Presidente da República nos Açores

Partidos apreciam visita de Marcelo ao Nordeste mas há os que não esquecem a manutenção dos voos para a Região

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, esteve em São Miguel durante a tarde de Domingo onde visitou o concelho do Nordeste, o mais afectado pela pandemia da Covid-19 e onde enalteceu os profissionais de saúde do Nordeste. Marcelo Rebelo de Sousa valorizou o facto da Região não registar nenhum caso activo de Covid-19, garantiu que visitaria a Região em Agosto, fomentando o turismo interno, e disse ser possível manter as eleições regionais em Outubro dada a situação epidemiológica nos Açores. 
Uma visita acolhida “com gosto” pelo Presidente do Governo Regional, Vasco Cordeiro, que acompanhou Marcelo Rebelo de Sousa ao Nordeste e onde agradeceu o “acompanhamento que quer directamente, quer através do Representante da República” fez da situação da pandemia da Covid-19 na Região. 
Também o Partido Socialista, pela voz do Presidente do Grupo Parlamentar, Francisco César, viu com satisfação esta visita do Presidente da República aos Açores, destacando esta deslocação em três palavras. “A primeira é o reconhecimento pela situação actual dos Açores, no panorama nacional e até no panorama europeu”, já que a Região é um caso “muito raro” de zero casos de Covid-19. “É um facto que fomos a primeira Região do país que tem zero casos e o Senhor Presidente da República veio ao Nordeste e reconheceu esta particularidade”, explicou Francisco César que salientou que a segunda palavra que caracteriza esta visita é homenagem. “Marcelo Rebelo de Sousa fez uma homenagem ao trabalho das açorianas e açorianos que foi realizado no sentido de podermos combater esta doença. Foi o comportamento, o civismo e a dedicação quer de profissionais de saúde, das forças de segurança, da protecção civil, da administração pública, do Governo dos Açores e da população açoriana em geral, que permitiu que pudéssemos ultrapassar esta tormenta. Uma outra homenagem tem a ver com as vítimas, que esta doença nos trouxe e que todos lamentamos”. A terceira palavra é de “estímulo ou incentivo”, para que se pudesse “apontar o caminho da retoma, continuarmos a realizar o trabalho que foi feito, e o incentivo para podermos evitar que esta doença possa voltar aos Açores na mesma intensidade”, referiu. 
O Partido Socialista refere que a Região tem duas tarefas pela frente: “a reactivação económica, em termos de colocar a economia em funcionamento nomeadamente na área do turismo e o senhor Presidente da República até deu uma ajuda particular incentivando as pessoas com a sua vinda futura”. Já a segunda tarefa prende-se com o recuperar do que foi perdido ou posto em pausa “durante esta fatalidade. Nos casos de saúde menos urgentes, casos da economia para nos tornamos mais eficientes, termos abertura ao exterior que estamos a ter, tranquila”, explicou Francisco César que acrescentou que sobre a manutenção das eleições regionais em Outubro a posição do PS sempre foi no sentido de se realizarem. Até porque a situação epidemiológica da Região tem permitido que aos partidos realizar “a sua normal campanha e que a democracia esteja a funcionar normalmente” e por isso não haverá motivo para adiar as eleições. 

“Demonstrar solidariedade”

Também o Vice-presidente do PSD/Açores, Pedro Nascimento Cabral, registou com apreço a visita de Marcelo Rebelo de Sousa ao Nordeste, uma vez que veio demonstrar “toda a solidariedade” para com os habitantes do concelho. 
Dada a “política de grande proximidade” que o Presidente da República tem mantido ao longo do mandato, o PSD/Açores destaca a importância de ter transmitido uma “palavra de solidariedade e amizade” aos nordestenses que viveram mais de perto com a pandemia na Região. 
Pedro Nascimento Cabral salienta que o facto da Região ter zero casos activos de Covid-19 demonstra “que os açorianos cumpriram e foram devidamente escrupulosos no cumprimento das regras impostas pela Direcção Regional de Saúde e evitar esta contaminação. Dando nota que os açorianos são um povo resiliente e cumpre com as obrigações de cidadania impostas pelos órgãos de governo próprio”. E por isso a promessa de Marcelo Rebelo de Sousa voltar em Agosto, como cidadão, para passar alguns dias na Região “relança os Açores no todo nacional como sendo um destino muito importante para os próximos tempos em que a liberdade dos portugueses estará mais restringida ao nosso país. Como tal, realçando que a Região está livre de Covi-19, convida os portugueses a passarem as suas férias nos próximos tempos nos Açores”. Quanto à data das eleições em Outubro, Pedro Nascimento Cabral diz que não há nada que impeça que a data se mantenha já que a situação “está controlada” na Região e não haverá indícios de uma segunda vaga desta pandemia. 

