Mais de 300 pessoas regressaram ao Clube HL que pediu ajuda aos alunos e agora retribui com descontos vitalícios

No final de 2019 abria em Ponta Delgada um novo conceito de clube de saúde: o Clube HL Health Club, que passou de um espaço de pouco mais de 300 metros a funcionar desde 2015 no Hotel Antillia para um espaço de 2.600 metros quadrados com uma vasto leque de serviços associados. Um investimento de cerca de um milhão de euros, “totalmente suportado pela empresa”, e que era um projecto ambicioso para a Região já que “se apresentava como um dos maiores clubes privados do país com conceito Premium”. Ou seja, numa área total de 2.600 metros quadrados, o Clube oferece um vasto leque de serviços associados ao fitness, saúde e bem-estar. Paulo Ribeiro, Administrador do HL Health Club, explica que o espaço dispõe de uma área de 700 metros quadrados destinados às actividades de cardio-musculação, uma box de treino funcional, quatro estúdios de aulas de grupo, um gabinete de massagem desportiva, 220 metros quadrados de balneários premium, gabinete de nutrição, gabinete de avaliação e prescrição de treino, zonas lounge, e 500 metros quadrados de estacionamento coberto privado e gratuito para os clientes. Com a abertura do novo espaço, passou-se dos iniciais três profissionais em 2015 (que já eram 10 em 2017) para 23 postos de trabalho. 
Tudo corria bem ao novo clube que contava com 1.500 sócios activos e, na maioria dos dias, contabilizava 650 entradas diárias nestes primeiros meses de actividade após a transição para o novo espaço. “Cada vez mais as pessoas estão conscientes que a prática de exercício físico regular, é fundamental para uma melhor qualidade de vida e longevidade”, afirma Paulo Ribeiro que, juntamente com o Director Operacional João Tavares, referem que a procura divide-se entre a sala de cardio-musculação e as aulas de grupo. “Temos cerca de 400 aulas de grupo mensais e um horário alargado de funcionamento da sala de cardio-musculação” e dentro do conceito de aulas de grupo existem modalidades âncora nomeadamente Cycling, RPM, Bodycombat, Bodypump, GAP, Pilates e Power Yoga. 
Mas escassos meses depois de inaugurarem o novo projecto, a Covid-19 veio obrigar ao encerramento e “era tudo muito incerto, por isso tivemos de agir muito rápido e adaptarmo-nos à nova realidade”. Paulo Ribeiro conta que “durante o período em que estivemos encerrados, a nossa maior preocupação dividiu-se entre garantir a continuidade do clube, toda a nossa equipa e poder continuar a contribuir, embora à distância, para o bem-estar de toda a população”. É que, recorda, perante um cenário de incerteza e de confinamento “tendo sido fundamental e uma preocupação acrescida, manter o corpo e mente saudáveis, desta forma, fortalecendo o sistema imunitário, diminuindo a vulnerabilidade não só ao vírus, como ao desenvolvimento de outras patologias provocadas pelo sedentarismo e isolamento social”.
E foi aí que decidiram implementar “uma estratégia diferenciadora de acordo com a nossa visão e sensibilidade perante um contexto pandémico”, explica Paulo Ribeiro. Ou seja, durante três meses “apenas estivemos de porta fechada, porque continuámos a trabalhar” e continuaram a contribuir “para a saúde e bem-estar através da actividade física, disponibilizando para toda a população aulas, treinos e acompanhamento nutricional online gratuitos”. Continuaram a gravar as aulas, tal como já faziam antes da pandemia, e a transmiti-las em directo nas redes sociais e no youtube onde depois eram disponibilizadas. “Tivemos pessoas a assistir às nossas aulas a partir do Brasil e de França. Chegámos a muita gente desta forma”, refere Paulo Ribeiro que lembra que muitos clubes fizeram a mesma coisa mas as aulas apenas eram disponibilizadas aos seus alunos. 

