Há resultados que chegam a levar cinco dias...

Secretária da Saúde pede “tolerância” para atrasos nos resultados à Covid-19 e garante que processo está a ser agilizado

Desde que deixaram de ser obrigatórias as quarentenas para quem chega à Região vindo do exterior, que pontualmente são conhecidos atrasos nos resultados aos testes à Covid-19 realizados após recolha à chegada ao aeroporto. 
Mas desde que retomaram as ligações aéreas internacionais, a 1 de Julho, que estes atrasos têm sido mais frequentes. Ao Correio dos Açores têm chegado vários relatos de tempos de espera que vão muito além das 12 horas anunciadas pelo Governo Regional. Um desses casos, de um açoriano que veio de férias para casa de familiares, que chegou a São Miguel no dia 1 de Julho ao final da tarde. Sem trazer teste feito, teve de esperar no aeroporto junto dos postos de recolha de amostra biológica. E só ontem, dia 6 de Julho, recebeu um SMS com a indicação de teste negativo, seguindo-se logo a marcação de novo teste que é feito actualmente ao 6º dia de permanência na Região, para quem fica além desse tempo. 
Um outro caso diz respeito a uma senhora que esteve 90 horas à espera do resultado do teste, feita a recolha também no posto junto ao aeroporto João Paulo II.
Quando o Governo Regional garantia, no início de Junho, resultados dos testes em cerca de 12 horas já que as amostras poderiam ser encaminhadas para os laboratórios de São Miguel e da Terceira, como se garante que quem chega aos Açores fica efectivamente em isolamento profilático até saber o resultado?
A Secretária Regional da Saúde, Teresa Machado Luciano, apela à consciência de cidadania de cada um, “porque não podemos pôr um polícia à porta de cada um”, refere ao acrescentar além do cumprimento de todas as regras “de distanciamento social, do uso de máscara, da etiqueta respiratória, de lavar as mãos, também deve ficar à espera de resultado, obrigatoriamente, em casa”. Além disso, refere que todos os que chegam à Região e realizaram a recolha de amostra biológica no aeroporto deram as moradas para onde se deslocaram “seja para alojamento local, para hotéis ou para as suas residências”. Até ao momento, a governante garante que não houve necessidade de recorrer judicialmente por incumprimento da espera do resultado dos testes em isolamento profilático que pudesse levar à formalização de queixa, por parte do Governo Regional, pela prática de crime de desobediência. Isto, ao contrário do que aconteceu aquando dos primeiros casos que se iam detectado na Região, em Maio.

Casos positivos não entram
O que já foi possível detectar foi “mais de uma mão cheia” de pessoas que pretendiam viajar para o Arquipélago mas ao realizar o teste nos laboratórios disponíveis no continente para o efeito, deram positivo. “Desde que o teste é feito no continente, mais de uma mão cheia de pessoas que não viajaram porque eram positivas e que iriam entrar se não fosse detectado”, refere Teresa Machado Luciano ao salientar que as medidas aplicadas nos Açores “são duras e rigorosas” e têm permitido detectar atempadamente casos positivos. 
Ou detectar casos que positivaram já no arquipélago, como o recente caso detectado na ilha de Flores, ilha que se tinha mantido “Covid-free” desde o início da pandemia. O caso positivou ao 6º dia, após realizar o teste no continente 72 horas antes da viagem, quando estava na Região há três dias. “Este é um caso concreto que as medidas são eficazes, senão aquela pessoa regressaria ao continente e não sabíamos daquela situação”, explica justificando um novo teste ao 6º dia após o teste negativo inicial. 
“O que importa perceber é que com as regras implementadas e trazendo o teste do continente, mantemos em segurança toda a população. Temos consciência que poderá acontecer dar positivo ao 6º dia, mas vir em contexto positivo para a Região já não vai acontecer porque as autoridades de saúde tomam logo conta e a pessoa fica em isolamento profilático na residência”, explica a governante.

