No Dia Mundial do Dador de Sangue

Dar sangue: O simples gesto que salva vidas e melhora a saúde e qualidade de vida de muitos doentes

Dadores benévolos e voluntários
A emergência e a indispensabilidade de que cada país se organize para assegurar internamente os recursos do sangue de que necessita – e até, certamente, para lutar contra o esclavagismo e a corrupção que grassam no seio das principais multinacionais que se dedicam ao negócio do sangue - levou mesmo a Organização Mundial de Saúde a proclamar o propósito de que, já em 2020, as dádivas de sangue, em todos os países, sejam completamente benévolas e não remuneradas.
O Dia Mundial dos Dadores de Sangue é também ocasião propícia para esclarecer as populações sobre muitas das dúvidas e alguma ignorância sobre os requisitos exigidos e os procedimentos a seguir relativamente à recolha, aspectos que as poderão levar a retardar o momento de se disponibilizarem para aderir ao nobre e generoso propósito de se iniciarem como dadores benévolos de sangue.

Requisitos do dador
Comecemos por esclarecer que é potencial dador de sangue quem tiver entre 18 e 65 anos de idade, pesar mais de 50 quilos, gozar de boa saúde e tiver hábitos de vida saudáveis.
Relativamente ao que se pode ou não fazer depois de dar sangue, basicamente é simples: devem-se beber líquidos em abundância, não se pode conduzir por 30 minutos, não se pode fumar por duas horas e não se pode beber álcool por 12 horas.
Deve desde já esclarecer-se que a dádiva benévola de sangue sendo um acto de sublime solidariedade, não é prejudicial à saúde e pode contribuir para melhorar ou salvar uma vida - inclusivamente a do próprio dador.
A recolha de sangue é feita por pessoal qualificado e nas condições técnicas e higio-santárias recomendadas, sendo executada somente após avaliação do histórico do promitente dador com vista a detectar eventuais itens inibitórios.
Nunca é retirado do corpo sangue de que ele precise. O organismo humano tem a capacidade de reconstituir em algumas horas o volume de sangue que lhe foi retirado com a dádiva, sendo no próprio local da dádiva cumpridas algumas medidas para, com toda a segurança, assistir o dador, garantir o seu bem-estar e acelerar o processo de recuperação.

Conteúdo e significado da dádiva
Para que cada um saiba o que vai acontecer ao produto da sua dádiva que, em regra, não vai além dos 450 mililitros na forma de sangue total, esclareça-se que, após a colheita, o sangue é testado e separado nos seus principais componentes: Concentrado Eritrocitário (a parte vermelha), Plasma (a parte amarela) e Plaquetas (as células da coagulação). 
Cada um daqueles componentes tem diferentes funções terapêuticas, aplicando-se numa grande diversidade de patologias.
Deverá ter-se consciência de que, em todo o processo de dádiva de sangue  - que, em regra, tem a demora média de cerca de 30 a 40 minutos - não há qualquer possibilidade de contrair quaisquer doenças, pois todo o material utilizado é esterilizado e descartável.
Escrito isto, e na expectativa de que os leitores terão ficado minimamente sensibilizados para iniciar esta empolgante caminhada de se tornarem dadores benévolos de sangue, importa saber se reúnem ou não requisitos fundamentais para serem avaliados para tão sublime gesto, com o qual acrescentarão uma maior razão de viver – a de não nos fecharmos em nós próprios, mas, sim, darmos uma valiosa parte de nós aos outros!

Potenciais dadores de sangue
Fundamentalmente, são potenciais dadores benévolos de sangue quem reunir os seguintes requisitos: Ter hábitos de vida saudáveis, idade compreendida entre os 18 aos 65 anos (até aos 60 anos se for a primeira dádiva), o peso mínimo de 50 kg e, ainda, quem não tenha história de transfusões após 1980 nem efectuado tatuagens e/ou piercings há menos de 4 meses e quem não tenha feito exames endoscópicos há menos de 4 meses.
 Refira-se, por último, que os homens podem dar sangue de 3 em 3 meses e as mulheres de 4 em 4 meses. Outras situações que não possibilitam a dádiva de sangue serão avaliadas, caso a caso, no decurso da entrevista anterior à própria doação, com avaliação do inquérito preenchido e consentido no momento da inscrição para a dádiva.
Antes de nos propormos a dar sangue devemos ainda ter em conta que a doação pode ser feita de quatro em quatro meses pelas mulheres e de três em três meses pelos homens.

