21 de junho de 2020

Recados com Amor

Meus Queridos! A minha comadre Maria das Dores, que por altura das festas do Senhor costuma apoiar nas tarefas da preparação do dia maior, telefonou-me muito condoída porque tinha ouvido dizer que a procissão do Senhor Santo Cristo dos Milagres e a festa do Espírito Santo em São Jorge tinham sido escolhidas para finalistas das sete Maravilhas de Portugal, concurso que este ano é dedicado à cultura popular. Juro que não queria acreditar que tal tivesse acontecido, pois não via a festa em honra do Divino e a procissão do Senhor Santo Cristo dos Milagres… que são cultos de fé… serem postos a “leilão” com… os Bordados da Madeira, Filigrana, Máscaras de Barro, Cestaria, Olaria, Renda de Bilros, objectos em Osso de Baleia, Tapetes de Arraiolos e Azulejos… Pensei que Maria das Dores tivesse percebido mal e apesar de nunca ter ligado muito a esses concursos das maravilhas disso e daquilo, que sempre achei ser um grande negócio para alguns que sabem estimular o ego dos outros, meti-me a saber mais alguma coisa e acabei por saber que era verdade e que o Município de Ponta Delgada havia candidatado as festas do Senhor Santo Cristo ao tal concurso e que tinha ficado escolhida já como finalista… Não sei o que pensarão os responsáveis religiosos, mas estranho muito o silêncio de quem já devia ter dito o que pensa sobre a matéria. Pedi à redacção do Jornal que tão generosamente me acolhe no seio que procurasse saber qual é a posição da Diocese, e responderam-me que fizeram várias tentativas para chegar à fala com o Cabide e Vigário geral da Diocese o Cónego Hélder Manuel Cardoso da Fonseca de Sousa Mendes, mas este nunca atendeu os vários telefones que estão na lista para onde ligaram, nem respondeu aos e-mails que lhe foram remetidos… Não sei se o homem está em quarentena, mas diz Maria das Dores que de quinze em quinze dias vai vendo-o na RTP/Açores nas missas da Sé de Angra… Para já digo que acho um perfeito disparate incluir a festa do Senhor Santo Cristo dos Milagres no concurso das Sete Maravilhas de Portugal… e que não vale tudo para sacar dinheiro às Câmaras com fins meramente comerciais, muito menos vender tradições religiosas como produto turístico barato e de duvidosa qualidade. Pôr as festas do Divino ou do Senhor Santo Cristo a votos, é uma falta de respeito sem nome, mas se calhar e no caminho que as coisas vão… até vai haver quem ache piada e defenda tal coisa… Quando se perde o sentido do sagrado é assim mesmo…  e por isso dou razão e mando um ternurento beijinho ao meu querido Directo da Crença Padre José Paulo Machado pelo seu Editorial “A Salvação vem da Comunidade”?

Meus queridos! Ainda a propósito do Senhor Santo Cristo dos Milagres, queria o meu querido Cónego Reitor Adriano Borges que o Campo de São Francisco mudasse de nome para Campo do Senhor e li no jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio que a zelosa Comissão de Toponímia, presidida pelo omnipresente José Andrade, tinha dito que não, e fundamentado o seu parecer em factos históricos. Também eu penso que não vale a pena estar a mudar de nome o velho Campo, porque afinal, o Senhor Santo Cristo e São Francisco até conjugam bem a simbologia da velha Praça que, dentro da cidade é aquela que por mais nomes já foi conhecida. E ainda hoje, mesmo sendo de São Francisco no papel e para os historiadores, para os devotos do Santo Cristo, é o Campo do Senhor, como lhe chamava a minha avó Celestina. Para os laicos e republicanos continuará a ser a Praça 5 de Outubro. E se os amigos dos animais, liderados pelo PAN, quiserem, também podem chamar-lhe o Campo dos Porcos, porque foi este o seu primeiro nome, por ali se realizar, nos primórdios, a feira dos animais. Portanto, há ali nomes para quase todos os gostos…


Ricos! Telefonou-me a minha prima Maria da Vila a convidar-me  para um chazinho em noite de São João. Diz ela que não há marchas, mas a Vila está cheia de decorações e enfeites a lembrar o popular santo que ali tem hino e tudo. Desde a Rotunda dos amarelejos… obra do “reinado” do meu querido Rui Melo quando Presidente do Município, e que o tempo se tem encarregado de desbotar… Até à Praça das Freiras não falta motivos a lembrar a festa que este ano não se fará, mas que está no coração de todos quantos costumam  ser parte da festa. Ela só me avisou para eu não falar na estátua do cão de fila que está junto ao Açor Arena, porque, coitada da estátua, todos os anos é tapada quando chega o São João. Até parece que têm medo que ele pegue em alguém… E como na Vila a discussão é grande e até já deu briga no Facebook, a minha prima Maria da Vila aconselha que o melhor é passar e fingir que não se vê… Pobre cão!


