Agente cultural promove volta à ilha para recolha de bens alimentares para ajudar artistas sem trabalho e em dificuldades para sobreviver

Os Açores não apresentam actualmente qualquer caso positivo activo de infecção pelo novo coronavírus SARS-CoV-2 mas quando a Região teve casos, num total de 147, viveu-se no arquipélago, à semelhança de outros territórios, as medidas de confinamento obrigatório, o que levou ao encerramento de muitos estabelecimentos e consequentemente muitos trabalhadores a recibo verde ficaram sem trabalho e outros em lay-off. 
No geral, a situação vivida foi idêntica para todos, mas com a retoma económica não é assim. Há diferentes sectores de actividade a abrir gradualmente as portas. Uns têm trabalho, outros não, e aqui incluem-se os músicos, profissionais, Djs, promotores de eventos, entre outros. O Governo decidiu que não há a realização de eventos ao público até às 00h00 do dia 1 de Julho. 
Sem poderem trabalhar não realizam dinheiro, o que para quem não tem um pé-de-meia e vive das actividades sazonais, as dificuldades acresceram. Tal como outros trabalhadores, tiveram direito ao apoio excepcional da Segurança Social na ordem dos 180 euros, mas nem todos, como nos conta Ricardo Cabral. 
“Só tiveram apoio, como é sabido, os que não têm dívidas ao Estado (Segurança Social e Finanças), mas mesmo assim com o apoio dado o profissional tem de pagar a mensalidade à Segurança Social, ficando com muito pouco para si, na ordem dos 100 euros. Ora, para pagar renda, água e luz e alimentação é certo que esta verba não chega”. Numa plataforma oficial no Facebook foi recolhido quase cinco mil euros que foram distribuídos por 12 artistas em dificuldades. Mas mesmo sem Covid-19 o drama das famílias continua. Este mês, os artistas de Ponta Delgada em dificuldades  receberam um vale social no valor de 30 euros para fazerem compras num supermercado local. Outras câmaras estão a estudar o assunto. Contudo, isso não chega. Por isso é, à semelhança do que acontece no continente, a união audiovisual continua a recolha de alimentos. Em São Miguel, no próximo Sábado vai haver uma volta a ilha. À frente vão as bicicletas e uma carrinha, em três percursos diferentes, para cobrir a ilha toda, e recolher alimentos para os artistas. Quem quiser doar, apareça nos locais (ver caixa).
Ricardo Cabral é um agente cultural neste momento também sem actividade da sua empresa, pois os espectáculos  em que iria trabalhar como o Tremor, PDL White Ocean, entre outros, foram cancelados.Dentre os 12 artistas registados como estando em dificuldades, Ricardo Cabral destaca dois casos mais críticos, em que na mesma casa tanto a mulher como o marido estão sem trabalho. São casas onde não há praticamente rendimento nenhum. Há o caso de um DJ que está parado e a mulher em lay-off. Ela já retomou a actividade. Passaram por muitas dificuldades. O outro caso, é o de um músico e uma pintora, ambos ficaram sem poder trabalhar, o que também lhes trouxe dificuldades acrescidas.
Como agente cultural e promotor de eventos, Ricardo Cabral também tem nos casamentos uma actividade complementar, assim como muitos DJs e músicos, fotógrafos, só que este ano nem com este rendimento suplementar podem contar porque, como diz, os matrimónios foram adiados para 2021. Mas o próximo ano é uma incerteza. “É preciso que nós consigamos chegar lá. Na China, não havia casos de covid-19, e agora já estão a fechar as actividades porque já começaram a aparecer novos casos. Tudo é uma incógnita”.
Independentemente da rota solidária que vai haver no Sábado em São Miguel, quem pretender ajudar com alimentos esta comunidade de artistas pode contactar com Ricardo Cabral, através do número 962404833. “A pessoa contacta comigo, marcamos uma hora no armazém que tenho na Avenida Dom João III, e estarei lá para receber os artigos, que depois serão entregues aos que precisam. Temos tido alguns particulares a entregar alimentos, o que muito agradecemos. Há pessoas que têm preferido dar dinheiro para comprar géneros alimentícios, também aceitamos, e igualmente agradecemos”, remata o nosso interlocutor, sublinhando que “felizmente o povo micaelense gosta de ajudar os outros, senão a situação seria mais difícil”.
                   

Grupo1

10h00 Fajã de Baixo, Junta de Freguesia
10h30 Lagoa, Câmara Municipal
11h Água de Pau, Junta de Freguesia
12h00 Vila Franca, Câmara Municipal,
13h00 Furnas, Junta de Freguesia
14h30 Ribeira Quente, Junta de Freguesia
15h30 Povoação, Câmara Municipal
16h30 Faial da Terra, Junta de Freguesia
18h00 Água Retorta, Junta de Freguesia
20h00 Vila do Nordeste, Câmara Municipal .

Grupo 2

10h30 Fábrica da Finançor
11h Relva, Junta de Freguesia
11h30 Feteiras, Casa Cheia
12h30 Candelária, Junta de Freguesia
13h30 Ginetes, Junta de Freguesia
14h00 Várzea, Junta de Freguesia
15h00 Sete Cidades, Junta de Freguesia
16h00 Mosteiros, Junta de Freguesia
16h30 Pilar da Bretanha, Junta de Freguesia
17h30 Ajuda da Bretanha, Junta de freguesia
18h30 Santa Bárbara, Junta de Freguesia
19h00 Santo António, Junta de Freguesia
19h30 Vila das Capelas, Junta de Freguesia
20h30 São Vicente, Junta de Freguesia )

Grupo 3

10h30 Ponta Delgada, Câmara Municipal
12h00 Fenais da Luz, Junta de Freguesia
13h00 Rabo de Peixe, Junta de Freguesia
14h00 Ribeira Grande, Câmara Municipal
16h00 Porto Formoso, Junta de Freguesia
17h00 Fábrica de Chá da Gorreana
18h30 Freguesia da Maia, Junta de Freguesia
 

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