Desemprego caiu em Maio 2,4% em relação ao mesmo mês do ano passado

11 mil trabalhadores de 1.800 empresas estão em layoff nos Açores com apoio regional

 Correio dos Açores - Segundo o Instituto de Emprego e Formação Profissional, o desemprego baixou nos Açores 2,4% em Maio, relativamente ao mesmo mês de 2019…
Paula Andrade (Direção Regional do Emprego e Qualificação Profissional) - Desde logo, esta descida do desemprego tem a ver com a trajectória do desemprego registado na Região desde 2017. Praticamente, tem havido uma trajectória de descida coerente no sentido da diminuição.
Com a situação do contexto em termos da crise e da pandemia, começa-se a ver oscilações residuais que, efectivamente, existem em relação aos meses anteriores mas, em relação aos meses homólogos continuamos, efectivamente, em descida, porque houve uma trajectória contínua. Nós vínhamos de um contexto de crise, entre 2013 e 2016, com taxas de desemprego e níveis de desemprego bastante elevados. E, então, a situação de retoma, na Região, começou a acentuar-se principalmente em 2016. E a situação veio a melhorar, de forma bastante substancial, nos três anos seguinte, entre 2017 e 2019.
No actual contexto de crise, há o registo de menos 2,4% no desemprego em Maio em relação ao período homólogo. Temos menos 171 desempregados do que tínhamos em Maio de 2019. Neste momento, estamos com 6.965 desempregados. E esta situação de desemprego não se verifica apenas ao nível das pessoas à procura do primeiro e novo emprego. Há também variações negativas relativamente ao desemprego jovem que também diminui; e também em relação ao desemprego de longa duração que também diminui. Há, portanto, aqui, um conjunto de indicadores que demonstram que há uma consistência na trajectória descendente que se vinha verificando no desemprego. Situação que vem em consonância com a taxa de desemprego do Instituto Nacional de Estatística de 2020 referente ao primeiro trimestre deste ano em que verificamos uma descida em relação ao período homólogo do ano anterior.

Estas estatística causam estupefacção à UGT..
As medidas regionais, neste contexto, têm um papel crucial. O governo dos Açores teve uma atitude e uma acção proactiva na adopção de medidas de manutenção do emprego. Estamos a falar de uma crise, em termos de pandemia, que começa a 13 de Março. Houve um esforço em elaborar um pacote de medidas de estancamento de um catapultar do desemprego em massa. Adoptamos medidas de antecipação de liquidez das empresas e o complemento regional ao layoff. Há um pacote de medidas nacionais mas o Governo dos Açores toma aqui um conjunto de medidas que vêm não só reforçar as medidas nacionais, mas também antecipar e garantir a liquidez das empresas com vista sempre à manutenção do emprego. E é claro que os níveis de desemprego de Maio deste ano são o resultado destas medidas. Não podia haver outro resultado. Para além do que a nível nacional tem sido feito (e eles também têm registado algumas melhorias), na Região é natural que o Governo dos Açores, ao tomar medidas de complemento e de alguma diferenciação com medidas específicas para a Região, que elas, efectivamente, tenham este resultado.
Estamos a falar de uma situação em que os empresários ainda estão a avaliar e ainda estão a aferir medidas como o layoff simplificado que foi prorrogado até Julho a nível nacional. E as medidas do Governo dos Açores são para garantir que os empresários tenham o menor custo possível com a liquidez e a manutenção dos salários dos trabalhadores, desde que os mantenham até ao final do ano.
Mas, não podemos esquecer o esforço que os empresários estão a fazer. Estamos a verificar que houve aqui um investimento de três anos por parte destes empresários de formar estas pessoas, de lhes dar competências. E se despedissem estes trabalhadores, iriam perder todo este Know how. E teriam que os readmitir muito mais tarde. Há aqui também uma atitude inteligente por parte dos empresários na gestão destes recursos humanos ao não partirem para soluções drásticas. E vamos entrar, agora, num novo pacote de medidas de apoio à retoma. E isto tem sido articulado, previamente, com os empresários, com o grupo de trabalho que existe. Eu penso que esta parceria, que estas sinergias entre governo, os parceiros sociais, nomeadamente as associações empresariais, estão na base deste efeito de contenção e de perceber, efectivamente, o que será necessário em termos futuros.