“Saúdo que pense como nós”

Do lado do CDS/PP, o Presidente do Grupo Parlamentar, Artur Lima, entende que a visita de um Presidente da República aos Açores é sempre “motivo de satisfação e reconhecimento da nossa Autonomia que é preciso sempre exortar e levar mais longe e é preciso não esquecer que somos Região Autónoma e devemos ser respeitados enquanto tal”. 
Perante a intenção de Marcelo Rebelo de Sousa visitar os Açores a nível pessoal para férias, Artur Lima saúda que “o Senhor Presidente da República pense como nós” e que o seu discurso vá no sentido “daquilo que o CDS sempre defendeu” de um desconfinamento seguro, realçando que nunca tentou “incutir medo às pessoas”. O líder do CDS/PP destaca que o partido sempre apoiou as medidas que o Governo Regional tomou no início para a contenção da pandemia, mas “a determinada altura começámos a achar que era preciso desconfinar, dar segurança às pessoas e por a economia das ilhas a funcionar. Há alguns erros que o Governo tem de corrigir e o tempo urge e o Governo está estagnado de tomar algumas medidas, para as quais o CDS alertou”, nomeadamente no âmbito do contributo do partido ao Governo para o “roteiro para um desconfinamento seguro da Região Autónoma dos Açores”.
Sobre as eleições regionais se realizarem em Outubro, Artur Lima entende que a manter-se a situação epidemiológica da Região como está, “se o Governo for capaz de assegurar as ligações aéreas inter-ilhas com mais regularidade, que já o devia ter feito há mais tempo, julgo que não há nenhuma razão para não se realizarem eleições”. E salienta que até agora o CDS esteve preocupado em colaborar com o Governo “em sairmos de fora segura da pandemia. Mas, quando alguns partidos queriam encerrar a Assembleia Legislativa Regional, o CDS impôs-se e esteve na linha da frente a defender que a democracia não está suspensa. O nosso pensamento é o mesmo. Se tudo correr como está a correr, julgo que não há nenhum motivo para se alterar as eleições a decorrer em Outubro”, referiu.
“Que continue a acompanhar”

O Presidente do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda, António Lima, também vê como positiva a visita do Presidente da República à Região para “inteirar-se da realidade açoriana”. No actual contexto da pandemia Covid-19 a presença de Marcelo Rebelo de Sousa “reveste-se de uma importância acrescida. Esperamos que o Senhor Presidente da República continue a acompanhar a situação na Região, não só quanto ao evoluir da pandemia, mas também da situação social e económica”, manifestou António Lima. 

“Valorizar o Serviço Regional de Saúde

O PCP através do coordenador do partido, Marco Varela, entende que mais do que “comentar a agenda do Presidente da República” e a sua visita aos Açores, importa valorizar o papel do Serviço Regional de Saúde e dos seus profissionais, na gestão da pandemia. “Na Região estamos como estamos, sem casos de Covid-19, e chegámos a esta situação pelo profissionalismo e dedicação de todos os profissionais de saúde”, refere Marco Varela.
Relativamente à retoma económica, e da promessa de Marcelo Rebelo de Sousa de visitar os Açores em Agosto, entende que “achamos que essa retoma deve assentar na valorização dos serviços públicos, dos seus profissionais, nomeadamente em relação à saúde, educação, em termos um combate à precariedade, os direitos dos trabalhadores, o sector público empresarial regional, a produção regional nomeadamente pesca e agricultura, que para nós são a base e o apoio aos micro e pequenos empresários. São a base para a retoma da economia”, destaca o coordenador do PCP.

