Empresários açorianos preocupados: “É hora de reunir as tropas”

“A situação do sector do turismo é de tal forma grave que o momento não é para criticar seja o que for, mas sim de reunir todos os recursos, para que todos se possam safar”. Esta é a opinião de um dos empresários do sector contactado pelo CE,  e dá “como exemplo o facto da TAP ter anunciado, e ter já programado, um “Stop-Over” em Ponta Delgada, em Novembro, no voo que vem de e para Toronto, e neste momento estão a ser contactados todos os hoteleiros e empresários ligados ao sector para se poder aproveitar esta situação e criar condições objectivas para poder atrair estes passageiros a ficarem aqui nos Açores. A maioria dos empresários mostrou total disponibilidade para fazerem pacotes promocionais para atrair esta faixa de mercado e todas as outras que possam vir a surgir”.
Outro  dos empresários contactados pelo CE apontou o dedo à promoção ou à falta dela. De acordo com a nossa fonte, ”a promoção dos Açores deixou há muito de ser feita, a cobro dos problemas na ATA. Aparentemente, a estabilidade na ATA voltou, mas o que se tem feito é muito pouco ou nada. Abandonou-se o contacto com os “Tour-Operadores” nacionais, que não têm lançado nenhuma campanha activa digna deste nome para os Açores, ao contrário do que estão a fazer a Madeira e o Algarve, e a própria região do Alentejo que está muito activa. Veja-se por exemplo o que o Algarve está a fazer para trazer a Fórmula 1 em Setembro e Outubro, embora ainda não se sabe se as provas vão ser abertas ao público. Sabemos do grande incremento das vendas “On-line”, mas a “Tour-operação” será sempre o barómetro da actividade”. 
Por outro lado, segundo ainda a nossa fonte, “estamos a demorar a reagir, como de costume, até porque a situação é bem complexa do que se percebe. A restauração, dependente do turismo, tem quebras de receitas de 80%, e os restaurantes, mesmo a funcionar, estão a perder mais dinheiro do que se estivessem fechados, ou seja, se não vierem pessoas de fora não vão sobreviver só com os locais”. 
Entretanto, o CE sabe que até os bancos já estão preocupados pois financiaram vários projectos de alojamento local, que estão ao abrigo das moratórias, mas os créditos vão ter que se pagar.

Quedas “históricas” afundam 
proveitos da hotelaria em 98%

Num mês em que Portugal estava em estado de emergência, as receitas da hotelaria praticamente desapareceram. Na retoma, as regiões de turismo tentam atrair os turistas nacionais, e no caso dos Açores a campanha esta semana lançada para privilegiar as férias nos Açores pelos açorianos, é aguardada com enorme expectativa.
Há empresários que, desde Março, têm receita zero, e os 2% que foram considerados reflectem apenas a actividade das unidades hoteleiras que estiveram abertas para que o Governo dos Açores fizesse o confinamento em S. Miguel, (três unidades) e na Terceira (duas).
Neste momento e com alguns hotéis já reabertos, o volume de reservas é, de facto, muito fraco, com os números de Julho a serem pouco animadores, e com os empresários preocupados com as notícias que vêm da China, onde, a confirmar-se uma segunda vaga do vírus Covid-19 será o ponto fina da operação deste ano. Começa a existir alguma expectativa a partir de Setembro e Outubro, mas, até lá, os números são, de facto, muito reduzidos.
 

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Autor: CA

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