Como aumentar liquidez?
Com as portas fechadas e sem cobrar mensalidades por um serviço que apenas estava disponível online, o HL Health Club optou por outra estratégia. Usou a seu favor a proximidade que existe entre os profissionais e os alunos, “que conhecemos a todos pelo nome” e através de um e-mail “apelámos ao bom senso e sensibilidade dos nossos alunos”. A direcção pediu que através de uma mensalidade voluntária, os alunos apoiassem o clube “com um valor simbólico que não seria o valor da mensalidade, para ajudar a manter o clube e a equipa, sem que tivéssemos de baixar postos de trabalho e garantir a reabertura”. Em troca prometiam retribuir todo esse apoio quando reabrissem. 
Os alunos ficaram sensíveis “e 90% apoiaram, porque aperceberam que este é um espaço que veio contribuir para a saúde e bem-estar. Acabamos por ser o clube de referência da Região, quer pela infra-estrutura, quer pela equipa qualificada”. Até porque, acredita João Tavares, “caso o clube não reabrisse, os alunos sairiam a perder porque 1.500 pessoas activas iam ficar sem espaço para treinar”. 
Mantiveram-se então três meses fechados, com aulas online abertas a todos, com as mensalidades voluntárias, “garantindo a equipa toda a trabalhar e pagar mesmo em lay-off”. Houve necessidade de tomar outras decisões: “as nossas despesas não foram as mesmas durante o período de encerramento, mas acabámos por ter despesas fixas mesmo fechados. Recorrermos às moratórias dos créditos, ao lay-off, à suspensão da renda do espaço durante este período porque o volume de facturação teve uma quebra. Mas isso foi um adiamento dos pagamentos, porque agora vamos ter de pagar”. Agora, refere João Tavares, “é que vai ser o teste real do mercado”. Ou seja, o HL reabriu portas a 8 de Junho e é preciso recuperar o tempo perdido com os juros e moratórias para pagar, além das despesas correntes.

Reabertura
Para essa reabertura, e por ser um espaço recente, houve regras impostas pelas autoridades de saúde que já eram cumpridas antes da pandemia. “Apenas tivemos que reconfigurar as nossas áreas de treino de acordo com as medidas de distanciamento e procedimentos de reserva online. As principais regras passam por manter o distanciamento físico de dois metros nas zonas comuns e três metros durante a prática de exercício, uso de máscara na entrada, saída e zonas comuns, desinfecção regular das mãos em todo o clube, desinfecção dos equipamentos antes e após utilização, proibição do contacto físico entre profissionais e alunos, recomendação de marcação on-line para todas as actividades e tempo de permanência no clube de 90 minutos”, explica Paulo Ribeiro.
A adaptação à nova “foi fácil”. Primeiro devido às necessidades de maior higienização e desinfecção do espaço, já que o clube sempre teve uma equipa de limpeza diária e “os alunos já estavam sensibilizados para desinfectar os equipamentos, mas agora da parte deles estão mais sensíveis e preocupados. Até cumprem por excesso”, explica João Tavares que acrescenta que houve necessidade de desactivar os secadores de mãos e por isso o consumo de papel subiu muito. 
Depois porque, por ser recente, o clube já tinha um sistema de tratamento de ar implementado de raiz “que faz a renovação do ar constante em todas as zonas do clube”. Mas fizeram a manutenção dos filtros do sistema de tratamento do ar, tal como recomendado pelas autoridades de saúde. 
As únicas medidas que tiveram efectivamente de adoptar foi o distanciamento. “Temos marcações no chão a incentivar os alunos. Nos estúdios de aulas de grupo foi onde sofremos maior quebra porque para obedecer aos três metros de distanciamento, e tivemos de reduzir muito a lotação” e agora todos os utentes fazem a marcação de aulas através de uma aplicação que já tinham. “Para evitar aglomerados, filas de espera, e só vêm se tiverem reserva. Há quem tente evitar horas de maior afluência”, explica João Tavares. 
O regresso “superou todas as novas expectativas” e logo no primeiro dia de reabertura “passaram pelo clube mais de 300 pessoas, que para nós foi muito gratificante o reconhecimento do clube como um espaço seguro. Durante estes primeiros dias, a afluência tem vindo a aumentar, assim como novas inscrições. De enaltecer também, a compreensão e cumprimento das medidas impostas por parte de todos os nossos alunos”. 
Apesar de ser um número bastante elevado para um só dia, Paulo Ribeiro recorda que antes da pandemia a média diária de alunos era de 650, logo reduziu a frequência para metade. Além disso, faz questão de frisar que as dimensões do clube permitem “toda a segurança” no distanciamento de quem regressa aos treinos. 
Houve no entanto quem pedisse para suspender as inscrições. “Um valor residual”, alguns por motivos profissionais porque nestes meses de confinamento viram alterada a sua vida profissional, e outros até pelo facto dos duches não estarem disponíveis logo no arranque da actividade, mas que agora já podem ser utilizados. 
“As restantes pessoas voltaram. Ficámos muito surpreendidos, achávamos que iriam recomeçar de forma gradual mas não desta forma”, refere Paulo Ribeiro que acrescenta que agora foram acrescentadas mais medidas compensatórias aos alunos que contribuíram com a tal mensalidade voluntária. E “estamos a conseguir retribuir todo o apoio”, seja através de serviços complementares no clube, seja com descontos vitalícios que acumulam com outros descontos. “Para nós é bom, porque acabamos por diluir esta retribuição ao longo dos meses e o aluno que nos ajudou, vai ser ajudado também”, afirma Paulo Ribeiro que deixa uma “mensagem de agradecimento em nome de toda a equipa HL a todos os nossos clientes que nos apoiaram e ajudaram a manter este projecto “de pé”. Fica a garantia que continuaremos com a mesma missão, profissionalismo e dedicação”. 

