Ex-Presidente diz que Portugal tem desvalorizado a sua dimensão atlântica

Carlos César defende a SATA e a prioridade do Mar, que “vale todas as batalhas”

O Presidente do PS nacional, e também Presidente Honorário do PS/Açores criticou ontem, no programa da TSF em que participa semanalmente, o constitucionalista Vital Moreira a propósito da questão do financiamento da companhia aérea açoriana SATA. 
No mesmo programa, César defendeu o documento preliminar apresentado por Costa Silva, no qual se dá especial realce à chamada “economia atlântica” e à valorização e aproveitamento estratégico desse espaço nas perspectivas múltiplas do ar e do mar. 
O Presidente do PS, mostrando-se pouco adepto da criação de uma “universidade do Atlântico” e mais sensível ao aproveitamento das competências instaladas das duas universidades insulares existentes, enalteceu o que considera a recolocação do espaço atlântico como crucial para a sustentabilidade e competitividade nacionais.
“Há anos que, por razões conhecidas, mas que sempre assumi como também do interesse nacional, digo que Portugal tem desvalorizado a sua dimensão atlântica. Têm sido poucos os governantes que têm compreendido essa mais-valia, porque a maioria age prisioneira de preconceitos políticos simplórios e visões domésticas continentais”, salientou.
César defendeu a condição portuguesa de “país europeu do Atlântico”, e realçou, no caso do Mar, não só a sua função geo-estratégica militar, como as vantagens competitivas que o país podia e devia adquirir na economia do mar “onde faz fronteira com outros dois continentes, é cruzado por rotas comerciais e onde pode encontrar recursos imensos naturais, minerais, energéticos, alimentares, de aplicação à saúde e a sectores emergentes”. O mar, lembrou, “vale todas as batalhas”.
César criticou também notícias que têm posto em causa a legitimidade de um apoio à SATA, designadamente as afirmações do constitucionalista Vital Moreira nas redes sociais. Defendendo a necessidade de Portugal defender as suas empresas estratégicas, como recentemente aconteceu com a TAP e a EFACEC, o Presidente Honorário do PS/Açores, que presidia ao Governo Regional quando foi criada a SATA Internacional, disse que “a SATA não pediu dinheiro, nem um cêntimo, só um aval ao Governo da  República ou a diligência do Estado português para a Região Autónoma dos Açores poder avalizar um empréstimo”, mencionando que a SATA, ao contrário da TAP, já tem e já entregou o seu plano de reestruturação.
Carlos César, que foi Presidente do Governo açoriano durante 16 anos, lembrou que os Açores, que tinham no final de 2019 uma divida pública de apenas 43% do PIB, “não aceitam lições de boa gestão das finanças públicas de ninguém, nem do Governo do país, nem da Madeira nem de outro qualquer zelador do Reino, tipo Vital Moreira”, a quem acusou de “estar contra as autonomias na Assembleia  Constituinte”  e de  querer ignorar o que seria o nosso país se não integrasse os territórios dos Açores e Madeira – “seria um território na cauda da Europa com umas “milhazecas” de zona marítima costeira”, concluiu o ex-Presidente do Executivo açoriano.
 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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