5 de julho de 2020

Dos Ginetes

Novos Tempos

Com o aparecimento da epidemia da Covid-19 parece que o mundo ainda não despertou para uma realidade a que temos de nos habituar pois nada será como dantes num futuro relativamente próximo. É uma sensação que me perturba por momentos porque Infelizmente os verdadeiros líderes de um mundo vivendo no momento em constante nervosismo parecem em vias de extinção pois dos países ditos desenvolvidos e considerados “potências mundiais” é vergonhoso e até assustador a forma como têm lidado com um problema que terá consequências desastrosas a longo prazo pois o desejo feroz de relançar uma economia abalada nos últimos meses não contribuirá em nada para o regresso à normalidade tanto desejado.
     Já nem vou referir os disparates de um Sr. Trumph nos Estados Unidos ou de um Bolsonaro no Brasil que colocam constantemente em risco a saúde pública dos seus. É verdade que como eles existem muitos outros espalhados por esse mundo mas pela importância dos respectivos países o eco é menor.
     Também nós neste pequeno Portugal durante algum tempo aparentemente fomos iludidos por uma mentira que agora lentamente está saltando à vista as respectivas consequências, apesar do aviso de muitos profissionais da saúde que não foram tomados a sério. Basta um pequeno olhar sobre o que tem sucedido na maravilhosa Capital portuguesa para chegar à conclusão que afinal os Governos das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira foram muito mais responsáveis que os senhores de Lisboa. Acrescento ainda que não fora uma autonomia muito coxa, controlada à distância, talvez tivessem sido evitados problemas que nunca deveriam fazer parte da vida desta gente pacata dos Açores. 
     Verdade que igualmente por cá da parte da população nem tudo foi e nunca será perfeito, pois existem sempre uns teimosos que nada querem saber até ao dia em que a infelicidade lhes bate à porta. Tal pode suceder não importa a quem pois como diz o nosso povo estamos todos no mesmo barco.  
     Aqui para os meus lados dos Ginetes, vamos vivendo da forma mais adequada neste período difícil para todos. Há que sacrificar alguma liberdade para podermos bem viver em Comunidade. Só assim é possível retirar um pouco de felicidade nascida de uma alegria mesmo se não completa contribui para um mínimo de bem-estar a que qualquer ser humano tem direito.
     Na passada semana dediquei a minha crónica intitulada “Cumprimento da Promessa em Tempo de Pandemia” fazendo assim referência a uma parte da história dos Ginetes que lembra um período difícil desta terra já lá vão duzentos e dez anos. Não vou voltar a descrever o mesmo assunto mas como pessoalmente esperava foi possível celebrar próximo do local onde supostamente sucederam parte dos eventos, a Eucaristia com a presença dos Símbolos do Divino Espírito Santo e respectivos mordomos como é tradição nesta terra. Por razões pessoais e com muita pena não consegui estar presente, todavia foi possível realizar um pequeno vídeo graças à colaboração da minha neta Estela. Tive ocasião de admirar como as pessoas respeitaram o distanciamento exigido pela autoridade de saúde que não impediu que em plena natureza, ao ar livre, os que lá se deslocaram se sentiram praticamente tão confortáveis como se estivessem no Edifício da Igreja Paroquial. Por tal estão de parabéns as gentes da minha terra, os membros da Comissão para os Assuntos Económicos e o Pároco que sei estar sempre preocupado com as normas de segurança exigidas que afinal são benéficas para todos.
Quero igualmente felicitar os responsáveis pela feliz iniciativa de percorrer na manhã do Domingo os caminhos desta terra com a Imagem de São João num andor artisticamente ornamentado e colocado numa viatura enquanto se ouvia, bem forte, o respectivo Hino interpretado pela Filarmónica, o que contribuiu para “arrancar” a alguns mais sensíveis uma pequena “lágrima solitária”
     Este é um pequeno exemplo de como é possível coabitar com um inimigo invisível que nos assusta mas que se todos fizerem a sua parte talvez a normalidade tanto desejada comece a fazer parte das nossas vidas mais rapidamente do que imaginamos. Parte da solução está em nossas mãos mesmo se a obrigatoriedade de obedecer a determinadas normas para alguns poderá ser considerada exagero.
     Citando mais uma frase popular que “tristezas não pagam dívidas” vamo-nos todos apoiar mutuamente pois só tal contribuirá para que regresse a sempre tão desejada alegria de viver.
 

Print

Categorias: Opinião

Tags:

Theme picker

Revista Pub açorianissima