Ginásio vs Clube
E nem mesmo o facto de estarem localizados mesmo por baixo de um outro ginásio, impede Paulo Ribeiro e João Tavares de pensar no futuro. Aliás, garantem que apesar da especulação inicial de que o negócio “não iria correr bem” pela proximidade com outro ginásio, garantem que a relação “é excelente, somos bons vizinhos”. Garantem que os públicos-alvo são diferentes, “não interferimos um com o outro e respeitamo-nos”, o que já levou a que houvesse circulação de alunos entre um e outro ginásio. “Quanto mais movimento houver nesta zona, mais visibilidade tem cada um de nós”, acredita Paulo Ribeiro.
Os conceitos são diferentes e por isso também permite que haja essa separação de público. “Ginásio é onde se pratica mais o culto do corpo. E nós somos uma readaptação do conceito. Somos um conceito de health club, conceito de saúde que cada vez mais é o que predomina. Prestamos vários serviços, complementares à saúde e bem-estar. Massagens, nutrição, zona de refeições saudáveis”, explica Paulo Tavares.
Há público para todos, mas os responsáveis pelo HL gostavam que os conceitos pudessem ser separados também na legislação. “Até mesmo nos impostos acabamos por ser penalizados, pagamos a taxa máxima nos impostos, IVA a 18% quando uma consulta de nutrição é isenta de IVA, quando a fisioterapia é isenta de IVA. Nós que contribuímos directamente para a saúde, não somos vistos como tal”, refere Paulo Ribeiro. Ao que João Tavares acrescenta que “tem de haver uma diferenciação e critério de avaliação de clubes e ginásios, porque apesar de estarmos no mesmo ramo, nós temos outro conceito de saúde”. Não querem dizer “que os ginásios não promovem a saúde, e nem temos nada contra os ginásios”, mas promovem uma modalidade desportiva enquanto o conceito health club está mais vocacionado para uma visão integrada do corpo. 
“Essa diferenciação apenas é vista por quem escolhe estar connosco e quem conhece a nossa realidade. Perante o Governo não. Podia haver critérios específicos para diferenciar os clubes de saúde, do ginásio que quer exclusivamente trabalhar com atletas. São conceitos completamente diferentes. Somos vistos como um desporto e não como um elemento promotor da saúde”, conclui Paulo Ribeiro. 
E é este conceito integrado que tem cativado cada vez mais alunos, ou potenciais alunos, já que houve mais inscrições após a reabertura do HL. Mas primeiro estão os alunos de sempre que têm prioridade agora que as limitações de espaço assim o obrigam. Depois, os novos alunos vão sendo integrados aos poucos para que possam usufruir deste conceito único em espaço privilegiado e moderno.             

                                                  

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Autor: Carla Dias

Categorias: Regional

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