No Mercado da Graça em Ponta Delgada

Comerciantes lamentam fraco movimento e falam em grandes quebras no negócio

Edgardo Medeiros - 
Funcionário de talho
“O negócio está parado. A quebra em relação ao ano passado é aí de 50 a 60%. Estamos reduzidos só ao consumidor local que, com esta Pandemia, não está com capacidade para comprar. A gente vê muita gente aí mas compram só 3 ou 4 bifes, 3 ou 4 bifanas. Já não é aquele cliente de levar 2 ou 3 quilos. As pessoas estão com medo e os recursos são poucos. Alguns ainda levam mais um bocadinho porque fazem um churrasquinho e um convívio com a família, mas tirando isso, está fraco. No verão vendíamos um bocado grande, mas agora está paradinho. A única solução é esperar. O nosso talho baseia-se muito na restauração e no turismo. Eles têm os seus negócios abertos mas não têm clientes. Vamos pedir ao Governo para dar mais dinheiro? Isso só vai adiar o problema. Se formos levantar à banca vamos ter de pagar à frente e será que vamos conseguir? Está a perceber. O melhor mesmo é esperar e ver o que isso vai dar”.


Hélder Bernardo 
 Comerciante de Queijos
“Muito fraco. As pessoas têm medo de sair de casa. Isto está retomando muito lentamente. Estivemos sempre abertos, apesar de ser com algumas restrições, porque vendemos bens essenciais. Tivemos quebras à volta de 70% no negócio. Para melhorar a situação é preciso  turismo. Também temos clientes de cá, mas a nossa loja vive muito do turismo, à volta de 50%. Muitas pessoas não conseguem estar muito tempo no mesmo sítio com máscara, falo por mim, próprio. Quando estou na loja quero comprar uma coisa o mais rápido possível para poder tirar a máscara. Enquanto não houver vacina temos de nos precaver com máscara. Não se pode acabar com o turismo porque representa uma parte forte da economia de São Miguel que engloba restaurantes e hotéis e todos os outros negócios relacionados”.

 Fernanda Ponte
 – Comerciante de produtos agrícolas
 “As coisas estão um pouco mal, o que nos está a ajudar são as entregas ao domicílio. Ainda hoje o meu filho não parou de levar às pessoas que eram nossos clientes. Pusemos no Facebook os nossos produtos e as pessoas estão aderindo. Ainda têm medo de sair de casa. Se não fosse assim, era coisa para a gente pagar apenas as despesas. Está muito mau. Hoje a praça ainda está um pouco morta, de manhã, por volta, das 10h ainda mexeu um pouco, mas está muito mal. Estas entregas ao domicílio até cobrem mais daquilo que a gente faz aqui. Eu espero continuar com as entregas, se não fossem essas entregas eu acho que a gente não resistia. Temos muitas despesas, muitos homens para pagar que trabalham na terra. Não temos vendido batata nenhuma e temos muita para vender. Os restaurantes não gastam. Temos restaurantes que fornecíamos e eles não gastam. Se levamos 5 sacas de batata, elas ficam lá perto de um mês. Está difícil mas vamos sobrevivendo. Eu penso que a partir de agora as coisas vão piorar, as pessoas já não têm dinheiro. As pessoas não têm porque no tempo da pandemia gastaram o que tinham e o que não tinham, porque estavam todas em casa. Nós estivemos a fazer vendas ambulantes e damos muito fiado. As pessoas quando recebem as suas reformas e os seus ordenados vão pagando e vão comprando. Vamos sobrevivendo porque também não temos um negócio muito grande. O que é que a gente vai fazer? Seja o que Deus quiser. É esperar para ver. Quer-se é um pouco de saúde. Com saúde fazemos tudo, agora sem saúde não fazemos nada”.       
Norberto Botelho – Comerciante de Ananases  
“Esta semana já começou a mexer mais uma coisinha e começou a aparecer gente de fora. Para o meu negócio o turismo é muito importante e só com as pessoas de cá não dá. Se não vier gente de fora, para o negócio do ananás, isso é para fechar, vamos lá ver se isto aguenta. Estes meses foram complicados até estive fechado uma semana. Dos poucos ananases que trazia para aqui, quase metade deles era para meter no lixo. Não se vende. Agora está a começar a melhorar, principalmente nesta semana, vamos lá ver. Há-de ser o que Deus quiser”.  
                                                 
 Luís Lobão

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Autor: CA

Categorias: Regional

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