17 de junho de 2020

A talho de foice…

A mentira

Mentir, é faltar à verdade ou prestar uma afirmação contrária, feita com a intenção de enganar alguém e que infelizmente é prática comum aplicando-se à maioria das pessoas que nos rodeiam. Embora por vezes a mentira tenha um cariz piedoso, ou seja, com a intenção de poupar alguém, por exemplo; um desgosto, uma tristeza, uma ofensa. A mentira é por vezes usada de forma a ludibriar e a ofuscar a outra parte para que esta sinta-se valorizada. Fazer acreditar em feitos e em actos que não se realizaram, é sinal de falta de confiança em si. Mentir sobre si é diferente de mentir sobre os outros, enquanto que ao mentir sobre si o indivíduo faz parecer alguém ou algo que não é, mentir sobre os outros valorizando-os é tornar importante o feito e torná-lo como parte sua, valorizando-se inequivocamente, enquanto que ao denegrir outra pessoa, é sobressair-se sobre os parcos dotes desta. O povo vive constantemente na mentira, porque lhe é mais fácil aceitar ou praticá-la do que ir contra aquilo que são os seus princípios morais e ideológicos. Viver em sociedade é das atitudes mais difíceis e aceitar os outros tal como são não é de todo tarefa fácil, pelo que, por vezes é mais simples e cómodo deixar-nos levar pela onda. Defender um princípio ou uma ideia poderá gerar conflito, desentendimento, isto quando o interlocutor não está ao mesmo nível, dai que em muitos casos optamos por nos calar e deixar que o outro tenha a sensação de vitória das suas ideias sobre nós. Em alguns casos somos vencidos pela força da ignorância, pelo desgaste emocional e físico que ela provoca. Não alimentar conflitos quando estes não acrescentam valor é sempre a melhor opção, prefiro passar por idiota do que estar a discutir com um pseudo iluminado, acredito que a vida e os caminhos trilhados por eles um dia os farão colocar no lugar. Atualmente a sociedade foi açambarcada por eruditos, que pelo dom da palavra barata e vulgar, ou seja, paleio, tomam posse em cargos de poder, liderando grupos de pensadores do vazio, como por exemplo as manifestações que temos assistido nos últimos dias, cujo mote é o racismo. Efetivamente o mundo já viveu uma época de racismo e de escravatura, que com o passar dos anos e com o amadurecimento das mentes, pela educação, pela leitura, conclui que somos todos iguais e como tal merecemos respeito e o direito à igualdade. Verifico e concluo que se vive sobre o designo de dividir para reinar, aproveitando-se desta situação os partidos mais à esquerda, cativando as mentes brilhantes do modernismo e da vanguarda que vagueiam pelas ruas da desorientação, acreditando que vivemos no mundo da Alice no País das Maravilhas, revertendo-lhes a razão e o poder do voto em usufruto. A mentira e a ofuscação da realidade uma vez mais na linha da frente do povo e da sociedade é uma das armas mais perigosas, porque dar razão a um idiota que se convence que a verdade vive em si e arrasta mais dois ou três, que pela argumentação fundamentada em boas práticas morais e sociais mas pela ausência total do sentido da sua realização, deita por terra qualquer teoria, prevalecendo a soberania da eloquência e do devaneio. Mentir, é resumidamente um ato praticado por alguém sem história, sem confiança, temerosa do abandono e da exclusão. Mentir, é ser alguém que não se é ou ser o que não é. 

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Categorias: Opinião

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