Impacto da Pandemia nas Crianças e Jovens em Risco nos Açores

Há cerca de 3 meses fomos todos forçados a participar numa luta exigente e sem opção de recusa. 
Levantamos armas e crescemos em conjunto!
Da junção da motivação e determinação com a vontade de superar, nasceu o Movimento “Vai correr tudo bem com os lares”.
Atendendo às dificuldades e desafios que foram surgindo ao longo deste tempo, uniram-se esforços, e as Casas de Acolhimento Residencial de Crianças e Jovens da Região Autónoma dos Açores, assim como as Equipas Técnicas de Apoio às Casas de Acolhimento Residencial do Instituto da Segurança Social dos Açores disseram Presente. 
Abriu-se um espaço de partilha, reflexão e crescimento conjunto, com o contributo imprescindível dos nossos convidados residentes, a Dra. Maria Laureano, Pedopsiquiatra do Hospital Pediátrico de Coimbra e Diretora Clínica do Cdija e do Dr. Rui Godinho, Diretor para a infância e Juventude da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, a que se juntaram o Diretor Regional da Saúde, Enfermeiro Tiago Lopes, a Procuradora Coordenadora da Comarca dos Açores, Dra. Conceição Lopes, o Dr. Miguel Pinto Barros, Psicólogo Clínico e Psicanalista, a Dra. Joana Cerdeira da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens, e a Dra. Rute Agulhas Psicóloga Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde, Psicoterapia e Psicologia da Justiça, Terapeuta Familiar, Perita forense e Docente Universitária.
Ao longo das reuniões realizadas surgiram questões muito pertinentes, sendo que uma das ideias chave desenvolveu-se em torno de uma tranquila e pacífica aceitação do confinamento por parte das crianças e jovens acolhidas, bem como das suas famílias.
A equipa do Lar da Mãe de Deus, atendendo ao plano de contingência desenvolvido, dizia-nos sabiamente que “Passamos todos a calçar os mesmos sapatos” (…) “Estamos todos em pé de igualdade perante uma fragilidade comum”.
A descentralização do foco de atenção nas fragilidades destas crianças e jovens, poderá ter promovido uma retirada de pressão social associada às suas histórias de vida. 
A dificuldade passou a ser de todos nós, porque todos teríamos que combater e ultrapassar um obstáculo comum. 
De uma forma prudente e visionária, o Dr. Rui Godinho referia que “Estamos todos em órbita, mas não podemos manter este estado de anestesia universal para sempre”.
Neste sentido, e atendendo ao elevado número de interessados nos temas debatidos nas reuniões, terminamos o nosso projeto com um direto na rede social do facebook, onde tivemos a oportunidade de refletir acerca do “Impacto da Pandemia nas Crianças e Jovens em Risco”.
Para refletir este tema tivemos como convidados a Dra. Maria Laureano, o Dr. Rui Godinho e a Dra. Rute Agulhas que nos proporcionaram uma pertinente e valiosa perspetiva acerca da importância da intervenção familiar, do trabalho em rede e do papel essencial da família na vida das crianças e jovens.
De forma preocupada o Dr. Rui Godinho refere que “As crianças que estão nas famílias com medidas de promoção e proteção, com poucas competências digitais e pedagógicas e muitas vezes em situação de desemprego e fragilidade social, ficaram muito sozinhas e muito invisíveis para o sistema, havendo um risco elevado de exclusão e de desigualdade”.
Neste sentido, a Dra. Maria Laureano adianta-nos que “mesmo neste período de férias que agora se avizinha, alguém que se sinta numa situação de maior vulnerabilidade contacte os diversos serviços que vai tendo na proximidade”.
Na perspetiva do Dr. Rui Godinho “Somos um animal social e precisamos de nos relacionar com os outros”.
Segundo a Dra. Rute Agulhas, esta pandemia resultou “numa avalanche de fatores de stress que as famílias receberam” (…) e “a crise pode ser uma oportunidade de patologia e de perturbação, mas também uma oportunidade de crescimento. Depende acima de tudo dos recursos internos associados à capacidade de resiliência (…) e dos recursos externos, nomeadamente a rede mais informal de apoio na comunidade e a rede formal. Esta é uma ferramenta muito importante e uma mais-valia na proteção das crianças e jovens”.
Capacitar e prevenir caminham de mãos dadas e foi mais uma das questões debatidas e refletidas. Segundo o Dr. Rui Godinho existem “lacunas do sistema de proteção. Temos muitos recursos na sinalização e na remediação, mas no trabalho intercalar não existe. Há que intervir e promover estratégias de proximidade às famílias”.
Aproveitamos para vos convidar a visualizar este momento de enriquecedora reflexão de uma forma mais permonorizada na página de Facebook do CDIJA.
Despedimos-mos com um sentimento de missão cumprida e com a máxima de que a adversidade pode tornar-nos mais forte.
Ligados, somos, sem dúvida, maiores!

Alexandra Gago da Câmara

Print
Autor: CA

Categorias: Opinião

Tags:

Theme picker

Revista Pub açorianissima