30 de junho de 2020

Da intenção à realidade

 Em tempos de pandemia, os cidadãos deste país têm sido “bombardeados” com “toneladas” de informação sobre o que não se deve e o que se deve fazer para evitar a propagação do vírus que origina a Covid 19.
Adentro portas, também temos sido orientados pelo Serviço Regional de Saúde (SRS) sobre o que devemos e não devemos fazer para evitar o alastramento do dito cujo.
Agora, com o objectivo da gradual retoma da economia nestas ilhas, o Governo Regional decidiu, e muito bem, que quem cá chegasse (aos Açores, entenda-se) sem teste feito à Covid 19 na origem, teria de o fazer à chegada e, num prazo de 12 horas, o passageiro teria na mão o resultado do dito teste.
Mas uma coisa é a intenção, e outra, bem diferente, é a realidade dos factos.
Desde a altura em que o senhor Presidente do Governo Regional declarou que, daquele momento em diante, o SRS – baseado na eficiência dos laboratórios credenciados para tal - estaria apto a cumprir tal tarefa, os açorianos acreditaram na palavra dele.
Não acredito que o senhor Presidente do Governo Regional tivesse, deliberadamente, enganado os açorianos. Por aquilo que conheço dele, sei que não é pessoa de mentir. Mas, alguém com responsabilidade no SRS mentiu ao senhor Presidente sobre a capacidade e celeridade laboratorial da Região.
No passado dia 25, o Primeiro Jornal da SIC, dava conta de uma passageira que esteve à espera, mais de 50 horas (em vez das tais 12) pelo resultado do teste que tinha feito à chegada a Ponta Delgada. 
Questionado o SRS, foi afirmado pela senhora Secretária Regional que as pessoas tinha de ter tolerância e que o problema do atraso estaria no sistema informático que não estaria a dar a resposta atempada.
Todos sabemos que as novas tecnologias são extremamente rápidas em dar resultados, quase instantâneas diria. Basta que a aplicação instalada seja a adequada e que não se esteja à espera da presença do passageiro para a resolução de problemas burocráticos, como por exemplo a emissão manual de uma requisição para a análise.
Pelo que me informaram as companhias de aviação enviam ao SRS, com antecedência, a lista dos passageiros de cada vôo. Se for assim, que justificação há para se exigir (?) a presença do passageiro para emitir a requisição? Porque não são previamente emitidas as requisições, conferindo, à chegada, apenas a identidade de cada um? 
Não digo que seja necessário rolar qualquer cabeça, mas há que falar verdade ao povo desta terra. O que terá pensado a senhora Secretária quando falou à SIC? Há que assumir responsabilidades. Se não houver capacidade para responder em 12 horas que o digam abertamente. Não culpem as máquinas pela, quanto a mim, exagerada burocracia.
Porém, não fora a entrevista da SIC, o Governo Regional, não teria contratado laboratórios de análises clínicas em Portugal, para testar os passageiros com destino aos Açores assumindo, como é lógico, os respectivos custos. É caso para dizer:- fez-se luz! Aleluia!
Deixando para trás a questão da pandemia gostaria de, novamente, recordar que estamos em ano de eleições – pese embora o Presidente Marcelo ainda não se ter pronunciado sobre a data para a sua realização. 
Porém, acho que devo recordar a quem me lê que, ano de eleições, é ano de promessas, sendo por isso: o ano do agora é que vai ser! O ano de apoios à actividade económica! O ano de alargar os cordões à bolsa, e comprar mais umas consciências!
Entretanto, e só para citar algumas falsas promessas, diria:- que a cadeia de Ponta Delgada continua (há décadas) à espera de melhores dias (até parece bruxedo)! Que o porto das Lajes das Flores, nove meses após a sua destruição, só para Setembro próximo deverá (?) ter o projecto de reconstrução a modos de ser analisado, pelo que, daí ao começo das obras levará meses. Que o radar meteorológico de S. Miguel a edificar na Barrosa aguarda melhores dias, porque não há pilim, apesar de ter havido para o grupo central. Que via alternativa à actual estrada da Ribeira Quente, prometida por Carlos César enquanto Presidente do Governo Regional, continua à espera desde 1997 (há 23 anos, apenas).
Enfim, são uma série de obras prometidas e não realizadas – umas da responsabilidade da república e passividade da região –outras da responsabilidade directa da região.
 Daí o título deste trabalho. Uma coisa é a intenção, outra coisa é a realidade!

P.S. Texto escrito pela antiga grafia.
28 JUNHO 2020

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Categorias: Opinião

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