30 de junho de 2020

As povoações não nascem cidades

 

As povoações não nascem cidades. Elas ascendem a esta categoria pela afirmação dos seus habitantes, pelo seu crescimento e pelo seu progresso constante.
Há precisamente 39 anos, a outrora vila-cidade, também conhecida por capital do norte, soube, pela mão de um punhado de sonhadores, inscrever na história destas ilhas e em particular do Concelho da Ribeira Grande, mais uma página de ouro, com a elevação a cidade, 129 anos depois da primeira tentativa na Câmara dos Deputados, em Lisboa.
Estamos a celebrar mais uma vez este momento histórico, mas este ano de forma contida, por vivermos numa altura de turbulência devido à pandemia, mas estou certo que, depois de passar estes tempos conturbados, iremos continuar a celebrar as nossas datas importantes e as nossas tradições com redobrada alegria.
Como se sabe, o dia 29 de Junho é o feriado municipal no Concelho e foi no ano de 1981 que foi reconhecida a nobreza da cidade da Ribeira Grande, fruto do querer e da vontade da sua população. Justo é recordar Ezequiel Moreira da Silva o primeiro a chamar à sua terra a Vila Cidade, que despertou o sentimento de orgulho de todos os que a amam. Naquele dia nascia a segunda cidade na ilha de S. Miguel.
Na altura, com notórias e grandes deficiências, foi possível, ao longo dos anos, colmatar as lacunas que se apresentavam e graças à determinação dos Ribeiragrandenses, a cidade está hoje dotada de equipamentos muitas infraestruturas necessárias, que de outra forma teria sido mais difícil a população exigir.
É certo que o processo de elevação a cidade foi turbulento, mas a alegria sentida no desfecho favorável, com a adesão a esta aspiração da população, superou todas as expectativas, pois o brilho dos festejos estendeu-se a toda a ilha.
O futuro da nova cidade esteve e continua a estar nas mãos não apenas da autarquia e do governo, mas no das pessoas e na sua capacidade empreendedora, pois este Concelho, com as suas múltiplas potencialidades, continua a ter condições favoráveis de progresso efectivo.
Estou convencido que a elevação a cidade foi percecionada pela esmagadora maioria da população como um estímulo e um apelo aos Ribeiragrandenses para corresponderem ativamente com o seu empenhamento e entusiasmo no progresso e desenvolvimento da sua terra.
Os “velhos do Restelo” remaram contra a história, pois, o que seria hoje a Ribeira Grande se continuasse vila? Com toda a justiça, ela deixou de ser vila para ser cidade e, na sua generalidade, a população continua a saber honrar o seu nome.
Todos os que contribuíram para a elevação a cidade devem sentir-se honrados e estar com a consciência tranquila, pois ao fim de 39 anos podemos olhar para trás e constatar que foram criadas condições para que esta cidade ostente o epíteto que naquele ano ganhou. A grande tarefa de desenvolver esta cidade está a ser concretizada, nunca está acabada, pois novas necessidades são reivindicadas pelas populações e é um desafio para que se continue a proporcionar mais progresso e qualidade de vida a todos os que escolheram a Ribeira Grande para viverem.
A atribuição do título de cidade à Ribeira Grande foi, acima de tudo, não o esqueçamos, uma manifestação de confiança nos Ribeiragrandenses e no seu futuro.
Estou convicto que passada esta pandemia, o desenvolvimento deste Concelho continuará a fazer desta terra um espaço de progresso e de dinamismo económico e cultural, nunca esquecendo o trabalho social que é importante fazer junto dos mais carentes.

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Categorias: Opinião

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