9 de julho de 2020

Coisas do Corisco

A nefasta provocação do boato

O pior que poderá suceder, a qualquer comunidade, região ou país, é o estabelecimento do boato no seu quotidiano. Mas pior do que isso são, nas situações complicadas e imprevisíveis como essas que vivemos com esta pandemia, os políticos e as pessoas responsáveis pela execução dos planos de contingência,   não terem a calma, a competência, a verdade e a coragem, de  informarem todo o país sobre como se desenrola a pandemia por forma  a terminarem, de uma vez por todas, com o perigo, a malícia e a confusão do  boato que confunde, atormenta e faz entrar em pânico, a cidadania.
Donde, a grande verdade, para se evitar os catastróficos contágios que sucederam nas nações que não prestaram a atenção devida para combater esta pandemia, como os Estados Unidos, e o Brazil,  é aquela que tem que provir da serenidade,  aconselhamento verdadeiro, e atempada acção das pessoas que chefiam a saúde no país. 
Por isso, a melhor medida a tomar, é resguardarmo-nos  o máximo possível, de preferência em casa, e se tivermos que obrigatoriamente sair, evitarmos os    lugares com muita gente, absolutamente protegidos com máscara e luvas, desinfectando bem as mãos várias vezes.
Se agirmos assim, daremos uma grande ajuda ao país, e a nós próprios, na condução desta intrincada pandemia.
Só que, o sucesso do combate não é apenas uma missão das pessoas,   competindo, por isso, com muito maior  responsabilidade às nações agirem, também elas, com regras, obrigações, e penalizações, para travarem os contágios, esmorecerem a  pandemia, e fazerem com que o sol  nos traga a luz do optimismo que necessitamos.
Só que as coisas não se movimentam bem dentro destas necessidades prementes porque há, ainda, muita gente que pensa que este vírus  não passa de uma treta, de uma invenção arquitectada para fins dúbios, enquanto que os chefes de governo a páginas tantas, também começaram a descurar pontos nevrálgicos da pandemia para que a situação económica do país melhore, esquecendo-se que essa cega viragem pela economia, pode decretar uma grande cambalhota, e o retorno de uma nova vaga pandémica com más consequências.
Por exemplo, por aquilo que nos é dado ver, Vasco Cordeiro, cada vez se inclina mais para abrir as portas dos Açores ao turismo como uma tentativa de salvar a economia regional, cometendo duas gafes enormes: A primeira prende-se com o facto de que o turismo não pode, nem deve, vir a ser o nosso coveiro pois , tal qual foi projectado, foi  uma aposta erradíssima porque deveríamos olhar para um turismo de qualidade que coubesse na fragilidade e grande valor da nossa natureza, e nunca num turismo de massas que vai destruir, não tarda, como já disse muitas vezes, a nossa galinha dos ovos de ouro. 
A segunda razão prende-se com o enorme erro de os nossos governantes assumirem, alarmados, que a Região corre o perigo de se afundar economicamente se o turismo não chegar no imediato, mostrando escondidamente o desejo de arriscarem, como se esse risco não possa ser o  disparate de nos enterrarmos, definitivamente ,numa situação anárquica, de falta de controlo da pandemia, e no descrédito que tal facto nos traria a nível nacional e internacional. 
Quanto a mim, é muito melhor a Região ter problemas económicos do que ter uma pandemia, como certamente virá a suceder, sem o rigoroso controlo, das pessoas que cá chegam. Além disso, tendo essa nova aposta, digo mais uma vez errada, no turismo, essa actividade dada a sua pouca existência, nunca poderá ser a trave mestra da nossa economia como é, por exemplo, da ilha Madeira, e outras regiões afins.
Por tudo isso, sem existir a obrigatória quarentena, em hotéis, de todos os  passageiros que chegam aos aeroportos da Região, os testes que são feitos, para além de não serem  conclusivos, fazem-nos correr sérios riscos pois como vão para casa, ou para um qualquer alojamento em liberdade, até receberem o resultado do teste feito ao desembarcarem nos Açores à chegada, corre-se o brutal risco de, passadas as horas necessárias para a resposta do teste, ao que consta já existem testes com demoras de 5 dias, poderem vir a acusar positivo e, se tal suceder,  infectarem muita, muita gente.
Mas existem, ainda outros riscos pois feito o primeiro teste, para se ter certezas, há a necessidade de passados 14 dias se fazer outro  para determinar, com segurança, se as pessoas estão  ou não contaminadas  pelo vírus covid-19.
Que fazer? Aquilo que o Presidente Vasco Cordeiro, como Presidente dos Açores, tem que agir da forma que melhor se protejam todas as ilhas e todos os açorianos, de uma segunda vaga duma invasão pandémica que mate muita gente e que crie o pânico, como aquele que um alastramento sem controlo desse vírus criaria.
Além disso, penso que o retrocesso de uma segunda vaga desse vírus aos Açores, far-nos-ia voltar atrás e então afugentar o turismo, e rebentar financeiramente a Região com prejuízos que ninguém imagina.
Este ano de 2020 será o ano de aprendizagem de tantas, e tantas coisas que nos podem ajudar no futuro, exactamente porque também se aprende com os erros e com as agonias.
Por isso, parte-se do princípio benéfico de que esta pandemia e redução consequente do turismo, vai libertar e dar alento à nossa frágil natureza pelo sufoco que os milhares de visitantes lhe provocam.
No outro lado, vamos inovar e criar formas de se recuperar a economia com muitas coisas que temos à disposição, como esta nossa terra altamente  produtiva sob um clima fabuloso para tal. E porque a necessidade chama a criatividade, e porque sempre fomos um povo dinâmico e empreendedor, vamos por essa virtude em prática e melhores dias, naturalmente, virão. 
       
 

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Categorias: Opinião

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