Meus queridos! Não sou mulher de ligar muito a futebóis, mas fiquei contente quando soube que Lisboa ia receber a fase final da Liga dos Campeões, que mesmo sem assistências nos campos, é um fôlego de movimento de equipas, dirigentes, comentadores e jornalistas, para hotéis e restaurantes da capital que estão a precisar disso como pão para a boca. Mas também não era preciso que o meu querido Presidente Marcelo  e o Primeiro- ministro Costa, fizessem de tal evento motivo para discursos e conferências de imprensa, como se tratasse de questões de Estado, quando não passa de matéria que tem as suas próprias regras e instituições que representam… Que saiba, nem Marcelo nem Costa foram chamados para a decisão da UEFA… Até parece que se trata da taluda do euromilhões internacional. A minha prima Maria das Dores disse-me que as reacções tanto do Presidente como do Primeiro-ministro deram um ar de social-pelintrismo, que além de não convencer ninguém… desprestigia a função de Estado… E coitados dos profissionais de Saúde, à espera que olhem para as suas carreiras e para as suas carteiras, e ouviram o Primeiro-Costa dizer que aquilo é um prémio para eles… Já não bastaram as palmas às varandas e janelas, agora ainda têm que levar com o prémio de uma final europeia de futebol… Basta ver as reacções deles para perceber que às vezes perdem-se belas ocasiões de estar calado… mas a vontade de vender banha da cobra é uma constante dos políticos….


Meus queridos! Na passada semana, deixei aqui um recadinho a lembrar a quem de direito o estado em que se encontrava o beco António Borges, a precisar de urgente limpeza e arranque das ervas enormes que lá se criaram. Segundo me disse a minha prima Teresinha que por lá passa todos os dias a caminho do serviço, logo na Segunda-feira, ficou tudo limpo e asseado, não parecendo a mesma travessa. Um ternurento beijinho de agradecimento a quem tão rapidamente mandou e fez a limpeza… Assim até dá gosto estar atenta ao que se vai vendo por aí!


Ricos! Na passada Segunda-feira, a minha prima Maria das Capelas foi ao Posto RIAC para levantar uma encomenda dos CTT. Chegou lá com o papelinho na mão e apenas lhe disseram que só para a semana seguinte, porque a funcionária tinha ido de férias e não havia substituta. Pergunta a minha prima como é que neste país e com tantas reclamações, ninguém consegue pôr ordem nos Correios que de dia para dia estão piores. Ainda esta semana alguém das Flores queixava-se de dois meses de atraso nas encomendas. E não é para menos. Se nas ilhas com transportes todos os dias é o que se vê, que será nas ilhas mais distantes e isoladas? Um serviço que era um orgulho hoje ninguém, nem mesmo os funcionários… fala bem dele!


Meus queridos! A minha prima Maria das Velas, mandou-me umas fotos dos painéis de azulejos pintados pelo deputado-artista António Pedroso para o Império das Manadas. Já conhecia algumas das pinturas do simpatiquérrimo deputado que ficou recentemente muito mais conhecido pelos seus cartoons vistos e revistos pelas fãs do Tiaguim, mas agora fiquei deslumbrada com a beleza dos azulejos que de maneira tão bela associam o religioso com o popular no culto do Espírito Santo. Há poucos dias atrás já tinha lido a belíssima entrevista assinada pelo sempre atento colaborador residente do jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio, António Pedro Costa, e na qual António Pedroso fala da mensagem da sua arte. Para ele, vai um ternurento beijinho pela forma como põe o talento ao serviço da terra e das suas gentes, sendo desse modo um exemplo que pode inspirar muita gente…


Ricos! O pilim que recebo da minha reforma de mais de quarenta anos de serviço lá na Caixa não dá para grandes folias e muito menos para fazer turismo. Por isso mesmo, quando ouvi dizer que o Governo do meu querido Presidente Vasco ia comparticipar as despesas de quem quisesse fazer turismo inter-ilhas, comecei a pensar ir passar uma semana lá para os lados da Cuada, nas Flores que é onde dizem que os do céu vêm passar férias cá na terra. Mas afinal o máximo que a tal campanha dá fica-se por centena e meia de euros e muita papelada para receber o pilim, no fim das férias… Eu até pensei que mais do que uma ajuda, aquele dinheiro é o pagamento de um serviço que a gente presta às Finanças, pois torna-se necessário factura de tudo e assim, quem não estiver legal ou trabalhe às escondidas, alugando casas e popós, não pode passar facturas e fica a ver navios. Mas, com aquele rebuçado, … que fica ao erário público muito mais barato do que umas campanhas de promoção encomendadas e pagas a peso de ouro… quem não pode, continua a não poder… ir uns dias descansar a outra Ilha.

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Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

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