27 de junho de 2020

Projecto CDIJA “Quando a sirene toca… ”

As consequências de uma relação confinada! A Pandemia, o divórcio e os filhos

 O CDIJA, Centro de Desenvolvimento Infanto-Juvenil dos Açores, encontra-se a desenvolver um projeto, intitulado “Quando a sirene toca… A parentalidade no seu limite!”. O objetivo do CDIJA é estar próximo dos pais, reforçando uma parentalidade investida, mas naturalmente imperfeita. 
Foi com este propósito que foi criado um espaço virtual para pais e cuidadores de crianças dos 3 aos 10 anos, para que estas famílias possam usufruir de um momento de partilha de experiências, vivências e até de estratégicas práticas que possam potenciar o seu melhor desempenho enquanto pais, cuidadores e modelos, assim como, em última instância, promover a sua própria saúde mental e dos seus filhos. 
Este grupo concretiza-se sob a forma de uma página na rede social Facebook (https://www.facebook.com/quandoasirentocaparentalidade/) e tem como objetivo abordar, semanalmente, um tema atual e relacionado com a parentalidade, através de LIVES, usufruindo de um espaço de articulação com a equipa técnica, com profissionais da área, assim como da partilha entre pais. 
Desta feita, ontem, a temática escolhida para debate versou sobre a situação global de pandemia, que sujeitou as relações interpessoais dentro do sistema familiar a um acrescido e inóspito teste de stress, abalando os alicerces estruturais de cada família em particular. Se porventura houve famílias cujos laços saíram reforçados da situação de longo confinamento, regista-se, porém, um número inusitado de casos em que a rutura conjugal foi inevitável, como parecem fazer notar os dados já divulgados, nacional e internacionalmente, sobre esta fase pós-confinamento com um aumento exponencial do número de divórcios.  
Na opinião de duas especialistas (Dra. Elizabete Gomes e Dra. Maria José Correia) , parece ser evidente que os problemas nos relacionamentos anteriores ao confinamento, vieram a agudizar-se de uma forma mais intensa na situação de isolamento prolongado, dado que o stress emocional gerado, individualmente e dentro da relação do casal, levou, porventura, à falência do projeto “casal/casamento” em algumas das situações que encontram na sua prática clínica, mesmo que houvesse a missão conjunta de cuidar de filhos. 
No entanto, e como ressalvou a Dra. Elisabete Gomes (Terapeuta Familiar e Presidente da Direção do Centro de Terapia Familiar e Intervenção Sistémica dos Açores), também houve quem vivesse a fase crítica e aguda da pandemia como uma oportunidade para reconstruir a relação. Enaltece que, nesta oportunidade de fortalecimento dos alicerces relacionais entre os pais, os filhos não devem ser tidos como a “cola do casal”, defendendo que a harmonia e equilíbrio vivenciadas na conjugalidade devem ser processos dissociáveis do exercício e missão da parentalidade, pese embora, e se de facto em crise esteja iminente uma rutura, haja claramente uma abordagem em conjunto pelos pais junto dos filhos que privilegie uma mensagem do “nós”, protegendo e salvaguardando a capacidade de cada criança lidar com as tensões internas de forma saudável, reparando o seu sofrimento e prevenindo o aparecimento de sintomatologia do foro mais clínico. 

A mediação familiar
é um excelente recurso

Para o apoio a esta dinâmica de reconfiguração familiar, a Dra. Maria José Correia (Psicóloga Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde, com Especialidades Avançadas em Psicologia Comunitária e Psicologia da Justiça, com formação em Mediação Familiar a exercer funções na Equipa de Apoio aos Tribunais no âmbito Tutelar Cível) defende que a mediação familiar é um excelente recurso a ter em conta, quer no ajuste individual e familiar às mudanças que tal reconfiguração encerra, quer na busca de alternativas ao conflito litigioso que por vezes corre no âmbito de um processo de definição das responsabilidades parentais, assegurando, em última instância, uma coerência no exercício da parentalidade entre os pais em situação de divórcio, salvaguardo desta forma o bem-estar psicológico dos filhos. 
Por fim, foi de entendimento comum de ambas as especialistas em mediação familiar que, além do amor ao outro, o amor-próprio, a tolerância, o respeito pelo tempo do outro, bem como a capacidade de comunicar eficazmente, são as principais estratégias a considerar por forma minorar as consequências e o devido impacto que o divórcio pode causar no bem-estar psicológico das crianças.  

Rui Moniz 


 

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Autor: CA

Categorias: Opinião

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