Mais rapidez nos resultados
Apesar das medidas implementadas na Região estarem a permitir detectar os casos positivos antes de viajarem ou depois de seis dias na Região, mesmo com teste inicial negativo, Teresa Machado Luciano admite que tem havido alguma sobrecarga de trabalho devido ao aumento do número de voos que se tem verificado desde o dia 1 de Julho. Além disso, houve necessidade de melhorar os procedimentos burocráticos para a recolha de amostras para agilizar o processo. 
“O número de voos tem vindo a aumentar, nomeadamente em São Miguel, e temos vindo a adaptar a criação do processo de cada passageiro que chega que, se não for do Serviço Regional de Saúde, temos de inserir mais dados, o que é feito manualmente pelo suporte à equipa de colheitas”, explica ao acrescentar que desde ontem a situação já estava a ser melhorada. 
A Plataforma COVID, que começou a ser criada em Março em plena pandemia, teve de ser ajustada conforme as necessidades. “Primeiro era para caso suspeito, depois para rastreio e agora para rastreio de todos os viajantes. Cada uma das situações tem passos e procedimentos diferentes porque estamos a falar, em última instância, de um acto de prescrição médica. E por isso tem uma série de passos que não se vê e que estão a ser todos articulados e que esta semana vai ser melhor”, garante. 
Ou seja, desde ontem que já se verificou uma redução da parte burocrática de cada análise, entre a recolha da amostra e a entrega em laboratório. “Estamos a criar esta plataforma e a interligar todos os sistemas, porque a colheita tem de ter um código de barras que tem de ser lido pelo sistema do laboratório do hospital e, agora já conseguimos fazer essa parte no aeroporto. O que quer dizer que depois da colheita feita vai directamente para o hospital e é mais célere. Estamos a trabalhar noutras soluções para agilização de todo o processo que daremos conta atempadamente”, explica a governante. Isto sem garantir que agora o prazo dado pelo Governo de cerca de 12 horas para se receber o resultado do teste feito na Região vai ser cumprido. “O que é importante é que o resultado sairá o mais rapidamente possível. No aeroporto, no laboratório e na unidade de saúde de ilha de São Miguel, trabalham incessantemente 24 horas por dia para que os resultados saiam o mais rapidamente possível. Vamos agilizando tudo. Estamos a trabalhar para que seja o mais rapidamente possível, porque tem uma burocracia muito grande, não é apenas um mero teste”, afirma.
No caso concreto descrito acima, de 1 e 2 de Julho, Teresa Machado Luciano reconhece que houve um grande número de reclamações a propósito dos atrasos nos resultados e explica que as análises foram encaminhadas para a Terceira para serem processadas “e informaticamente ainda retardou mais o processo”. 
Perante tais atrasos, que acredita vão diminuir daqui para a frente, a governante pede tolerância para quem espera alertando que “trazendo o teste feito do continente, terá este processo mais agilizado à entrada”. Mas para quem não traz, e vê o resultado arrastar-se no tempo, aconselha que “se as pessoas em 48 horas não receberem o SMS, liguem para a linha de saúde Açores, através do 808246024, que já tem a disponibilização de todos os dados. Que mesmo que ainda não tenham recebido SMS possam ir informando”.  O processo, acredita, vai melhorar gradualmente. Mas como o número de voos tem sido cada vez maior, como o trabalho de bastidores antes de sair o resultado “é enorme”, Teresa Machado Luciano pede tolerância e compreensão, deixando uma palavra de apreço aos profissionais de saúde pelo esforço que têm dedicado a todo este processo.  
Actualmente com seis casos positivos activos na Região, todos importados, a governante manifesta-se preocupada com a situação. “Por isso acompanhamos ao minuto toda a estrutura, sabemos o que se está a passar e acontecendo um caso positivo, fazemos o rastreio epidemiológico e controlamos a situação”, explica ao reforçar que as medidas impostas pelo arquipélago são “duras e rigorosas”. 

Carla Dias
 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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