Sangue – tipos e factores RH
A nossa deslocação ao local de recolha pode ainda ser mais profícua se conhecermos os diferentes tipos de sangue e de factores RH e a compatibilidade entre eles. Assim:
Os tipos de sangue que existem são A, O, que são os mais comuns, AB e B, que são mais raros.
As pessoas com sangue do tipo O podem doar sangue para qualquer pessoa, mas só podem receber doações de pessoas com o mesmo tipo de sangue. Por outro lado, as pessoas do tipo AB podem receber sangue de qualquer pessoa, mas só podem doar para pessoas com o mesmo tipo sanguíneo.
Já pessoas com sangue do tipo A podem doar apenas para outras do tipo A ou tipo AB, assim como as do tipo B só podem doar para B e AB.
Para além dos tipos de sangue, existe o factor RH, que determina se o tipo de sangue é positivo ou negativo e influencia na compatibilidade sanguínea. Assim, pessoas com sangue positivo podem receber de pessoas com qualquer RH, mas só podem doar para outras com sangue positivo. Enquanto que, se o sangue tiver RH negativo, podem doar para pessoas com sangue positivo ou negativo, mas só podem receber negativo

Proteger dadores e receptores
Um aspecto importante a observar, tendo em conta a protecção do dador e do receptor/doente, o promitente dador deverá responder, com verdade, consciência e responsabilidade, a todas as questões que lhe são colocadas, consciente de que vai ser avaliado por um profissional de saúde qualificado que determina a sua elegibilidade para a dádiva de sangue, através de uma avaliação clínica e exame físico (medição da pressão arterial e determinação do valor de hemoglobina).
Sempre que fizer ou repetir uma dádiva benévola de sangue, é também importante, para além do que fica escrito, ter presentes algumas regras que terão de ser cumpridas, nomeadamente:
Aumentar o consumo de líquidos nas 4 horas seguintes; Evitar a exposição solar prolongada;
- Não consumir bebidas alcoólicas no dia da colheita e fazer apenas refeições ligeiras; Não fumar nos 30 minutos seguintes; Manter uma ingestão elevada de líquidos nos 3 dias seguintes para a completa normalização do volume sanguíneo; Nas 12 horas após a dádiva não fazer exercício físico intenso nem realizar actividades que possam pôr em risco a sua vida, ou a dos outros; Não permanecer em locais pouco ventilados ou muito quentes.

Estranhas e graves opções
Os hospitais debatem-se frequentemente com falta de sangue, o que pode dificultar a prestação de cuidados de saúde a doentes que dele necessitam. O caso dos Açores, face à descontinuidade territorial e aos imponderáveis dos acessos, presentemente quase dependentes do exterior, têm entre mãos um problema que urge resolver: apetrecharem-se tecnicamente com equipamentos para tratar o sangue recolhido na Região, sob pena de, em futura situação de pandemia, como aquela de que estamos a sair, nem haver aviões para nos socorrerem com o sangue de que precisarmos, preparado pelas multinacionais gigantes no negócio do sangue. 
De certeza de que não há dinheiro que pague termos a garantia de dependermos exclusivamente de nós. É verdade que o Estado é que sabe onde quer gastar o seu dinheiro, quais são as suas prioridades. Mas quando o Estado ignora as prioridades do povo – que também é Estado mas que nada decide – é então esta parte que, como sempre, paga a factura mais dolorosa…
Os hospitais e os seus doentes dependem – ou deveriam depender - totalmente da disponibilidade e da solidariedade dos dadores.

Dar sangue é partilhar a vida
Nos Açores e no país todo, somos dadores voluntários e benévolos. E basta que menos de um por cento da população seja dadora benévola para que as carências do país sejam supridas. 
Mas o que se vê é, muitas vezes, o sangue nacional ir para a incineração, ao mesmo tempo que somos abastecidos pelas multinacionais que esclavagizam, que corrompem, que, grande parte delas, se aproveitam da fragilidade dos povos, dos dirigentes, dos governantes da maioria dos países do mundo.
As comemorações do Dia Mundial do Dador de Sangue, que hoje se celebra, são em Portugal lideradas pelo Instituto Português do Sangue e da Transplantação, IP (IPST), nas mesmas se empenhando nomeadamente diversas organizações relacionadas com a Saúde, Associações de Dadores de Sangue e a sua própria Federação e, ainda, muitos grupos autónomos de dadores e outras entidades nacionais sensíveis à causa da doação benévola de sangue, fazendo o que hoje se vai fazer em todo o mundo, ou seja, organizar eventos e actividades para celebrar a data, sensibilizar para a necessidade de dar sangue e agradecer a todos os que, dando sangue a quem precisa, partilham a vida!

José Nunes
 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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