“Não assumiu responsabilidade”
segundo o PPM

O PPM, através do líder da representação parlamentar, Paulo Estevão, não viu com bons olhos esta visita de Marcelo Rebelo de Sousa à Região. “Consideramos que o Presidente da República tem uma grave responsabilidade em relação à posição centralista da realização dos voos para os Açores e quando os órgãos de Governo próprio lhe pediram, foi solicitado ao Governo da República e Presidente da República que esses voos não deviam realizar-se num período crucial para evitar o contágio na Região”, referiu Paulo Estevão que lembra que até Portugal fechou fronteiras com Espanha mas aos Açores não foi permitida a interrupção de voos. 
Paulo Estevão entende que Marcelo Rebelo de Sousa “se manteve ao lado” da decisão do Governo da República no que diz respeito ao princípio da continuidade territorial, assumindo isso mesmo no decreto presidencial que declara o Estado de Emergência “e isso é muito criticável”. Além de que na visita de Domingo ao Nordeste Marcelo Rebelo de Sousa “não assumiu responsabilidades, não pediu desculpa por ter tomado essa decisão. Não queremos alguém que diga que os Açores são muito bonitos e quando é necessário tomar uma decisão, a sua acção política nos beneficie e não foi o caso, nem assumiu responsabilidades”. 
Para o PPM, Marcelo Rebelo de Sousa “não assumiu nenhum compromisso palpável quanto ao apoio que os Açores terão no futuro, para enfrentar esta situação. O país vai receber um contributo muito importante por parte da União Europeia, e era importante que ficasse garantido que fossem canalizados para os Açores, para enfrentarmos esta situação”, disse.
Palavras de simpatia foi o que ficou desta visita do Presidente da República a São Miguel “mas nada em concreto”. E Paulo Estevão entende que “os açorianos começam a tomar a percepção que são palavras muito simpáticas mas que naquilo que interessa, nas medidas concretas que se tomam em relação aos Açores, o Senhor Presidente da República nunca está a favor dos Açores e a tomar decisões que beneficiam os Açores”, concluiu.

“Não precisamos de embaixador turístico,” diz Graça Silveira

A deputada independente na Assembleia Legislativa Regional, Graça Silveira, considerou “repentina e intempestiva” a visita de Marcelo Rebelo de Sousa e que apenas se justifica com as palavras do Presidente da República numa entrevista onde responde, a propósito das eleições regionais, que “era preciso ter cautela, que a Região continuava com o seu espaço aéreo fechado, que não havia voos inter-ilhas, e que ia ter de avaliar com calma como se iria processar o desconfinamento dos Açores e que só depois disso tomaria uma decisão”.
Graça Silveira entende que Vasco Cordeiro “não tem qualquer interesse” em ver adiada a data das eleições de Outubro, e quando deu como terminadas as quarentenas a quem chegasse à Região e o retomar dos voos inter-ilhas, “quis mandar uma mensagem a dizer que a Região estava em franco desconfinamento e é Marcelo Rebelo de Sousa que decide vir intempestivamente para constatar que os Açores estavam em franco desconfinamento e disse que se a Região continuasse assim, não haveria necessidade nenhuma de adiar o processo eleitoral”. 
Sobre a visita de Marcelo Rebelo de Sousa no Verão aos Açores, Graça Silveira entende que “neste momento, a última coisa que os Açores precisam é de um embaixador turístico, o que os açorianos precisam é de um Presidente da República em exercício de funções. E não em pré-campanha. Enquanto Presidente da República teve muito pouca magistratura de influência naquilo que verdadeiramente interessava e quando foi preciso. Nomeadamente quando a região quis fechar o espaço aéreo e Marcelo Rebelo de Sousa disse que não era da sua alçada e lavou as suas mãos, qual Pilates”. 
Graça Silveira também não viu com bons olhos a deslocação de Marcelo Rebelo de Sousa no Falcon quando “os estudantes açorianos estão há meses com dificuldades a querer voltar, inclusivamente escreveram uma carta para que Marcelo Rebelo de Sousa intercedesse por eles para voltarem, mas nem sequer se dignou a responder a esses estudantes. Isso diz muito do interesse do Senhor Presidente da República em proteger os açorianos”, concluiu.   

              

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Autor: Carla Dias

Categorias: Regional

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