14 de julho de 2020

Emergência social europeia

 A Cáritas Europa e 11 organizações solidárias uniram-se para pedir à União Europeia a criação de um Fundo de Emergência Social para responder à crise provocada pela pandemia de Covid-19. Apesar da situação parecer estar a melhorar, pelo menos a curto prazo, o sector dos serviços sociais continua a ser fortemente afetado.
A situação de calamidade social levou a que estas instituições exortassem os responsáveis da União Europeia a criarem um Fundo Europeu de Emergência para os Serviços Sociais de curto prazo durante a pandemia Covid-19, que permita à Comissão Europeia apoiar diretamente a prestação e o acesso aos serviços sociais durante este período de autêntica calamidade pública.
Com a pandemia COVID-19 o número de pessoas que procuram a ajuda aumenta a cada dia que passa. Neste momento, há instituições de apoio social incapazes de prestar o serviço habitual aos que já estavam mais vulneráveis. Há também muitas empresas que interromperam a sua atividade, o que tem um impacto direto nos rendimentos de muitas famílias.
Muitas empresas no âmbito da sua responsabilidade social, juntaram-se ao Banco Alimentar a fim de reforçarem a Rede de Emergência Alimentar, pelo que se realça, por exemplo, a verba de 100 mil euros atribuída pela Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento aos Bancos Alimentares de São Miguel e da Terceira.
Há muitas pessoas a viver uma situação difícil, a precisar de apoio dado que o Banco Alimentar Contra a Fome tem sentido a pressão do número crescente de pedidos diários de ajuda, pelo que a mobilização de toda a sociedade neste momento tão difícil reveste-se de importância acrescida.
É neste sentido que a Cáritas Europa e as outras organizações da Igreja Católica alertam os responsáveis europeus dado que, não é apenas pela própria situação de saúde pública que é desesperante, mas também pelas consequências da pandemia sobre os desafios de subfinanciamento das organização e pelas condições de trabalho e pela necessidade de apoio imediato às pessoas que recorrem dos serviços de emergência social.
O alerta urgente vai também no sentido do papel essencial dos serviços sociais no apoio a milhões de pessoas na Europa, ajudando idosos, pessoas com deficiência, crianças e jovens em risco, pessoas em risco de pobreza, sem-abrigo, migrantes, para viverem uma vida melhor, mais saudável e mais digna.
Tem-se registado, em todo o mundo, que o impacto económico e social desta crise tem conduzido a uma maior procura de serviços sociais, do que antes da pandemia Covid-19, não apenas nos países pobres, mas também nos chamados países desenvolvidos, como é o caso da Europa e dos Estados Unidos. Esta pandemia veio pôr a nu a realidade da pobreza no Planeta e agravou muito mais esta realidade desafiante.
Estima-se que mais 60 mil pessoas, a acrescentar à longa lista do que recorrem ao Banco Alimentar Contra a Fome, tiveram que pedir ajuda desde o início do surto de covid-19 em Portugal, em Março, e não apenas gente pobre, mas muitas pessoas de extratos sociais elevados que com a não prestação de serviços, viram-se repentinamente numa situação de falta de alimentos para famílias que nunca antes se valeram dos apoios alimentares.
É neste contexto que a Cáritas Europa na sua declaração sublinha que “os serviços sociais também são essenciais para o mercado e a economia, dando emprego a 11 milhões de trabalhadores”, e lembra que as próximas iniciativas da União Europeia, incluindo o Plano de Recuperação da UE, são a oportunidade de “impulsionar ainda mais o processo de uma União Mais Social, reforçando o contributo dos serviços sociais para a Europa, para os seus cidadãos e para a sua economia”.
É também recomendado “às instituições europeias que reforcem o carácter essencial dos serviços sociais, nomeadamente através de uma comunicação direcionada sobre a contribuição dos serviços sociais para a missão e os valores da União Europeia no Plano de Recuperação para a Europa, bem como nos resultados resultantes da comunicação sobre uma Europa social forte para transições justas”.

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Categorias: Opinião

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