Pedro Melo, proprietário do restaurante e do hotel Alcides

“Antes desta paragem vendíamos uma média de 60 a 70 bifes por dia e agora vendemos apenas 15”

Vamos falar da pandemia de Covid-19 e dos seus efeitos no seu negócio. Como estão a correr as coisas na retoma?
Tivemos uma paragem de dois meses e meio no restaurante. Está a ser um arranque muito pesado. A máquina estava feita para um determinado volume de negócio e de um momento para o outro passamos a zero. O arranque é muito pesado. A engrenagem da “primeira mudança” foi muito difícil. Na primeira semana tivemos uma redução de 80% de clientes em relação ao ano passado, mas gradualmente temos vindo a recuperar. Como costumo dizer, e como o meu pai me ensinou, temos vivido muito dos amigos e se não fossem eles as coisas teriam sido bem piores.

Recorreram a algum tipo de apoio nesta fase, ao lay-off, por exemplo?
Sim, foi a única medida de apoio governamental a que recorremos. Actualmente ainda estamos com pessoal em lay-off. Temos o hotel quase todo em lay-off, e mesmo no caso do pessoal da restauração, porque sabíamos que iria ser um regresso difícil. Temos dois elementos que ainda não regressaram ao trabalho, que voltarão em Julho ou Agosto. 

Vai ter a necessidade de despedir funcionários?
Não. Não vamos despedir ninguém. 

Esta semana, foi apresentado um programa de apoio à restauração pela autarquia de Ponta Delgada. Este tipo de medidas adequa-se à situação. É uma ajuda?
Sinceramente não sei. É difícil perceber e antever o que vai acontecer. Se acabassem com as taxas nas esplanadas e esse tipo de coisas, acho que seria mais interessante. Não sei se as pessoas vão aderir. As pessoas também estão com algum receio. Mas a verdade é que quem tem a intenção de ir jantar fora vai por sua própria iniciativa. Não vai ser por causa daquele desconto que o irão fazer.

E o Programa “Viver os Açores”? Qual a sua opinião sobre esta campanha?
Qualquer programa que o Governo Regional e a Câmara Municipal de Ponta Delgada venham a implementar é sempre bem vindo. O mesmo acontece com o da Câmara do Comércio. Quanto ao programa do Governo, eu penso que surgiu perante a possibilidade de não haver turismo. Por isso, o Governo Regional teve a necessidade de colmatar essa ausência de turismo. Isto apesar de estarmos a falar de uma programa para um nicho muito pequeno, nem todos os açorianos podem aderir. 

A vertente da hotelaria já abriu no dia 15. Como está a correr a nível de reservas?
Sobre o mês de Junho pensei que ira ser pior, sinceramente; começamos muito mal. Por acaso até tínhamos reservas para o primeiro dia. Tínhamos por aí 30 noites de reserva no mês de junho e agora já estamos com perto de 80. Em quase cinco dias fizemos perto de 30 reservas, foi muito bom. O mês de Julho está muito complicado. As pessoas estão a cancelar cada vez mais e está a manter-se apenas o mês de Agosto. No mês de Julho, estamos com uma taxa de ocupação à volta de 35% e em Agosto, na ordem dos 60%.  

E quanto ao restaurante?
Menos 80% na primeira semana e agora, devemos estar com menos 60 ou 70% em comparação com o ano passado.

O “Bife à Alcides” é o prato mais famoso no restaurante. Traduzindo as quebras para o número de bifes, estamos a falar de que quantidade?
Antes desta paragem vendíamos uma média de 60 a 70 bifes por dia. Agora estamos a vender uns 15.  

Uma grande quebra?
Sim, muito grande. 

E quais são as suas perspectivas quanto ao futuro?
Para o Alcides é mais fácil. Eu continuo a acreditar e sou muito optimista. Isto é um barco relativamente pequeno. Estamos a falar de um hotel com 31 quartos e num restaurante com capacidade para 65 pessoas e que agora está reduzido. É fácil manobrar. Se for um hotel de maior dimensão, por exemplo com 100 quartos, vai ser muito difícil adaptar-se a uma realidade destas. A clientela local não é suficiente, quer queiramos quer não. Nós e qualquer empresa que esteja virada para o turismo, cresceu muito. Era isso que todos queríamos, era isso que o Governo Regional também queria e do que os Açores precisavam.      
Luís Lobão

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Autor: CA

Categorias: Regional

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