14 de junho de 2020

Com a mudança no horizonte

1 - O Presidente da República resolveu deslocar-se à Região numa viagem relâmpago para, no Nordeste, juntando o Presidente do Governo e acolitado pelo Representante da República, procurar atar os laços que “rebentaram” em plena pandemia devido a omissões cometidas pela República, que em desespero invocou, despropositadamente, o santo nome da continuidade territorial, coisa que o mar imenso que nos separa se encarrega de demonstrar que tal continuidade é um sofisma para a reafirmação do poder central que perdura em actos e omissões.  
2 - Marcelo Rebelo de Sousa, com a argúcia de sempre, dourou a pílula, respondendo sem responder às questões colocadas pelos jornalistas e prometendo voltar em Agosto como promotor do turismo com o selo de “Azores free da Covid-19”.
3 - O Presidente da República procurou, em três horas, enterrar o contencioso entre a Região e a República, mas só o futuro dirá se foi uma aposta ganha.
4 - Três dias depois, Marcelo Rebelo de Sousa, no dia 10 de Junho, interpelou várias vezes os políticos, os governos, e os cidadãos perguntando: “Percebemos mesmo o que se passou e se passa ou preferimos voltar ao passado? Percebemos mesmo que a pandemia foi global, exacerbou egoísmos e intolerâncias, parou economias, refez fronteiras, congelou comércios ou pensamos que tudo foi um exagero político e mediático?”
5 - Depois lançou desafios: “Temos, nos meses e anos próximos, de mudar o que é preciso mudar, com coragem e determinação, ou preferiremos remendar, retocar, regressar ao habitual.”
6 - Muitos são os especialistas que defendem que nos próximos cinco anos vai haver uma nova ordem mundial. 
7 - Edward Fishman, investigador adjunto do Centro para uma Nova Segurança Americana, e que trabalhou com a equipa do Presidente Obama, defende que a nova ordem determinará a existência de dois eixos.
8 -  A Globalização em si mesma terá de focar-se em problemas de acção colectiva, como as alterações climáticas, cibersegurança e pandemias. 
9 - Depois vem o eixo formado pelas democracias com afinidades que devem focar-se em questões ambiciosas entre as quais a desinformação, evasão fiscal e a desigualdade.
10 -  Conclui depois que a nova ordem mundial deverá levar a uma “retirada ordeira e pensada da globalização”, pois o período pós-pandemia justifica a criação de cadeias de fornecimento alternativas em que as infra-estruturas devam ser construídas entre as democracias com afinidades.
11 -  A Globalização, tal como foi concebida, aprisionou os vários países às cadeias de produção das grandes potencias, sobretudo, dos países emergentes como a China, Coreia do Sul, Índia, enquanto a União Europeia abdicou da sua capacidade cientifica e industrial, assim como do potencial gerado pela investigação, tudo em beneficio da produção em rede. Só que a China cresceu e tornou os demais países como seus dependentes.
12 - É a nova forma de escravidão global perigosa, como foi evidenciado com a crise pandémica que colocou tudo a nu. 
13 - Daí a necessidade de nos virarmos para dentro e pôr à prova a nossa capacidade, aproveitando os nossos recursos endógenos, criando uma verdadeira política alargada de substituição de importações, comprar produtos dos Açores, escolher sectores estratégicos para apostar na “reindustrialização”, e mobilizar os jovens talentos com vocação empreendedora para fazerem a nova “revolução” económica e social que os Açores precisam. 
14 - Essa “revolução” tem de ter um objectivo político forte e mobilizador, assente num plano de recuperação e de um novo modelo para a Região que devia estar a ser discutido e não está, ouvindo-se o contraditório dos partidos políticos e conclamando a sociedade para serem parte dessa nova ordem que terá de nascer assente nas nossas raízes e que terá de colocar o ser humano no centro da sociedade, para ser igual entre todos, seja ele branco, negro, amarelo ou vermelho, rico, remediado ou pobre. 
15 - Essa tem de ser a grande bandeira da Região. Só assim valerá os sacrifícios a que somos chamados a fazer.
 

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Categorias: Editorial

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