Quantos trabalhadores estão em layoff nos Açores?
Temos à volta de onze mil complementos regionais de layoff nos Açores. Estes são trabalhadores que estão empregados. As empresas que mais recorrem à situação de layoff com complemento regional são aquelas que tiveram um impacto imediato da crise, como as do sector hoteleiro, restauração e todas as actividades conexas. Estes empresários viram nestas medidas de liquidez e de complemento ao layoff a garantia de manutenção do capital humano que adquiriram. E estas medidas estão a fazer com que estes trabalhadores se mantenham e venham a garantir o futuro das empresas.
Não seria inteligente estar a perder, neste momento, estes trabalhadores que, efectivamente, têm competências adquiridas que contribuem para o desenvolvimento do tecido empresarial da Região.

Estamos a falar de quantas empresas?
Estamos a falar de 1.800 empresas que se candidataram ao complemento regional de layoff sempre no pressuposto da manutenção do nível de emprego. Todas as empresas que vêm ao complemento têm que manter o nível de emprego até ao final do ano. Isto enquanto o layoff simplificado, só por si, exige a manutenção do emprego por 60 dias após o fim da medida.
Isto para lhe dizer que o número de trabalhadores em toda a extensão do layoff simplificado pode ser ligeiramente superior.

Pode dizer-se que, com o apoio à liquidez às empresas e o complemento regional ao layoff, estão 1.800 empresas em suspensão de actividade?
Nem todas estão com a actividade suspensa. Muitas das empresas que concorreram à medida estão com redução de horário. O layoff prevê duas modalidades: a suspensão do contrato e a redução do horário. E, depois, temos contratos de trabalho a tempo completo e contratos de trabalho a tempo parcial e estamos a contemplar tudo isto. Não podemos estar a falar de suspensão. Há muitas empresas em actividade com horário reduzido face ao contexto.

Dadas as circunstâncias, têm razão de ser a estupefacção dos parceiros sociais face à redução do desemprego em Maio na Região em relação ao mesmo mês do ano passado?
Não há razão para estupefacção. Nós estamos a falar de um conjunto de medidas, em termos regionais, que vem complementar o que a nível nacional tem sido feito. Ou seja, a intenção do Governo dos Açores foi minimizar os custos dos empresários mas sempre com vista à manutenção dos postos de trabalho. Seria razão para estupefacção era se, efectivamente, o Governo dos Açores tivesse tomado estas medidas e o desemprego estivesse a aumentar. Estamos a garantir o emprego como resultado de uma parceria entre o governo e os parceiros sociais, com a compreensão dos empresários que perceberam estas medidas e estas respostas num contexto de emergência. As estatísticas do IEFP são o resultado do trabalho das empresas e do esforço dos empresários e dos próprios açorianos em garantir que a situação de emprego se mantenha porque, efectivamente, isto só trará benefícios em termos futuros.
Vamos, agora, partir para um outro contexto de retoma de actividade económica. E quando esta retoma ocorrer, as empresas já têm os seus trabalhadores com competências e com qualificações. Se partissem para situações de despedimento, teriam que readmitir e seria todo um processo muito mais penoso para todos.
Estupefacção seria se estivéssemos a investir e não tivéssemos resultados.

Quais as medidas de retoma que vão ser anunciadas agora?
Posso garantir-lhe que está para breve a apresentação destas medidas. A nossa perspectiva é a de complementar as medidas que vierem a ser adoptadas a nível nacional. Portanto, a intenção será sempre garantir que os empresários e os açorianos tenham mais apoio e que consigam assegurar os níveis de emprego até ao final do ano e, inclusive, até ao final do primeiro trimestre do próximo ano, salvaguardando o princípio base e fundamental da saúde pública.

O Governo dos Açores vai manter medidas de manutenção do emprego até ao final do primeiro trimestre de 2021?
Sim. Temos que fazer uma análise, em termos de retoma da actividade. Vamos entrar num período, após Dezembro, que apanha a denominada época baixa do turismo e, naturalmente, é necessário, nos primeiros meses de 2021, garantir medidas de sustentabilidade das empresas e dos empregos. Este será um período desafiante em que será necessário actuar. E esta perspectiva esteve sempre no nosso horizonte.

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Autor: João Paz

Categorias: Regional

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