António Mota, responsável técnico do Karaté Clube de Ponta Delgada

“Ensinar e partilhar conhecimentos são prioridades”

No início deste nosso diálogo era importante saber como é que o nosso interlocutor viveu os dias de confinamento por causa da pandemia da Covid-19. “No período de confinamento aproveitei para me ocupar com várias tarefas de manutenção caseiras, que estavam sendo continuadamente adiadas. Foi também um excelente período para reflexão sobre vários aspectos da minha vida e de aproximação familiar”.
Durante quase três meses, os atletas continuaram a treinar em casa e as reuniões foram acontecendo através das plataformas digitais, ferramentas que o nosso entrevistado considera terem sido essenciais. “As plataformas digitais foram muito importantes, pois permitiram manter o contacto e foram elos de ligação entre grupos, familiares e amigos. A partir de agora, acredito que serão ferramentas de recurso, essenciais no presente e no futuro”. 
“No início do confinamento, o Karaté Clube de Ponta Delgada aderiu logo às plataformas digitais proporcionando a todos os seus praticantes, de todos os escalões etários, a motivação necessária para a continuidade da prática da modalidade”, acrescentou.

Treinos Outdoor consensuais

Questionado, se foi fácil chegar a um consenso para a realização de treinos no Parque Século XXI, respondeu a seguinte forma. “Logo que tivemos a possibilidade de passarmos os treinos para o formato Outdoor consultamos todos os nossos praticantes e respectivos pais e tivemos um feedback de unanimidade”.
Como caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém, António Mota é cauteloso quanto ao futuro da modalidade, a partir de agora. “Na vertente competitiva acho, que esta vai sofrer grandes restrições no que toca a regras e aos apoios financeiros, o que vai diminuir consideravelmente o nível que já tínhamos alcançado. Por outro lado vejo uma boa oportunidade para um retorno a uma prática virada para o Karaté tradicional com forte foco nas questões de bem-estar físico e mental”.

Mais de meia centena de praticantes 
de todas as idades

O Karaté Clube de Ponta Delgada conta actualmente com cerca de 60 atletas federados, em todos os escalões etários, desde os cinco aos 75 anos de idade e de várias graduações. Tem um corpo técnico constituído por um responsável (António Mota) que é também professor e outros 4 treinadores.
Nem de propósito, António Mota começou a prática desta arte marcial nos anos 80 com o Sensei Manuel Fernandes e posteriormente com o Sensei Fernando Vicente. “Relembro esses tempos com muita nostalgia, onde o Karaté era uma novidade, os treinos eram muito físicos e duros, mas havia muita disponibilidade e vontade para aprender”.

“Cada época tem o seu encanto”

António Mota revela que costuma reencontrar alguns desses antigos praticantes e que de vez em quando juntam-se para recordar os bons velhos tempos. No entanto “há um tempo para tudo e cada época tem o seu encanto. Alguns dos instrutores pioneiros do Karaté nos Açores, e particularmente em São Miguel (Sensei António Terra e Fernando Vicente) continuam a praticar e a ensinar, e de vez em quando têm surgido a oportunidade de nos juntarmos”.
Na organização mundial (Japan Karaté Association), onde António Mota está filiado, na qual tem todos os seus exames reconhecidos, não é nada fácil chegar ao nível que está (5.º Dan). A graduação máxima é o 10.º Dan, actualmente detida pelo instrutor Chefe da JKA, Sensei Ueki.
A terminar, António Mota deixou uma palavra a todos aqueles que ainda não conhecem a modalidade. “Destaco a busca incessante de novos conhecimentos, o constante aperfeiçoamento técnico, físico e mental. No Karaté, tenho a possibilidade de poder passar e partilhar os conhecimentos e experiências para os meus alunos, que por outro lado, são as minhas principais prioridades”.

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Categorias: Desporto

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