma como serão realizadas as insuflações em caso de paragem cardio-respiratória, recorrendo às compressões necessárias e a um insuflador manual para que seja feita a reanimação “sem que exista contacto com a vítima”.
Já está decidido que a época balnear nas praias do concelho de Ponta Delgada vai abrir no dia 15 de Junho mas Roberto Sá diz que ainda não tem data para abertura das épocas balneares em Vila Franca e Lagoa, apesar da câmara municipal lagoense já ter anunciado a baerutra no dia 20 do corrente.
No que diz respeito às medidas previstas na circular publicada pelo Governo dos Açores, onde se prevê que os banhistas mantenham entre si uma distância compreendida entre os 1,5 metros e os 3 metros, nos casos em que há chapéus de sol, o presidente desta associação refere que embora não faça parte do papel do nadador salvador, que deve sobretudo estar atento ao mar e às pessoas que nele entram, este não poderá virar as costas a algum conflito. 
“Se um banhista chegar perto de um nadador salvador e disser que alguém está muito próximo e que não está a cumprir essa distância o nadador não pode virar as costas a esse assunto e irá aconselhar a cumprir esse distanciamento. Se isso não for cumprido, o nadador salvador deverá ligar para a Autoridade Marítima para que esta intervenha”, refere.
Mesmo com estas regras, Roberto Sá acredita que as pessoas não irão ganhar medo em ir à praia, pelo contrário. Factores como o confinamento dos últimos meses e o facto de não existirem casos positivos activos conhecidos deverão influenciar o número de pessoas que optarão por fazer o seu desconfinamento na praia com família e amigos.

Época balnear 2020 com menos 
9% dos nadadores salvadores

Tendo em conta a paralisação que ocorreu em todos os sectores, também os nadadores salvadores foram afectados pela chegada do novo coronavírus, nomeadamente através da impossibilidade de dar seguimento aos cursos que surgem todos os anos e que trazem novos elementos para a associação.
Assim sendo, a Associação de Nadadores Salvadores dos Açores vê-se assim com menos 9% dos nadadores salvadores que tinha no ano de 2019, embora o Instituto de Socorros a Náufragos (ISN) tenha renovado automaticamente a validade dos cursos que entretanto caducavam, o que não impediu que alguns destes jovens recusassem a oportunidade devido a outras opções profissionais e pessoais. “Temos menos 9% dos nadadores salvadores que tínhamos no ano passado. Felizmente, para quem o curso caducava em 2020 e tinha que fazer nova reciclagem e mesmo para os que caducavam em 2019, o ISN estabeleceu que esses cursos ficavam automaticamente renovados. Ou seja, felizmente temos esses nadadores salvadores para trabalhar esta época balnear”, explica. Numa associação com a dimensão da ANSA, Roberto Sá explica que este número mais reduzido causará alguns constrangimentos, principalmente nas ilhas mais pequenas que há vários anos têm carência de nadadores salvadores nas suas zonas balneares.
“No ano passado, exceptuando a ilha de São Miguel e a ilha de Santa Maria, as outras ilhas não tinham nadadores suficientes para trabalharmos à vontade. Havia a necessidade de em 2020 fazer uma boa formação para termos mais nadadores salvadores com quem trabalhar, mas com a situação da Covid, não havendo cursos e com a redução no número de nadadores salvadores obviamente que será mais difícil gerir as escalas destes profissionais”, conclui.
                                    
                                    

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