Diogo Teixeira Dias, técnico superior de Arqueologia e História na Câmara de Vila Franca, está a promover a “Conversa de Arqueólogos” da Fundação Sousa de Oliveira

“Combater as fakenews de que nos Açores está a Atlântida ou uma civilização fenícia”

Na semana passada, a sessão de sexta-feira foi dedicada a “Os Naufrágios nos Açores”, para a qual foi convidado o arqueólogo náutico e subaquático Alexandre Monteiro, que trabalhou na área da Arqueologia Subaquática dos Açores mais de dez anos, nomeadamente na Ilha Terceira. O ‘Correio dos Açores’ assistiu ao evento em Live Stream, no Facebook da Fundação Sousa de Oliveira, e falou posteriormente com os dois arqueólogos sobre o programa. Diogo Teixeira Dias é arqueólogo da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo e foi convidado a criar um evento em streaming pela Fundação, que substituísse os habituais “Clubes de História”, dadas as condicionantes impostas pela pandemia Covid-19 e que, no seu entender, “não deviam ser obstáculo à continuidade do trabalho pela Cultura, e muito menos um entrave à inovação”. Nessa medida, e tendo sido desafiado para o efeito, propôs as “Conversas de Arqueólogos”.

Correio dos Açores - Por que razão esta iniciativa?
Diogo Teixeira Dias - Esta iniciativa teve dois propósitos essenciais, assumidos já nalgumas sessões: divulgar o trabalho dos arqueólogos do país junto do público em geral, com uma linguagem acessível e combater as fakenews que insistem em andar a afirmar que nos Açores está a Atlântida ou uma civilização fenícia. E muitas pessoas acreditam nisso porque não sabem realmente como funciona a ciência arqueológica. E isso é, em primeiro lugar, culpa nossa (arqueólogos). Só em segundo lugar é que é culpa de quem, com razões que desconheço, usa o seu tempo para tentar enganar os açorianos acerca da sua História.
Daí promover uma visão alargada da Arqueologia em Portugal, do que ela é e do que ela não é, mas para as pessoas e não só para os arqueólogos. Se reparar, falámos de “Arte Rupestre” de “Epigrafia” de “Megalitismo”, entre outros temas, que não se cruzam com a História dos Açores. Foi propositado. Agora as pessoas que comparem os discursos e, depois, acreditem no que bem entenderem. A democracia fez-se para isso.

Até quando irão durar as “Conversas”?
Junho. No mês de junho terminaremos as sessões. Mas todas elas ficam automaticamente gravadas, pelo que ficarão disponíveis para o público até a Fundação entender.

Tem colaborado com frequência com a Fundação. Neste e noutros trabalhos, pelo que nos referiu. Sendo o seu vínculo à Câmara de Vila Franca do Campo, como se processa essa colaboração?
É verdade. Colaboro com a Fundação Sousa de Oliveira, graciosamente e com muito gosto, desde pelo menos 2017, quando era militar em Ponta Delgada. Umas vezes é por protocolo com a Câmara, outras é no meu tempo livre. 
Há uma ligação estreita entre a Vila e a Fundação, pelas razões que todos conhecemos. Sousa de Oliveira foi o primeiro arqueólogo a escavar nos Açores, e fê-lo em Vila Franca do Campo. De resto, já fiz o inventário sumário da coleção arqueológica da FSO, em 2019.
                                                               C.A.


 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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