11 de junho de 2020

A talho de foice…

O silêncio dos inocentes

Se nem em liberdade posso ser livre, de nada serve a porta aberta se não posso sair. Por vezes sinto-me como o canário na gaiola, que mesmo aberta a porta espreita o gato e que o medo da morte ou a sorte por ela é mais forte do que a vontade de voar. Esta democracia não serve se a minha boca está selada, poderão ter-me cortado a língua, mas não o pensamento. Vivemos numa sociedade baseada nos subsídios que castram o desenvolvimento e a capacidade criativa, subsidiando o produto final, quando deveria apoiar a sua base, ou seja a criação do mesmo. Apoiar a não produção, é apoiar a economia de outro país que assim se tornam mais forte e dominante. A opinião pública generalizada é que a situação dos apoios prestados pelo Estado levará muitas empresas à falência, porém, como cada um tem um gato escondido com o rabo de fora o silêncio torna-se inocente, sendo a melhor arma ou argumento utilizado. Não poderei concordar com a anarquia dos apoios a tudo e a todos, quando, quem necessariamente precisa tem o acesso dificultado aos mesmos, porque a burocracia criada, as regras e normas, facilitem a organização e ou a empresa de quem tem poder e posses em detrimento do pobre. O pobre cada vez mais pobre e o rico cada vez mais rico, esquecendo a criação da cadeia de valor que começa na produção e na matéria-prima e não no produto acabado. Grande parte da responsabilidade das crises económicas que a Europa viveu deve-se à desvirtualização destes princípios. Com a mobilização das linhas de produção primárias para países, onde a mão-de-obra mais barata permitiam baixar o preço de custo, mantendo o preço de venda, criando margens astronómicas, permitindo ganhos que apenas eram proveitosos para as administrações, esquecendo que o consumidor no país de origem tinha perdido o seu posto de trabalho e como tal o poder de compra. Conclusão; produzia-se a bom preço e com qualidade para um mercado, o Europeu, que tinha perdido o poder de compra. Continuamos a dar tiros nos pés, a ganância e a fome pelo poder e pela posse de bens matéria, a fome pela riqueza desmedida, sem que seja tido em conta uma posição de equilíbrio, levará novamente à falência os países que não apostarem numa economia assente numa base sustentável. Apoiar a restauração, que servirá a um número reduzido de clientes, face às medidas, pagando-lhe o diferencial da quebra de produção, em nada garantirá o futuro nem a sustentabilidade da mesma. Atualmente vivemos no silêncio conveniente, como o gato debaixo da mesa que tranquilamente aguarda que caiam migalhas e que sem esforço lhe garantem a refeição. Devemos ter a consciência que todos iremos pagar mais tarde esta fatura, porque mais tarde ou mais cedo alguém irá cobrá-la. A Comunidade Económica Europeia, não dá almoços de graça, de modo que, o país que não puder liquidar no futuro as suas contas viverá subjugado e sufocado à mesma, como já aconteceu, em que recebemos milhões de euros para aniquilar as vinhas, as pescas, a agropecuária e a agricultura, entre outras industrias de base, passando à dependência. Os subsídios são a nova droga dos governantes, que administrados em doses certas, criam dependência, tornando-nos numa sociedade subsídio-dependente. Não devemos aceitar a esmola em forma de subsídio de qualquer forma, sobre qualquer pretexto. Certamente que num determinado período do processo ele irá proporcionar o alavancamento da economia, mas o mesmo deverá ser suspenso ou redirecionado para outras vertentes, logo que esta atinja a maturidade. Nem sempre a facilidade de uma resposta rápida é a melhor solução, porque quem não semeia jamais irá colher.
 

Manuel Carreiro

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Autor: CA

Categorias: Opinião

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