“Descalabro” na distribuição de correio por culpa da administração dos CTT, diz dirigente nacional do SNTCT

O Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações (SNTCT) acusou a administração dos CTT de ser responsável pelo “descalabro” dos serviços postais nos Açores.
Numa conferência de imprensa realizada ontem, em Angra do Heroísmo, o dirigente nacional do SNTCT, José Oliveira, disse que “a crise provocada pelo Covid-19 foi aproveitada pela gestão dos CTT para reduzir custos, nomeadamente no transporte de correio do território continental para os Açores, o que tem provocado graves atrasos na distribuição do mesmo”.
José Oliveira adiantou que “o transporte do correio por via marítima e a não utilização de cargueiros aéreos, como era obrigação dos CTT, tem sido não só prejudicial em termos da rapidez de entrega do correio como, por concentrar o mesmo, como provoca distúrbios no sistema de distribuição”.
O dirigente sindical afirmou que a decisão dos CTT em remeter o correio para os Açores, uma vez por semana, por via marítima está a sobrecarregar os trabalhadores que têm a seu cargo a distribuição postal, porque estão a ser obrigados a fazer mais giros.
“Os carteiros continuam a ser os mesmos bons profissionais que sempre foram, o que está a falhar é a gestão destes CTT privados que apenas olha ao lucro e não está a respeitar os açorianos que têm, por lei, direito a uma distribuição diária e domiciliária de correio”, disse José Oliveira.
De acordo com o dirigente do SNTCT, são necessários pelo menos mais 25 carteiros e dez funcionários nos balcões para que os CTT possam assegurar a distribuição postal nos Açores.
Tendo em conta essa realidade, o SNTCT defende a readmissão de alguns dos trabalhadores que tinham contratos a prazo e que foram, entretanto, dispensados pela Administração dos CTT.
“Neste processo devem os CTT, no imediato e em nossa opinião, admitir no mínimo os trabalhadores em falta, contratualizarem cargueiros aéreos para o transporte de correio. Os serviços da Empresa CTT Expresso e o transporte de Express Mail, além de estarem a ser efectuados pela rede CTT Correios (que deveria estar a distribuir o chamado correio normal incluindo o correio registado), estão a ser transportados por barco, até agora uma vez por semana, não respeitando assim os padrões de serviço contratualizados com os cidadãos”, adianta o SNTCT. Segundo José Oliveira, os funcionários dos CTT estão a ser os “bodes expiatórios” do descontentamento dos clientes pela forma como está a ser efetuada a distribuição postal nos Açores. Nesse âmbito, o dirigente do SNTCT apelou aos clientes que se sintam lesados pela forma como é prestado o serviço postal nos Açores para se queixam directamente à ANACOM - Autoridade Nacional de Comunicações e não apenas nos balcões dos CTT.Por outro lado, o SNTCT reafirmou a sua posição de que os CTT devem ser uma empresa pública “tal como acontece em quase toda a Europa”.
CA/DI

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Autor: CA

Categorias: Regional

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