Para evitar mais polémicas instaladas

Câmara retira Procissão do Senhor Santo Cristo do concurso das 7 Maravilhas

 A Câmara Municipal de Ponta Delgada decidiu retirar a candidatura da Grande Procissão em Honra do Senhor Santo Cristo dos Milagres que foi apresentada ao concurso nacional das 7 Maravilhas da Cultura Popular, no âmbito da categoria Procissões e Romarias de Portugal.
A candidatura foi retirada para evitar eventuais polémicas que não prestigiariam a maior festa religiosa de Ponta Delgada, na sequência da auscultação desenvolvida pela Câmara Municipal junto de diferentes entidades civis e religiosas, que indiciou não existir consenso alargado sobre esta matéria.
Por respeito ao culto do Senhor Santo Cristo dos Milagres, que deve permanecer acima de eventuais polémicas, o Município de Ponta Delgada decidiu retirar esta candidatura, mas mantém a da Lenda das Sete Cidades em diferente categoria das 7 Maravilhas da Cultura Popular. 
Em 300 anos este foi o primeiro ano em que não houve procissão, devido à pandemia pelo novo coronavírus. A primeira procissão em honra do Senhor Santo Cristo, segundo o padre José Clemente no seu livro sobre a “Vida da Venerável Madre Teresa d´Anunciada”, ter-se-á realizado num Domingo, dia 11 de Abril de 1700.
Há no entanto quem conteste esta data, e refira que a mesma poderá ter-se realizado em 1698.
O relato sobre esta grande caminhada de fé e devoção, foi baseado nos escritos deixados por Madre Teresa durante a sua vida conventual e por informações de pessoas que viviam em Portugal.
A importância da realização desta procissão, quer no aspecto religioso, quer no aspecto social da vida micaelense foi de tal ordem, que ainda hoje continua a realizar-se. Foi sempre desejo da Madre Teresa, que o Senhor fosse louvado e adorado, não só no convento, mas também fora dele. Algum tempo antes da realização desta procissão, teve esta Venerável Madre, o pressentimento que o Senhor Santo Cristo iria necessitar de um andor, recorrendo aos dotes artísticos da Madre Jerónima do Sacramento, religiosa do Convento de Santo André, da cidade de Ponta Delgada, (actual Museu Carlos Machado), solicitando-lhe que se encarregasse da execução de um andor com docel.
Quando ficou concluído, enviou-o para o Convento da Esperança, tendo a sua chegada causado grande sensação e deslumbramento. Como não havia lugar para guardá-lo, foi colocado na Capela do Senhor Santo Cristo, que na altura ainda não tinha as grades.
Mas este desejo de Madre Teresa de ver sair o Senhor em procissão, causou-lhe grandes dissabores. Como nessa época chovia muito, era impensável expor a Imagem às intempéries. Daí a muita oposição que ela encontrou para a realização do seu desejo, principalmente por parte da Madre Abadessa Catarina do Espírito Santo, de irrepreensível vida religiosa, que era quem decidia o que se deveria ou não fazer, e não seguir os alvitres de uma religiosa isoladamente.
Mas Madre Teresa não desistiu do seu intento. Sendo uma pessoa obstinada, forte e invencível, convicta de que cumpria as ordens do seu Divino Esposo, não se deu por vencida.
Apercebendo-se das divergências e embora não querendo imiscuir-se nos problemas da vida conventual, o Capitão Donatário, D. José Rodrigo da Câmara, solicitou a autorização para a realização da procissão ao provincial, Frei Gonçalo de Jesus, a qual foi concedida.
No sábado véspera da festa, fez-se a mudança da Imagem do Senhor Santo Cristo do Convento para a Igreja de Nossa Senhora da Esperança, onde foi colocada num majestoso trono num dos altares colaterais. A esta cerimónia assistiram os Condes da Ribeira Grande, toda a nobreza e povo da cidade. Foi celebrada missa sendo muita participativa. Chegado o grande dia, Domingo do Senhor, o céu apresentava-se coberto de grossas e espessas nuvens, agreste e chuvoso por demais e todos eram de parecer que não se deveria realizar a procissão.
Mas Madre Teresa, por ser obstinada, forte e invencível, convicta de que cumpria as ordens do seu Divino Esposo, pensava de maneira diferente, afirmando que, ao sair a procissão, o céu se tornaria sereno e claro e que em todo o percurso não cairia uma só gota de água. Tendo por seus aliados os Condes da Ribeira Grande, e como seguissem o parecer de Madre Teresa, quando chegou a hora, formou-se o cortejo e as nuvens começaram a dissipar-se de modo que o tempo ficou claro e calmo. No cortejo processional incorporaram-se as confrarias e irmandades, as comunidades e colégios e depois toda a nobreza. O andor foi levado em ombros pelas principais pessoas da cidade. Em último lugar ia o pálio com o Santo Lenho e logo a seguir uma inumerável multidão de fiéis, tal como ainda hoje acontece.
As ruas por onde passou a procissão estavam apinhadas de povo com as suas melhores vestes, as fachadas das casas juncadas de verduras e as janelas e varandas, repletas de pessoas e todas engalanadas com as melhores colchas, ostentando a cidade um ar festivo e agradável. Não é conhecido qual o itinerário desta procissão, sabe-se sim, que passou por todos os conventos da cidade, o que pressupõe um giro muito semelhante ao que veio até ao terceiro quartel do século passado, embora se saiba de algumas alterações ao trajecto, no decorrer do século passado”, como se lê na página http://senhorsantocristo.com/new/festas/1700-primeira-procissao/

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Autor: CA

Categorias: Regional

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